terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Porque é que as empresas portuguesas muitas vezes não tocam para a frente...

Na semana passada comprei um relógio Eletta Vilamoura completamente novo, juntamente com as suas cinco braceletes totalmente novas, a preço de um relógio dos mais foleiros da Swatch. Tal façanha deveu-se ao OLX, site que pesquiso diariamente e que até à data não me deixou ficar mal. 

Uma vez que o relógio não tinha pilha e uma vez que as braceletes estavam das dimensões de um pulso de um gigante, fui a um relojoeiro para saber orçamento para colocação de pilha + apertar as cinco braceletes (sim, eu sou pessoa de pedir orçamentos em tudo o que faço!). 

Fui então a um relojoeiro, na zona da Baixa, cujo tipo de loja, daquelas antigas e com tudo em madeira, parecia que nunca viu uma segunda demão de tinta em... 100 anos talvez...

Pedi então um orçamento. Expliquei que o tinha comprado em segunda mão, logo não tinha como recorrer à relojoaria onde foi comprado.  O homem avaliou o relógio, deu-me os parabéns por ter feito grande negócio, já que comprar relógios em segunda mão é coisa arriscada e dá-me um orçamento de 25 euros para apertar quatro braceletes (uma ele apertava de graça) + mudança de pilha. Imediatamente recusei tal preço, uma vez que eu dei pouco mais por isso pelo relógio e que iria saber orçamentos noutros sítios. 

Ao sair do metro, ao passar naquelas típicas lojinhas onde vendem de tudo, entrei numa das lojas em que vendia relógios achinesados entre outras coisas achinesadas e perguntei o preço da mudança de pilha e para apertar as braceletes. O senhor que estava ao balcão, pelo mesmo trabalho do relojoeiro dá-me o orçamento de 5 euros. E pronto, negócio fechado. Nem procurei terceiro orçamento.
Enquanto ele apertava as braceletes e punha o relógio, ele lá me disse que era do Sri Lanka, que sentia saudades da família no Sri Lanka, que vive em Portugal há dois anos e que agradece ao governo a oportunidade de viver cá, disse-me que é o país da Europa onde é mais fácil conseguir os papeis para viver e trabalhar cá e pronto... poderia ter dado oportunidade de um relojoeiro português com a sua loja na Baixa e com uma história na relojoaria portuguesa de tocar no meu lindo e precioso relógio e acabei por dar a ganhar a um Cingalês* com loja no metro.  É a vida...


*Habitante do Sri Lanka: cingalês, cingalá, chingalá, ceilonense, singalês, singala, singalense, singalibense (Wikipédia) 

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