terça-feira, 29 de novembro de 2016

Novamente sobre as filas

Se há coisa que me rouba a paciência são as filas.

Hoje, precisava de ir aos correios enviar umas encomendas volumosas, chego lá, tiro duas senhas, uma delas por engano. Faltavam 30 números. Bufei, exasperei, e saí dos Correios para tomar um café e dar uma vista de olhos no quiosque ao lado.

Regresso aos correios, os números já estavam relativamente perto do meu, faltavam umas cinco pessoas para serem atendidas.
Devido ao tamanho das encomendas, tive alguma dificuldade em entrar dentro do posto, uma das encomendas cai ao chão, ninguém me ajuda a apanhá-la, olhando com certa indiferença até ao ver o meu embaraço, até que um rapaz nos seus 20 e poucos anos, num gesto cavalheiresco, apanhou a caixa e passou-ma para um dos meus braços que estava mais livre.

Agredeci o gesto, com um sorriso e um obrigado. Trocamos meras palavras até que ele confidenciou que estava com pressa para ser atendido porque tinha aulas dentro de 20 minutos e que lhe faltava uns 30 números.

Lembrei-me que tinha duas senhas no bolso. Pus as caixas no chão e inspeccionei os meus bolsos. Dei-lhe uma senha mesmo em frente ao pessoal que exasperava para ser atendido... pessoal que não me ajudou 3 minutos antes... pessoal que barafustou quando ele agradeceu o meu gesto.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Então Alima, como vai a tua vida nos estágios?

Digamos que deixei um serviço complicado na área da Pediatria em que dava cabeçadas contra a parede por ver miúdos tão profundamente doentes para me enfiar noutro serviço bem chato da cirurgia.
Durante os últimos dias e muito provavelmente durante os próximos, observei e observarei centenas de mulheres com patologia mamária.

Sinto um enorme aperto quando vejo mulheres da minha idade ou pouco mais velhas que eu a deslocarem-se às consultas, ou para fazerem pensos pós-mastectomias ou para saberem resultados daquelas biópsias. Mulheres que foram desleixadas toda a vida no que respeita a exames médicos até ao dia em que ficaram doentes, mulheres que realizavam os exames médicos constantemente porque a sua mãe ou irmã tiveram neo da mama, mulheres cujo o tumor as surpreendeu com uma simples apalpação mamária.

Cada mulher que entra no consultório, é uma mulher diferente. Nunca sei o que posso contar antes de cada mulher retirar o sutien para mostrar as cicatrizes ao médico.  Maior parte das feridas não têm vestígio de sequela, ou sem têm, são subtis, mas há aquelas feridas com cheiro nauseabundo e de aspecto atroz que nos fazem pensar qual o limite da decência e da decandência a que uma mulher pode ser submetida.
Felizmente tenho visto casos de sucesso, de mulheres que tiveram neoplasia da mama, lutaram e passados 10-20 anos ainda cá estão para contar sobre a sua luta. Mas como infelizmente a sorte não toca a todos, compadeço-me daqueles casos em que de surdina oiço "ela ainda não sabe, mas já tem metástase no pulmão".

Em termos humanos, é dos serviços que mais me tem sensibilizado por afectar mulheres dos 18 aos 100. É impossível não deixarmos o serviço sem ponta de revolta, de pena.
No entanto, sinto que muitas destas mulheres não estão a ter o acompanhamento que deveriam. Infelizmente não há resposta por todos os casos por parte da assistente social, da psicologia, da fisioterapia...
Como está a ser este estágio? Profundamente enriquecedor, profundamente inspirador, profundamente triste...

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Porque sei que tenho entrada garantida no Inferno, mas entrarei a rir

Umas gringas, junto ao El Corte Inglês, perguntaram-me qual seria a melhor saída do metro para chegar ao Benfica's Stadium. Recomendei a linha verde com saída em Campo Grande.



                                                :D :D :D :D

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Os grandes momentos da Medicina

Conseguem superar qualquer sexta-feira em que se sai do serviço um bocadinho mais tarde que o normal só porque ficamos abalroados de trabalho e burocracia.

O motivo é nobre. Um dos "meus miúdos" do serviço de Pediatria onde estou a estagiar acabou de ganhar um rim. Um orgão que lhe vai dar umas chatices numa fase inicial mas que lhe vai substituir de vez (assim espero) a terrível hemodiálise, tratamento que desde sempre lidou com ele.


Bom fim-de-semana a todos :)


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

E então essa vidinha sentimental, cara Alima?

Não existe. Simplesmente não existe. Grandes expectativas deveriam levar a grandes sucessos ou a grandes fracassos e até à data nem uma coisa nem outra.

Há muito, muito tempo poderia estar agarrada a um balde de chocolates e a beber litros de coca cola como forma de amenizar a minha angústia. E estive, é certo. Mas ter quase 30 anos, não é só um número mas também experiência de vida. 
A expectativa era enorme, o momento era perfeito e o sacrifício foi grande. Mas há gente que tem uma capacidade brutal de arrasar tudo. Nas primeiras 72 horas após este arraso eu senti-me péssima, uma dor forte no peito, uma falta de ar horrível e um sentimento de angústia devastador. Mas depois, depois disse-lhe que friendzone não funciona comigo quando estou interessada em alguém. Se não é meu para o que quero,  também não serei dele para o que ele quer, que neste caso era só e apenas amizade. Afinal de contas a Cinderela perdeu o sapato, não perdeu o amor próprio.

E foi assim que num sentido metafórico, fiz as malas e parti. Parti e deixei-lhe a chave. Aos pouquinhos vou apagando as sms dele, as mensagens no whatsstapp. Aos pouquinhos vou deixar de pensar nele, de sonhar com ele e de observar se está online no whatssapp só para ter a certeza que ele está bem. Aos pouquinhos vou apagando-o da minha vida e passará a ser uma ténue lembrança. Poderia estar agarrada a um balde de chocolates e a beber litros de coca-cola. Mas não, não estou. 

terça-feira, 18 de outubro de 2016

E então Alima, esta história do assassino de Aguiar da Beira deve ter algo de bom, não?

Hum... Digamos que boa parte dos meus familiares, amigos e vizinhos que tenho pela Freita tiveram direito a tempo de antena na TV e outros meios de comunicação.  Digo boa parte porque aquilo é um deserto de gente, logo poucos foram os que não foram entrevistados. É que o homem foi-se mesmo esconder nas imediações da minha aldeia. E quando soube disso, comecei a pintar o cenário de um homem enfiado na minha casa isolada no meio da serra, a beber chá e refastelado no sofá.

Vi que o meu tio estava sóbrio (coisa que já não o via desde o ano passado) e coxo (talvez devido a uma queda em momento ébrio). E que deu uma entrevista e pêras, com um discurso do caraças. E bem vestidinho, caramba!
Descobri que essa sobriedade se deve ao facto de ter havido recolher obrigatório, logo não havia tasco nem suecada para ninguém depois das 20h. Logo o meu tio e a cambada de gente de meia idade e de idade avançada teve que ficar enfiado em casa, a ver a telenovela, com as suas digníssimas esposas.

E é isto. 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Das caixas do supermercado

No espaço de 72horas, sim, 72h, defendi duas vezes dois operadores de caixa de dois supermercados diferentes mas no mesmo bairro.


Pingo Doce, 11 de Outubro:

Filas enormes. Mais de 5-6 clientes na fila. Estou na fila das caixas ditas normais, não das prioritárias. Atrás de mim está uma velha com uma netita com ano e qualquer coisa num carrinho de bebé. A garota super bem disposta, ora morde o peluche que trazia, ora morde um pedaço de pão.
A velha gritava incessantemente com a neta "Carlota, está quieta, está quieta oh Carlota". Gritava com a neta e gritava para os meus ouvidos porque estava mesmo atrás de mim.

A fila era lenta e mais lenta ficou quando um velhote pede educadamente para deixar passar primeiro, porque só queria comprar uma garrafita de vinho. E atrás de mim a velha barafustava em som audível algo como "deixam passar um velho bêbedo e não me deixam passar a mim que tenho um bebé... mal criadõeeeeeees! Gentinha estúpida". Comecei a fazer tripas coração para a ignorar para não me chatear forte e feio. Entreti-me a folhear uma revista, como forma de me anestesiar de tudo, mesmo não me conseguindo concentrar com o "Ta quieta Carlota" e  com aquele tonzinho de considerar estar numa fila um verdadeiro frete.
Chego à minha vez, pago, começo a ensacar as coisas e a velha vira-se para a rapariga da caixa e diz:

"MENINA, QUERO IMEDIATAMENTE O LIVRO DE RECLAMAÇÕES PARA FAZER UMA QUEIXA CONTRA SI"

A rapariga fica estática e perguntei imediatamente à velha porque haveria de fazer tal coisa.
A velha diz-me: "Fique sabendo que eu conheço os MEUS DIREITOS. Esta menina tinha a OBRIGAÇÃO de me atender primeiro! A OBRIGAÇÃO! Tal como você e as pessoas que estavam à sua frente tinham a OBRIGAÇÃO! Mas que posso querer eu quando sei que nesta área vive gente POUCO CIVILIZADA, né? EU SEI BEM OS MEUS DIREITOS, TÁ A VER?"

Fervilhei um bocado. Mas respondi: "Se sabe tão bem os seus direitos, deveria saber que a caixa mesmo ao lado desta é que é para pessoas com prioridade. Logo eu não tenho a obrigação de a deixar passar. Lamento. E a senhora não me parece uma pessoa que deveria ter prioridade! Está com a criança, bem sei, mas está com uma criança que está perfeitamente sentada num carrinho de bebé. Mas olhe se quer puxar pelos seus direitos, eu também vou puxar pelos meus: EU TENHO DIREITO A FAZER AS COMPRAS SOSSEGADA e o que a senhora fez durante os minutos que estivemos na fila foi BARAFUSTAR E GRITAR, COISA DE GENTE MESQUINHA E POUCO CIVILIZADA, TÁ A VER? Mas ainda quer escrever a bendita queixa?"

A mulher encolheu-se toda. A rapariga da caixa esboçou um sorriso. Saio do espaço com uma sensação de vitória, sem antes de passar no cacifo calmamente para retirar outras sacas e para verificar que a velha não ia aprontar alguma.


Lidl, 13 de Outubro

Filas enormes. A culpa é dos benditos cremes para o rosto que estão em promoção. Uma fulana desata a destratar mal o operador de caixa com um "seu estúpido, ladrão, inútil" e outros impropérios.
"VOCÊ QUERIA-ME ROUBAR NAS CONTAS! O tomate custa 80centimos e não 1€. LADRÃAAAAAO!"

O rapaz praguejava qualquer coisa que eu também não percebia bem dado o seu sotaque criolo.

Minha reacção:
"Pssst, minha senhora, não acha que está a fazer demasiado escabeche? Quer que lhe pague os tomates só para a fila avançar sossegada?"
Ela: "Este preto é um ladrão! Um desonesto!"
"Vamos lá ver uma coisa... Ele pode ter-se enganado e não é por isso que ele seja desonesto. Mas uma coisa é certa: A sua falta de educação e principalmente FALTA DE RESPEITO, vocabulário vulgar e RACISMO por quem está aqui a dar o seu melhor, bate qualquer sinal de desonestidade que ele possa ter tido consigo. Tenha vergonha!"

A mulher saiu de lá rapidamente. Ainda gostava de saber qual é a função do segurança nestes supermercados já que ele ficou impávido e sereno e nada fez para amenizar tal espectáculo.


Alima, defensora dos operadores de caixa desde Outubro 2016,

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Facto sobre a semana

1. Não gosto de Pediatria

2. Não gosto do serviço onde estou em estágio pelo facto das criancinhas estarem mesmo doentes.

3. Não gosto de ver criancinhas doentes.

4. Não gosto de pensar sequer em sentir a dor dos paizinhos das criancinhas

5. Meti-me nuns grupos sobre maquilhagem no facebook e volta e meia tenho urticária pelos erros ortográficos e pelas obscenidades lá escritas. Uma gaja diz que desmaquilha os olhos quando usa maquilhagem waterproof... com Óleo Fula!

6. Comprei uns "Kyle Jenner" no Ebay pela módica quantia de 1.70€ . Os verdadeiros custam uns 30€. Os da Primark são óptimos, mas espero conseguir uns lábios carnudos de cor de vinho com estes. Estou para ver se vou ter uma boca Kardashian fake... ou se vou ficar com os lábios todos lixados. Let's see.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Das frustrações no cabeleireiro

Tenho quase 30 anos e ainda não consegui ficar fiel a um cabeleireiro. Quer dizer, fui fiel a uma cabeleireira até ela me fazer umas madeixas rosa-choque quando eu queria cor caju...
A minha farta cabeleira de qualidade duvidosa, com excesso de cabelo, textura seca tipo palha, cabelinho tipo afro mesmo, cabelinho que fez com que a dona fosse vítima de bullying durante anos a fio, fez com que eu durante muitos anos vivesse com um rabo de cavalo a prender tudo o que fosse fio de cabelo.
Alguns amigos até me disseram para copiar o look da Ana Sofia Martins por ter um cabelo igualzinho, mas esquecem-se que não sou tão bonita quanto ela, nem tenho o corpinho da cachopa... e que eu saiba, não tenho uma gota de sangue africano nas veias para ser tão audaciosa. Quero a minha cabeleira mais discreta...
No ano passado, graças à minha nova vida em Lisboa, resolvi arriscar num alisamento e foi talvez a maior revolução que fiz no meu visual. Tenho o cabelo tão amansado como os dos anúncios de shampoo.

Contudo, os meus dias em Lisboa estão prestes a acabar e resolvi "apalpar terreno" sobre cabeleireiros em Braga. Juro que andei a pesquisar pelo Santo Google sobre o assunto.
Aconselharam-me um na zona da Universidade do Minho devido ao conceito de low cost. Lá fui eu cortar o cabelo.


Foi uma experiência muito má. A cabeleireira só me corta as pontas (quando eu pedi para cortar uns 10cm pelo menos), tento puxar o assunto "alisamento" ao qual ela demonstra um total desconhecimento sobre técnicas. O proprietário do salão, a quem paguei posteriormente o serviço, após ter sido abordado sobre alisamentos e orçamentos foi extremamente antipático. De boca cheia diz que "a menina não sabe do que fala e não vou ser eu que lhe vou explicar como funciona estes tipos de alisamentos disponíveis".
Meu caro, da mesma forma que o senhor dá a cara a um salão de cabeleireiros, fique sabendo que um bom profissional não deve saber só cortar e esticar o cabelo. Deve ter formação necessária para aconselhar. Ou pelo menos tentar aconselhar. Atitudes dessas fez com que eu pusesse em causa todo o profissionalismo e idoneidade que podem dizer que têm. Não foram profissionais comigo. Podem ser low cost, mas isso não dá direito a serem desagradáveis com os clientes. Dizer que desfrisar o cabelo é exactamente o mesmo que todo e qualquer tipo de alisamento que anda por aí, é um valente erro...

Honestamente se o serviço fosse bom, eu voltaria e aconselharia. Foi péssimo e assim que saí do salão, passei a palavra de que além do mau serviço prestado ainda foram antipáticos. Por norma o meu nível de exigência é razoável. Não posso pedir perfeccionismo quando eu própria não o sou também. Mas a coisa correu mesmo mal...
Ah, e tenho todo o direito de pedir fatura, como tenho o direito de vos negar gorjeta. Não vale a pena bufar.



Agora a sério...alguém conhece um cabeleireiro de jeito por Braga? Que não me diga que "para quê fazer alisamentos se a desfrisagem faz o mesmo"?

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Dos batons...

Gosto tanto dos batons líquidos da Primark como gosto dos meus lipstick da Guerlain.



Grande qualidade a um preço pequenino :)

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Quando sei que a minha casa da aldeia está em risco de ser consumida pelas chamas...

Sinto pânico. Pânico.  Arouca revive o cenário de 2005. Eu estava lá em 2005 e aquele episódio se tornou inolvidável na minha memória.
Tenho seguido tudo o que seja redes sociais e feito zapping em canais informativos. Estou a 2h de viagem da aldeia e sinto-me impotente. Ainda de braço engessado não posso conduzir.

Assisto em directo o incêndio em Ponte de Telhe, Janarde, Meitriz, Covelo de Paivó. Estou estarrecida. Aldeias que conheço tão bem.  Quando vejo uma reporter da TVI em directo da minha aldeia a relatar o caos que está eminente a fustigar na própria aldeia, sinto-me em pânico. Contacto um primo emigrante em França que está de férias em Portugal que pinta o cenário negro. Contacto um velhote que está responsavel por zelar pela minha casa na nossa ausência e pinta o cenário ainda mais dantesco.
Interrompo um convívio entre amigos para vir para casa e seguir atentamente as redes sociais e a TV.  Alguém no convívio diz que a culpa é das pessoas que não limpam as matas. Pergunto onde estão essas pessoas que são capazes de limpar matas, uma vez que a população da Serra da Freita é predominantemente idosa, logo incapazes de trabalhar os terrenos e de ter vacas ou cabras para se alimentarem do mato. Através do facebook leio os relatos de amigos que estão a presenciar tudo isto ao vivo. São publicadas fotos terriveis.
Vejo fotos do centro da vila de Arouca e estou impressionada. Sinto-me revoltada. Transtornada. Rezando a Sta Bárbara, padroeira da freguesia, cuja festa em honra dela é já este fim-de-semana para que ainda conserve alguma dignidade verde naquela serra. Rezando para que volte ver todo o casario intacto.  A minha querida serra da Freita está a ser transformada num manto de cinzas. A minha estimada Arouca a ficar abafada. E eu vou tentar descansar com a sensação de murros no estômago e de uma péssima sensação de impotência.

Uma vez que a aldeia está rodeada de mato serrano e árvores e acessos deficientes o risco sempre foi elevado. Um dia pode ficar dizimada em cinzas. Rezo para que não seja agora.

sábado, 6 de agosto de 2016

Carta àquele que lhe dói os ouvidos.

Cara pessoa,
Se pensas que fiquei ofendida ou triste ou revoltada com a tua atitude infantil de subitamente te aparecer uma doença típicas de miúdos, isto é, uma otite, fica sabendo que estou-me completamente a marimbar. Talvez esse teu problema seja o reflexo do que ainda o és: um puto.

Num passado longínquo eu estaria hiper preocupada com a tua situação. Aquele meu instinto protector e maternal viria ao de cima, tentaria fazer de tudo para amenizar o teu problema. Acontece que à medida que fui envelhecendo (e porque comecei a ganhar calo e insensibilidade em certas situações), deixei de me preocupar tanto com os outros. Sou simpática e posso ser prestável, bem o sabes. No entanto sei ser uma pessoa extremamente insensível. 

Eu estabeleci uma espécie de termómetro que começa em 100ºC. Cada situação que me desagrada, vou baixando a temperatura. Nesse passado longínquo, eu iria reduzindo muito gradualmente, aceitando me auto-humilhar, fazer-me de parva e dando vezes sem conta o benefício da dúvida. Actualmente o meu termómetro reduz a temperatura a uma velocidade muito maior. Rapidamente chega a uma temperatura fria e que não estou disposta a aquecer de novo. Afinal dá trabalho buscar mais lenha. E como reduzo a temperatura? Passando para a indiferença. Começo logo por começar a apagar as tuas mensagens. Posteriormente o teu contacto. Finalmente a esquecer a tua existência. E não te passa pela cabeça o quão rápido consigo fazer isso. "Ah e tal, se gostasses mesmo de alguém não serias tão fria", pensas tu. Meu caro, antes de gostar de alguém, tenho OBRIGATORIAMENTE de gostar de mim primeiro. Sou a principal divindade que devo amar. Depois de mim, sempre os outros. Sempre.  E citando Eleanor Roosevelt, essa mulher tão brilhante quanto qualquer outra mulher, ninguém te pode fazer sentir inferior sem o teu consentimento. E tu não és ninguém para me rebaixar.

Portanto meu caro, o facto de gostar mais de mim do que de ti, faz de mim a jogadora profissional desde tabuleiro. Eu dito as regras, e tu, se queres alinhar no jogo, deves obedecer. No momento em que não me respondes a uma mensagem que te envio de cortesia a perguntar se estás melhor, acredita... está o caldo entornado! Caso não estejas preparado para jogar, ou caso não queiras jogar, agradeço que me avises. Não sou pessoa de perder tempo com pessoas que não merecem...




Alima


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Dos irmãos que ganhamos com os Erasmus

A minha irmã turca que já não vejo pessoalmente desde 2012 vai-se casar dentro de dois meses.

Quando a conheci, estava noiva de um afegão que estudava medicina na Turquia, mas a coisa azedou quando ele lhe disse que assim que se casassem, ela iria viver em Cabul com a mãe dele, para fazer companhia à velha, logo não poderia exercer qualquer actividade laboral em Cabul por dois motivos: primeiro era mulher, segundo, é considerada "propriedade" do maridão.
Durante o tempo que vivemos juntas, alertei para a gravidade da situação, ao qual ela, meses mais tarde fez um manguito ao afegão e às suas ideologias machistas.

Há cerca de dois anos, ela disse-me que começou a namorar com um turco decente, também médico como ela,  Assim que tiver o título de mulher casada, vai deixar Istambul e emigrar para a Alemanha. E como isso me deixa feliz! O meu coração palpita sempre que vejo as tragédias que estão a ocorrer na Turquia. Tudo me faz pensar que ela está metida algures naquela confusão. E ainda bem que as redes sociais existem para trocarmos umas mensagens...


Sinto que poderei estar mais próxima dela assim que ela for trabalhar para a Alemanha. Ela jura a pés juntos que nunca virá visitar-me a Portugal porque considera nojento o facto de comer arroz de sangue ou tripas de porco e que tem a certeza que a obrigaria a provar tais iguarias. Que silly sister eu tenho...! Ela não sabe que vai perder a melhor gastronomia do mundo...

sábado, 30 de julho de 2016

E três semanas depois, o estágio acaba...

... e chorei baba e ranho quando fui-me despedir do pessoal que me aturou durante esse tempo.


E ficou a promessa que para o ano eu voltarei...

Um bem-haja à equipa do serviço! Que mantenham o profissionalismo e a boa disposição que tanto apreciei.


Porque afinal não há trabalho melhor que aquele em que se está motivada.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

sambando na cara de alguém em 3...2...

Pois muito bem...

Comecei na semana passada, mesmo com um braço engessado, um estágio num hospital cá da zona, um daqueles estágios em que pretendo mesmo apalpar terreno para um dia ficar cá a trabalhar.

Antes de ontem cruzei-me com uma enfermeira que foi minha colega de turma, que me espeta dois beijos na cara:

- Alimaaaaaaa... quanto tempoooooo! De batinha branca??? Quer dizer, eu já sabia que estavas em medicina, vi pelo facebook da Ana Não Sei Quê e...

- Desculpa... não estou a ver realmente quem tu és... a tua cara não me é estranha mas...

- Como não te lembras de mim? Éramos do mesmo grupo das práticas de Fundamentos e de Médico Cirurgica no 1º e 2º ano!!! Sou a Joana não sei quantas!!!

Olhei para ela. Claro que me lembrei dela!

- Ah sim... agora estou-me lembrar de ti! Foste aquela que disse que não me queria no trabalho de grupo de um trabalho de Médico-Cirúrgica só porque chegava atrasada porque tinha que levar o meu pai à quimioterapia!!! Até disseste que toda a gente tinha problemas em casa, que tu também tinhas problemas com o namorado e não era por isso que te atrasavas!!!! Como me posso esquecer de uma pessoa que equacionou QUIMIOTERAPIA com ARRUFOS COM O NAMORADO??? Fica bem!


Ela disse qualquer coisa, mas eu honestamente como  virei costas não percebi o que ela lhe disse. Durante o resto do dia, evitamo-nos.

Quando cheguei a casa fui cuscar o facebook dela. É casada com um gajo todo tatuado, tem um filho, tem imensas imagens de animaizinhos no facebook e pouco mais sei dela. E honestamente desejei-lhe um bocadinho mal. Um pequeno sustozinho, um arrepiozinho de medo para que ela se lembrasse do que ela tinha dito há onze anos atrás.

Estou eu a ser vingativa? Estou eu a ser má pessoa? Deverei perdoar algo que me marcou há onze anos atrás? Fica a dúvida...


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Verão 2016

está a ser aquele Verão em que deveria curtir ao maximo os livros, fazer 1001 bricolages em casa e trabalhar para o bronze, mas estou a curtir um braço engessado...


É ISTO

sábado, 9 de julho de 2016

Alima no passado e do presente

CASO 1. Alima combina com alguém para uma saída a dois durante a noite. Nessa mesma tarde, recebe uma SMS a avisar que não será possível tal saída porque esse alguém está doente.


Alima 2006

- Mas estás bem? Precisas de alguma coisa? Queres que vá a farmácia comprar alguma coisa e deixo em tua casa? Um chá de cidreira e canjinha de galinha, ajuda muito! Depois avisa quando queres sair, 'ta bem?

Alima manda várias sms no espaço de 48h



Alima 2012

- Hum... que chatice.  Se precisares de alguma, avisa. As melhoras.

Alima manda 6-8 sms no espaço de 48h



Alima 2016

- Ok. Acontece aos piores . Fica bem.

Alima manda 2 sms em 48h, e se vê que a pessoa não está propriamente afim, acaba por apaga-la do whatsapp, do facebook, da vida dela... 


domingo, 26 de junho de 2016

Entretanto na Alameda a assistir aos jogos da Selecção Nacional


SOMOS TODOS CAMPEÕES... perdão... COMILÕES!

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Novo Guilty Pleasure

Devorar videos do youtube com truques de maquilhagem...

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Desta Lisboa que tanto amo...

Locais favoritos para estudar, conversar e esplanadar


quarta-feira, 15 de junho de 2016

E agora que o ano académico está prestes a terminar... O rescaldo

Como é sabido, deixei de viver num país de Leste desde o ano passado e desde então vivo em Lisboa.
Tem sido um ano académico fenomenal, muitos altos e alguns baixos confesso, mas acima de tudo um ano extraordinário cheio de boas energias.

Graças às minhas novas vivências por terras lisboetas, tenho conhecido imensos locais fantásticos e especialmente conhecido pessoas que confesso que no futuro terei muitas saudades. Sim, porque faço parte de um grupo de pessoas originária de outros cantos de Portugal, gente que provavelmente não voltarei a ver tão amiúde. Felizmente haverá sempre as redes sociais para matarmos as saudades.

Os restantes colegas que iniciaram as suas aventuras da mesma forma que eu, digamos que as nossas ligações foram cimentadas pelas dificuldades que ultrapassamos e ajudamos a ultrapassar. Havia sempre alguém na linha da frente a dar conselhos e a incentivar os que estavam a ficar para trás. O importante é que somos todos vencedores, mesmo que a meta ainda esteja um bocadinho longe para uns.


Hoje tive o meu último exame oral enquanto aluna de Medicina. Dormi uma hora tal era o meu estado de nervos, estive umas quantas às voltas na cama. A coisa correu bem, não foi uma coisa à Dr. Vasco Leitão n'A Canção de Lisboa, mas correu bem. Fomos celebrar com um hamburguer e uma ida ao cinema. 

Já em casa, alguém disse-me que se calhar deveria ter comprado alguma coisa para mim para celebrar. E então recordei-me do meu primeiro Swatch aos 21 anos, comprado numa loja em Barcelona, que foi a minha primeira auto-prenda com o meu salário. Acabei por ir no dia seguinte gastar algum dinheiro nas lojas do Colombo. Coisinhas só para mim :)


O ano académico está acabar. A partir de Setembro começa-se a pensar no bendito exame de Especialidade que será feito no ano seguinte. A partir de Setembro, uns partirão para o Algarve, outros para a Alemanha, outros ficarão pela margem Sul, eu para o Norte...  e confesso que Setembro ainda não chegou, nem o Verão começou... e já sinto saudades...



domingo, 12 de junho de 2016

Um dia...

...celebrarás o Santo António nas ruelas típicas de Lisboa, com uns passinhos de dança, sardinhas e cerveja à pressão e ginjinhas com os melhores amigos que tenho por Braga...




                 
                  Hoje foi o dia

domingo, 29 de maio de 2016

Ainda sobre casamentos

Na semana passada, fiz as malas, rumei ao Norte para o casório de mais um primo.

A vontade era pouca, muito pouca mesmo, mas a minha mãe tem uma capacidade incrível para me convencer a ir mesmo ao casamento. 


As expectativas eram muiiiiito altas. Afinal estávamos a falar de um familiar que aparentemente está bem na vidinha e de uma noiva, filha única, que parece que também não se safa mal.

Talvez tenha ido ao casamento mais numa de tirar ideias para o meu futuro casamento. Família que se preze, gosta de fazer a coisa mais e melhor, assim numa de comparação.

E pronto: foi das festas com menos sal que tive que gramar. O espaço do copo-de-água, que deve ter custado uma fortuna, admito, era simples e nada por aí além.... assim nada de uauuuu.
A comidinha, muito fraquinha mesmo. Sou pessoa de bom garfo, adoro bacalhau e foi talvez o pior bacalhau que alguma vez provei. Sobremesas, a minha parte favorita, muito poucas! Poucas pessoas viram espetadas de polvo nos acepipes. Mas eu e muitas pessoas não chegamos a vê-las. 

A cerimónia decorreu numa simpática igreja, muito simples, nada de extraordinário, o coro estava OK... mas foi uma cerimónia que não me fez puxar à lágrima. Tudo muito frio!

Quanto às indumentárias, julguei que haveria mais riqueza nos trapinhos. Havia altas expectativas nas roupinhas de muitos convidados, gente que se considera a nata da indústria minhota. Uma tia minha jurou que gastou 400 euros na toilette, preço que até acredito que ela tenha gasto, mas que o vestidinho e aquele penteadinho á anos 80, lhe faziam parecer 30 anos mais velha. Aliás, quando a vi, ia jurar que era a mãe dela!  Tudo muito nhéeeeeee.

Eu e mi mammy não quisemos gastar dinheiro na indumentária. Optamos por reciclar vestidos do armário e penso que fizemos muito furor. Cometi o deslize de levar um vestido preto do meu baile de finalistas do meu primeiro curso de 2008, que pelos vistos é considerado inapropriado pela cor. Mas como respeito a máxima de que "com um vestido preto, nunca me comprometo" e com o "less is more" e com o "se uma mulher se veste mal, repara-se no vestido, se uma mulher se veste bem, repara-se na mulher", arrisquei com echarpe de cor alegre, sandálias prateadas e um penteado inspirado n'O grande Gatsby . Muitas outras pessoas estavam de preto de pés a cabeça. Isso sim, considero inapropriado, se não forem góticas. 

A minha tia, mãe do noivo, insistia que deveríamos ir bonitas mas nada de extraordinário. Segundo ela, nestas festas, só se repara na noiva, nas mães da noiva e nos padrinhos. Ora, eu a mãe do noivo e a madrinha do noivo já conhecia. O Hugo Boss do noivo, fui uma das pessoas que o ajudou a escolher numa coisa a "Say Yes to the Suit". A noiva só lhe tinha visto a tromba uma vez. A madrinha da noiva, só a vi de costas e apenas na igreja. A mãe da noiva, vi de costas, vi como aquele vestido estava-lhe MESMO apertado e no copo de água, vi-lhe boa parte do rabo e das coxas, porque notoriamente o forro do vestido transparente rasgou-se...

Ou seja, o medo de parecer mal numa festa destas, foi completamente destronado pela pobre apresentação dos convidados e pelo rabo da mãe da noiva. Mentalmente fui fazendo uma lista de quais eu ia ou não convidar. E mentalmente fui pensando noutros espaços. Porque o meu casamento será bem melhor! :)




Portanto, vamos esquecer o mote de que o casamento é uma festa para celebrar a união entre duas pessoas... A festa de casamento é a melhor festa para desfile de moda, para comer bem, dançar bem e apontar defeitos!!!! Ah sim... e Viva os Noivos, claro!

terça-feira, 24 de maio de 2016

Ainda sobre o Estado financiar os colégios privados...

Eu fiz o meu secundário num colégio privado mais numa de ter melhor média no secundário. Os meus pais pagaram na totalidade o valor da mensalidade. Colegas meus pagavam menos, ou melhor, eram totalmente isentos, tudo porque os paizinhos apresentavam salários muito reduzidos. No entanto, tinham tanto direito a lá estudar quanto eu.

Enquanto os meus pais se sacrificavam para que eu lá estudasse, esses mesmos colegas exibiam Nokias topo de gama (estavamos a falar em 2001-2004), trapinhos de marcas caras típicas de betos tipo River Woods ou Gant.
Uma dessas minhas colegas alugou um salão de um hotel para celebrar o seu 18º aniversário como se de um casamento se tratasse. Teve direito a bolo e a um Opel Corsa novinho em folha com um laçarote à porta do hotel. Eu não fiquei com inveja. Fiquei com raiva mesmo por aquela ostentação de arrotar grandeza mas que tinha direito a isenção do pagamento das benditas propinas.



Doze anos depois de ser aluna num colégio privado, surge a polémica. Muitas das escolas privadas/cooperativas de ensino no distrito de Braga vão perder o apoio do Estado. E no meu facebook chovem dezenas de posts de colegas e amigos revoltados com esta nova medida do governo. Eu não entendo ou faço que não entendo esta revolta. Uma cooperativa de Ensino de Braga que acolhe centenas de alunos do 5º ao 12º ano vindos de Braga, Famalicão e mais não sei onde, que se gaba de ter um ensino de excelência, em que os professores que lá leccionam não sofreram cortes salariais, que morrem ali, pois não há necessidade de concorrerem, está a cerca de 3KM de uma Escola Pública! Tal Escola pública está numa posição relativamente baixa em termos médias em exames nacionais.  Tal cooperativa é totalmente financiada pelo Estado! Sim, sim, ensino de excelência gratuito... Mas excelência porquê? Porque escolhem os alunos a dedo? Porque recebem imensos fundos do estado para comprar material, quando no 1º ciclo são as próprios alunos a financiar giz e fotocópias? Porque escolhem os professores a dedo?


Expliquem-me como se fosse muito parva, como é que em duas aldeolas vizinhas, uma com uma EB2/3 com péssima fama, logo com possíveis péssimos alunos e outra, mesmo ao lado com ensino de excelência exista tal discrepância? Aliás, alunos da aldeia da dita escola, deslocam-se os tais 3km para estudar na EB2/3 vizinha. Serão os professores do Ensino Público assim tão maus, considerando que as criancinhas nunca têm culpa de nada?

Expliquem-me como é que tais escolas têm autocarros que transportam alunos do centro da cidade para a periferia, onde se localiza a dita escola, quando há bastantes no  centro de Braga. Se é um ensino de excelência e gratuito (!!!), porque é que todos os alunos de Braga não são admitidos lá?


Eu aplaudi de pé esta nova medida do governo. Leio em muitos posts no facebook o "mas, mas, mas". Não pode haver "mas" nenhuns. Se querem ensino de excelência e privado, PAGUEM-NO. Pago os meus impostos para um Ensino Público de qualidade, mas recuso a pagar impostos para que filhos dos outros tenham direito a Ensino Privado ou Cooperativo só porque sim.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Cenas que me afligem...

Como contar à minha irmã, que vive far far away de Portugal, que a sua Porquinha da Índia favorita faleceu na semana passada???





A bichinha era uma coisinha inteligente que só ela. Tão inteligente como de comilona. Mas a velhice é lixada... Temos saudades tuas, Rute Marlene :'( 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Sei que tenho um humor negro

.... quando ri à brava com uma das piadas mais negras da última semana...


Afinal de contas, o Prince já não está entre NOS ALIVE...

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Sei que moro num bairro típico e seguro de Lisboa...

... no momento em que lá fora está um grupo de miúdos a jogar ao esconde-esconde, ao final da tarde, e a mãe de um deles, da varanda grita:


- OH SÓOOOOOOONIA! Anda comer!

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Dos casamentos

Cara D.,
Até não há muitos anos éramos boas amigas. Daquelas amigas a quem confidenciavamos tudo e mais alguma coisa, jantaradas, idas ao café todos os fins de semana etc etc etc

Fiz questão de te apresentar outras amigas minhas e vocês, na minha ausência de quatro anos fora do país, passaram a ser as melhores amigas de sempre. 
Nas minhas breves estadias em Portugal nesses quatro anos ficamos muito distantes, talvez porque tenhas arranjado namorado. Ok Ok, quem não aparece, esquece, compreendo.

No entanto, mesmo sabendo que odeio casamentos e mesmo sabendo que não iria, estava a espera de um convite para o teu casamento. Sim, eu sei, afastamos-nos imenso, mas sempre pensei que ainda fossemos amigas. As nossas amigas têm-me evitado sempre que as convido para tomar café, ou porque estão doentes, ou porque têm coisas marcadas.  Isto desde o Natal! Tenho um pressentimento que é para não desvendarem nada sobre ti. Porque teoricamente estou a leste do que se anda a passar... O problema é que através das redes sociais sei que elas providenciaram uma despedida de solteira e outras merdas...

Se fosses uma pessoa minimamente educada, ao menos convidas-me, desconvidando-me, porque sabes que te sou útil em muitas coisas e que posso levar a mal essa tua atitude. Nem isso fizeste. Que parva. 

O que mais me chateia no meio disto tudo é o facto da minha mãe perguntar sobre ti e eu minto-lhe dizendo que não sei de nada. Isto é o maior problema das redes sociais: saber do que se não quer.


Desejo-te felicidades e muita saúde para não me pedires favorzinhos no hospital, 

Alima

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Do Sr. Jeremias

O Sr Jeremias é um velhote que foi "adoptado" lá em casa há cerca de 16 anos.
Numa manhã outonal de caça, meteu conversa com o meu pai, gabou-lhe a perícia fantástica que o meu pai tinha para caçar tordos e lentamente começou a fazer grupo com o meu pai nos domingos de caça vindouros. Claro que era um grande benefício para o velhote, já que o meu pai dava-lhe uns quantos torditos.

Poveiro de coração, esteve na guerra de Ultramar na Guiné-Bissau e de lá não saiu bem. Não saiu bem nem fisicamente e muito menos psicologicamente. Pelos vistos, uma granada praticamente matou-o. Praticamente matou a ele e a dois ou três camaradas que sobreviveram, mas matou os restantes que iam na carrinha.
Além das próteses aqui e ali e de uma surdez, o rebentamento da granada fustigou-o por dentro. Dava-lhe a macacoa duas vezes por ano: uma na primavera e outra no outono. Bebia até cair, fazia mil e um disparates, pegava na espingarda e dava tiros para o ar. Um dia, pegou numa marreta e destruiu o carro todo. Foi preso por desacato e graças à intervenção do meu pai, a coisa podia ter ficamos mais feia para o lado dele.
O meu pai, também militar, um dia definiu-me aquilo como Stress Pós-Guerra, termo que aprendi mais tarde nas minhas andanças pela psiquiatria.

O sr Jeremias era um homem que fez de tudo um pouco: foi taxista, carpinteiro, padeiro, electricista, jardineiro, peixeiro. Tornou-se o jardineiro lá de casa. E queria exclusividade nisso. Um dia, ofereci uma magnólia de flor branca à minha mãe (a minha favorita) que plantamos no jardim. O homem só descansou quando conseguiu matar a planta com kilos  de sal que lançava à socapa.
O homem ficou zangado comigo quando me apercebi que deitava veneno de ratos nos muros do jardim para matar os pássaros. Depois de ter ligado ao meu pai, que na altura trabalhava em Lisboa, a contar o sucedido, peguei numa vassoura e numa pá, e só descansei até ter retirado qualquer vestígio de veneno no jardim.

Os meus cães (Yorkshire Terrier) fugiam de medo do sr. Jeremias. Mal o viam, escondiam-se o máximo possível. Claro que foi um sinal de alerta de que possivelmente ele fazia mal aos bichinhos. E foi preciso uma chamada de atenção séria para que ele não voltasse a importunar os cães.


Apesar de todos os defeitos, todos tínhamos o Sr. Jeremias em grande estima...


... até ao dia em que o meu pai ficou doente.

... E o homem nem se aproximava de nós. Um dia perguntei-lhe porque a sua atitude e ele teve o descaramento de me dizer que não se queria aproximar de um doente oncológico porque tinha medo que  ficasse contagiado, ou que a quimioterapia emitisse radiações...

Já depois do meu pai ter falecido, teve o descaramento de dizer à minha mãe de que nós agora não somos ninguém. Deixou o nosso jardim, deixou de nos falar. Passamos a ser estranhos.

Cortamos praticamente relações com o velhote. Ficamos-nos pelo Bom dia e Boa tarde a que ele muitas vezes não respondia. Via-o muitas vezes porque tornou-se jardineiro da casa do lado.

Coincidência das coincidências, soube no dia em que fez dez anos que o meu pai faleceu que o velhote está há dois meses internado no hospital por um AVC. Estranhamente muitas vezes nos perguntávamos que não o víamos há algum tempito.

Devo-o ir visitar ao hospital?


Coisas que me irritam

Saber que há pessoas desequilibradas que falam mal de mim com os dentes todos e mesmo assim as minhas orelhas nunca ficaram a arder...

terça-feira, 12 de abril de 2016

10 anos!

Há dez anos atrás, estávamos na Semana Santa e Braga estava toda aprumada.
Há dez anos atrás, estava de coração nas mãos à espera daquela notícia inevitável e indesejada: "Apagou-se há bocadinho".

Há dez anos atrás, perdi toda a fé que tinha, assim como perdi qualquer respeito pela igreja católica, no momento em que recusaram realizar um funeral religioso só porque era uma sexta feira Santa.

Há dez anos atrás, perdi a minha melhor amiga no dia em que o meu melhor amigo faleceu.

Há dez anos atrás, o meu melhor amigo era o meu pai. E de há dez anos para cá, todos os dias penso nele e no quão a nossa vida seria diferente se ele ainda estivesse aqui...


E é tudo o que tenho para dizer sobre o dia de hoje...

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Coisas que me afligem

Gente louca a colocar os seus vídeos loucos no youtube, acompanhados de pessoas um bocado menos loucas e que não faziam ideia que estavam a ser filmados



terça-feira, 15 de março de 2016

Dos autocarros da Carris

Gostaria de perceber aquelas pessoas que no autocarro, optam por se sentar no banco, não ao lado da janela, mas no outro banco, e fazem cara de frete quando dizemos que queremos sentar ao lado delas e elas a todo o custo lá se levantam para nos deixar passar...



Alima

segunda-feira, 7 de março de 2016

Vícios para Primavera/Verão...

Esta marca

Nada de sabrinas... só com salto!


Em duas semanas adicionei à colecção quatro pares diferentes... 

terça-feira, 1 de março de 2016

Carta à pessoa que socorreu a minha mãe mas depois arrependeu-se

Na segunda-feira de Carnaval, a minha mãe resolveu fazer uma visitinha às urgências do hospital, porque resolveu escorregar num Centro Comercial lá da cidade. Após a queda, foi socorrida por uma das lojistas do espaço comercial que chamou o INEM, etc etc etc...

A minha mãe partiu o braço direito. Está de baixa em casa, com humor ainda mais insuportável que o costume. Está dependente de terceiros para certas actividades tipo vestir, higiene, comer etc etc etc. Este triste episódio afectou as minhas férias, as férias da minha mãe e toda a dinâmica familiar... O tempo de recuperação é incerto, vai no bom caminho mas ainda o caminho é longo. 

Tivemos que fazer uma participação ao seguro do centro comercial. Necessitávamos de testemunhas para o formulário. A primeira pessoa que contactei foi a lojista. Resposta dela:

- Menina, peço desculpa mas eu não quero servir de testemunha. Sabe como é, eu não gosto de tribunais nem dessas coisas. Olhe, eu fiz mais que a minha obrigação até! Eu até gastei saldo do meu telemóvel para contactar o INEM





"Minha cara senhora, socorrer alguém não é uma obrigação, mas sim um DEVER CÍVICO. Naquele dia foi a minha mãe, amanhã pode ser a senhora ou algum seu familiar. 

A sua resposta fez-me lembrar aquele triste episódio que aconteceu na Grécia no Verão em que ninguém socorreu uma vítima de um enfarte de miocárdio só para não sair da fila da caixa de multibanco. O homem acabou por falecer, ali, sem qualquer ajuda. As pessoas estão cada vez mais mesquinhas, mais individualistas, e depois queixam-se que ninguém quer ajudar ninguém. 
O seu nome e o seu contacto no bendito formulário era uma simples e mera formalidade. Não era necessário mas aconselhado. Imagine se eu precisava mesmo mesmo mesmo dos seus dados? Felizmente outros lojistas presenciaram e deram-me os dados que necessitava. Afinal ainda há gente prestável neste mundo...
Podia estar a chamar-lhe todos os nomes possíveis e imaginários pela sua atitude, mas não o faço. Fui educada por aquela senhora que você socorreu, que deu para ver que não era uma simploriazinha qualquer. Eu educadamente agradeci pela sua resposta, esboçando um sorrisinho. Claro que esse sorrisinho que esbocei foi de educação, porque cá dentro estava-lhe a mandar para o c****lho.  Não lhe desejo mal algum, nem a si, nem aos seus. O centro comercial onde tem a sua lojita de malas de fraca qualidade e afins é um centro comercial deserto, escuro e assombrado, conta-se pelos dedos o número de pessoas que lá entram diariamente, e como a minha mãe disse, se não estivesse a chover, não teria entrado nele e nem teria caído. Nem mais: uma parte da boa gente da cidade, entra no centro comercial em questão para fugir à chuva, servindo de atalho para outra rua! Portanto, deduzo que o saldo que gastou para ligar para o INEM e a bateria do seu telemóvel seja realmente muito importante para a sua economia, porque aposto que o lucro deve ser muito pouquinho. 

Patética a sua resposta. Muito patética.


Atenciosamente,
a filha de uma vítima de uma queda aparatosa num centro comercial "

Alguém pode avisar esta criatura que o 112 é um número gratuito?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Das maravilhas do OLX

... comprar a preço de um Happy Meal dois CD's do Chico Buarque e um CD duplo do Frank Sinatra.

Segurem-se carros da estrada, porque vão ouvir Chico Buarque e Frank Sinatra quer queiram, quer não.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Dos animais de estimação...

Há muitos anos atrás, era eu uma adolescente, uma amiga da escola convidou-me para jantar em sua casa. Estávamos todos à mesa (eu, ela, a irmã dela e os pais), quando o seu cãozinho de estimação sem mais nem menos salta para o colo de alguém e do colo de alguém salta para cima da mesa.
Ninguém tirou o animal de cima da mesa. As pessoas comiam, o cãozinho aproximava-se do prato delas, farejava, tentava comer qualquer coisinha e tal.

Fiquei tão chocada e tão enojada que optei por não comer nada depois daquele espectáculo. A mãe da minha amiga perguntou-me porque não queria comer mais e educadamente disse-lhe que o que tinha comido anteriormente era suficiente.

- Oh Alima, é o cão que te está arreliar só porque está em cima da mesa?- perguntou-me a mãe da minha amiga
- Não, nada disso.

menti.

- O cãozinho é limpinho, não faz mal nenhum.- disse-me a mãe da minha amiga.

Passado um bocado, estávamos na sala de estar e o bicho estava perto das minhas pernas a lamber os seus genitais, limpinho que só ele. E depois, salta para o sofá, onde as minhas amigas enchia-o de beijinho na boca...

QUE NOJO!

Eu tenho cães desde os meus 14 anos. Sempre foram educados para dormir fora de casa, na casotinha deles. Com sorte, em dias de frio, dormem na cozinha, num tapete/cama improvisado, junto à lareira. Muitas vezes dão-se ao luxo se saltar para o sofá, sendo depois repreendidos pela minha mãe.
Um dos meus cães, o Nico, conseguiu uma vez subir até ao andar dos quartos e resolveu saltar para a cama, onde tentou fazer ninho. Quando foi apanhado em flagrante, o bicho virou-se de patinhas para o ar a pedir clemência, pois sabia que tinha feito asneira. A minha mãe, depois de um castigo ao bichinho, teve o castigo de lavar a roupa da cama.

Nunca roeram sapatos. De vez em quando roíam o rolo de papel higiénico do WC. Nunca destruíram qualquer peça de roupa, com a excepção de meias. Os meus cães são destruidores maciços de meias. E caçadores de pássaros e de toupeiras.
Não são os melhores cães do mundo, mas para mim são perfeitos.

E não é porque não dormem comigo, que não permita que saltem para a mesa onde estou a comer ou porque não lhes dou beijos no focinho que goste menos deles que as minhas amigas e o rafeiro delas.   

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Das telenovelas...

Na semana passada terminou uma das minhas telenovelas favoritas que estava a passar num canal brasileiro, daqueles pagos.

Segui-a atentamente pelo youtube, porque alguma boa alma brazuca a postava para aqueles que não tinham acesso a esse canal. Talvez deva ser a única portuguesa a seguir os episódios no youtube.

Vi-a em pequena, porque passava na RTP1 em 1994, voltei a ver no extinto canal GNT em 2001 sensivelmente e acompanhei pelo youtube em 2015/2016.

Assisti maravilhada com as actuações de actores falecidos, embora sempre recordados com carinho como José Wiker, de actores que estão vivinhos da Silva e que são verdadeiros camaleões da dramatologia brasileira como Susana Vieira ou o grande Lima Duarte

Sinto um vazio enorme. Uma espécie de desejo de que deveria ter tido uma continuação. Afinal de contas de ano para ano a qualidade das telenovelas tem diminuído bastante e fica sempre uma nostalgia de uma boa história.


Venha a próxima telenovela antiga!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Porque é que as empresas portuguesas muitas vezes não tocam para a frente...

Na semana passada comprei um relógio Eletta Vilamoura completamente novo, juntamente com as suas cinco braceletes totalmente novas, a preço de um relógio dos mais foleiros da Swatch. Tal façanha deveu-se ao OLX, site que pesquiso diariamente e que até à data não me deixou ficar mal. 

Uma vez que o relógio não tinha pilha e uma vez que as braceletes estavam das dimensões de um pulso de um gigante, fui a um relojoeiro para saber orçamento para colocação de pilha + apertar as cinco braceletes (sim, eu sou pessoa de pedir orçamentos em tudo o que faço!). 

Fui então a um relojoeiro, na zona da Baixa, cujo tipo de loja, daquelas antigas e com tudo em madeira, parecia que nunca viu uma segunda demão de tinta em... 100 anos talvez...

Pedi então um orçamento. Expliquei que o tinha comprado em segunda mão, logo não tinha como recorrer à relojoaria onde foi comprado.  O homem avaliou o relógio, deu-me os parabéns por ter feito grande negócio, já que comprar relógios em segunda mão é coisa arriscada e dá-me um orçamento de 25 euros para apertar quatro braceletes (uma ele apertava de graça) + mudança de pilha. Imediatamente recusei tal preço, uma vez que eu dei pouco mais por isso pelo relógio e que iria saber orçamentos noutros sítios. 

Ao sair do metro, ao passar naquelas típicas lojinhas onde vendem de tudo, entrei numa das lojas em que vendia relógios achinesados entre outras coisas achinesadas e perguntei o preço da mudança de pilha e para apertar as braceletes. O senhor que estava ao balcão, pelo mesmo trabalho do relojoeiro dá-me o orçamento de 5 euros. E pronto, negócio fechado. Nem procurei terceiro orçamento.
Enquanto ele apertava as braceletes e punha o relógio, ele lá me disse que era do Sri Lanka, que sentia saudades da família no Sri Lanka, que vive em Portugal há dois anos e que agradece ao governo a oportunidade de viver cá, disse-me que é o país da Europa onde é mais fácil conseguir os papeis para viver e trabalhar cá e pronto... poderia ter dado oportunidade de um relojoeiro português com a sua loja na Baixa e com uma história na relojoaria portuguesa de tocar no meu lindo e precioso relógio e acabei por dar a ganhar a um Cingalês* com loja no metro.  É a vida...


*Habitante do Sri Lanka: cingalês, cingalá, chingalá, ceilonense, singalês, singala, singalense, singalibense (Wikipédia) 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Sei que há bons lisboetas nesta Lisboa

Quando uma velhota entra numa pastelaria na zona do Rato, pede ao empregado para se sentar um bocadinho numa cadeira porque estava cansada, o empregado além de a deixar sentar-se num sofá junto à vitrine, traz-lhe um copo de água e o telefone fixo para que ela fizesse uma chamada para não sei quem. Depois disso, a velhota depois de um agradecimento, lá foi à sua vida. 

Um bem haja ao rapaz da pastelaria, cujo nome não vou dizer porque o patrão pode não achar grande piada a tanta bondade, mas cuja prestação e carinho do seu funcionário merecia umas 5 estrelas no tripadvisor . Um grande bem haja. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Da alimentação infantil

Estava eu a descer as escadas do prédio cá em Lisboa, quando uma das minhas vizinhas abriu a porta quando eu estava a passar pela porta dela.
- Menina, posso lhe pedir um favor? A menina não me conhece nem eu conheço a menina, mas como é vizinha, espero que não se importa de me dar uma ajudinha.

- Sim, o que precisa?- perguntei.
- Eu estou sozinha com o meu bebé e precisava de fórmula da farmácia. Não queria sair com ele porque preciso de ajuda para carregar o carrinho até à saída (o prédio não tem elevador).  O meu marido chega só à noite com uma lata mas o bebé tem fome e eu precisava de uma lata já.

- Com certeza, eu vou à farmácia e compro-lhe isso. Diga-me só que lata compro.

Chego à farmácia, onde estavam uns quatro velhotes, três deles sentados num banquinho a conversar. Aproximei-me do balcão e pedi o que pretendia. A velha que estava próximo de mim,  encostada ao balcão exclama, com nuance de regateira, que mais parecia vendedora no Bolhão do que residente em Lisboa:

- Leite em pó para bebés?! Que coisa mais ridícula! Eu quando tive os meus três filhos nem mama nem leite em pó! Era mesmo leite da leitaria desde que nasceram! Leite da leitaria! E nenhum deles morreu! Era só o que faltava... leite em pó!!!! ahahahaha

- Que sorte que a senhora teve! Até parece que estava à espera que um deles morresse! Que sorte! - digo, despedindo-me dos espectadores com um boa tarde e a tentar sair dali o mais rápido possível.

Gente estúpida... gentinha estúpida...

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Na semana passada faleceu mais um tio-avô

Quando penso no velho tio Herculano, não penso nele como o velhinho que arrastava os pés na sua marcha parkinsonica, nem no velhinho desacordado, todo cheio de fios que vi naquela cama de hospital no fim-de-semana antes da sua morte. Gosto de pensar no tio Herculano, sem ser o velho tio Herculano.
O tio Herculano em moço emigrou para o Brasil. Nos pouquíssimos meses que lá ficou, trouxe com ele um sotaque brasileiro que nunca mais largou, cara.
Era um senhor que vivia numa aldeia na zona agreste da Freita, mas era um senhor que não prescindia de duas coisas: da televisão, que vivia na sua fria e desconfortável sala e dos seus cigarritos. Aliás, a primeira vez que vi cigarros de enrolar, foi na mão dele. Um dia mostrou-me a sua maquineta de enrolar cigarros, que parecia uma guilhotinazita e eu segui atentamente todo o processo de enrolar cigarros, admirando a sua perícia. Sem querer, sempre que vejo alguém com essas máquinas, associo sempre ao tio Herculano, e ao ritual todo que me deixou admirada, tinha eu seis anos de idade. 

Não me lembro de ver aquela criatura a executar qualquer tarefa em casa... Nem a plantar batatas, nem a levar o gado para o monte, nem a fazer o quer que fosse... só me lembro dele a ver televisão. Ah... e tenho um flash de vê-lo empoleirado no telhado da minha casa a acertar a ardósia, que serve de pedra-telhado... isto porque já não havia gente competente a montar telhados de ardósia...

Quando a sua filha mais nova ainda vivia com ele, isto é quando era ainda cachopa solteira, visitar os meus avós paternos significava sempre uma visitinha à prima Bernardete. Nas muitas idas até à casa deles, aprendi com eles a jogar às cartas. Guerra, Burro e Orelha eram os jogos que mais gostava de jogar com eles, por serem elementares para a miúda pequena que eu era.

Mas se havia altura em que gostava mesmo mesmo mesmo de visitar o tio Herculano, era durante o mês de Agosto, isto porque os seus filhos emigrantes em França voltavam à terrinha e traziam com eles várias qualidades de rebuçados espanhois. Muitas vezes acompanhava-os até ao café da aldeia mais próxima e deixavam-me escolher os Magnums, gelados tabu na época lá em casa por serem dos mais caros. 

O tio Herculano falou-me pela primeira vez da bandeira espanhola, tinha eu seis-sete anos. Isto porque eu tinha umas sapatilhas da loja dos trezentos de cor amarela e vermelha.  Eu na altura só conhecia a bandeira portuguesa por ser aquela que estava empoleirada nos edifícios estatais.Ele disse-me "Tens umas sapatilhas com a bandeira espanhola!" Eu tirei uma das sapatilhas e constatei que na parte interna estava escrito "Made in China". O homem disse com um toquezinho de irritação: "Malditos chineses que agora fazem tudo... até sapatilhas com a bandeira de espanha! Qualquer dia eles vêm para ocupar a Europa toda". Tal profecia começou a concretizar-se alguns anos depois. 

O tio Herculano ficou velhote. Sempre que ia à aldeia, passava sempre lá para dar um olá. Apesar da sua demênciazita, lá me reconhecia quando eu me apresentava como a neta da "velha da Carreira", sua irmã. E lá dava uma gargalhadazita para disfarçar o seu embaraço quando lhe custava identificar-me... mas depois lembrava-se de mim como a "sobrinha doutora".

Soube que ele foi hospitalizado pela altura do Reis. Disse à minha mãe que fazia questão em ir despedir-me dele. Naquela enfermaria no serviço de medicina, estava ele e mais três pessoas como ele: pessoas à espera de serem chamados. O velhote entubado era claramente ele. Mais inchado, mais cheio de curativos e mais cheio de tubos por todos os lados. Estava de olhos fechados e com uma respiração débil. Acerquei-me dele e apresentei-me como a neta da Carreira ao que ele aparentemente estremeceu. Pus o meu indicador debaixo da mão dele, à espera que ele apertasse a minha mão. E ele tenuemente apertou .

O tio Herculano morreu. Morreu mais uma personagem que tinha da minha infância que eu tinha grande carinho. Afinal todas as máquinas de enrolar cigarros  serão sempre as máquinas "como tinha o tio Herculano" e o jogos de cartas serão sempre associadas à punição do tio Herculano sob as minhas orelhas. Morreu também um profeta das coisas chinesas e o homem da gargalhada quando me identificava pela neta da Carreira...

sábado, 23 de janeiro de 2016

Ainda sobre filmes portugueses...

... já vi alguns no cinema, mas ainda está para vir aquele que realmente eu diga "Sim, valeu a pena ter gasto dinheiro neste". Saio de lá sempre decepcionada com a pornolalia da coisa e o humor barato.




Porque a "Gaiola Dourada" é um filme de actores portugueses com produção francesa, logo não conta.
Na lista de filmes portugueses que não lamentei o dinheiro gasto inclui-se "Os gatos não têm vertigens", claro. 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Dos filmes

Sabem aquele filme que querem tanto ver, aquele filme que gostava de ver no cinema, mas que  não se chegou a concretizar por não haver companhia, aquele filme que não se consegue encontrar na net em métodos mais... ilegais..., aquele filme em que finalmente se arranja um tempo para ver e ACABA POR NÃO O VER TODO POR O ACHAR UMA VALENTE M*RDA?



Foi o que me aconteceu com o novo Pátio das Cantigas

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Sobre os exames do semestre...

... Tanta coisa para estudar...


               ... e tanta pouca vontade de o fazer...

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Querido J.,

Somos amigos de quase uma década, do teu melhor amigo ser casado com a minha melhor amiga, de nos encontrarmos pontualmente na casa deles onde passamos juntos um bom bocado, e que continuamos a dois esse bom bocado, depois de nos meterem porta fora, porque a filha deles quer dormir, sempre tive um grande respeito e grande carinho por ti.

És o meu grande companheiro de noites no cinema, de esplanadas no Verão, de picniques e de idas à praia. 

A tua atitude no final e no começo do ano para comigo, foi muito mais que cavalheiresca, aliás, muitos príncipes dos contos de fadas deveriam aprender contigo.
Aliás, sempre pensei que este tipo de atitudes só acontecem a outras pessoas... nunca pensei que um dia aconteceria a mim.


Fiquei comovida. Fiquei mesmo comovida. Só não te abracei porque sei que odeias ser tocado.

Alima

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Coisas me irritam... mas me irritam mesmo...

Andava eu pelo centro da cidade com a minha mãe, quando encontramos uma amiga dela dos tempos da juventude, com um ar extremamente abatido.

Quando a minha mãe lhe perguntou o que se passava, a senhora pôs-se a desbobinar o estado em que se encontrava o seu marido por causa de uma neo do esófago, que lhe impede totalmente de ingerir alimentos pela boca (coisa bem séria).
"Bla bla bla cirurgia, mas antes quimio mas os médicos ainda não decidiram se uma coisa ou outra primeiro bla bla bla"- disse a senhora.

A minha mãe vira-se para mim e pergunta mesmo em frente à amiga, que me olhava expectante:

- Então Alima, que achas disto? Deveria começar pela quimio ou pela cirurgia?

Minha querida mãe, mas onde é que tinhas a cabeça para me fazeres uma pergunta desta em frente à tua amiga? Se digo uma coisa e acontece outra é porque eu não sei nada, se digo uma coisa e acontece aquilo que previ, sou genial. 
Como ousas perguntar-me tal coisa sabendo que nunca vi o senhor, nem vi nenhum papel sobre ele? Sou bruxa, por acaso?
Como me pedes que dê uma opinião de uma coisa tão grave, em que tenho quase a certeza que o marido dela está praticamente condenado??? Vou dizer tal verdade à tua amiga?

Para dar uma resposta à senhora, inspirei-me naquelas fulanas do Tarot que dá na televisão de manhã: dizer tretas a ver se cola. Respondi timidamente que provavelmente ele teria um longo caminho pela frente para a sua recuperação, lamentando o facto de eu desconhecer os resultados de qualquer exame a que ele tivesse sido submetido.
 Dei uma resposta extremamente evasiva sobre a opinião médica mas que de certeza eles vão decidir pelo melhor. E como estamos em Braga, perto daquelas igrejas e capelinhas todas, e como em Braga, que não tiver fé, não é filho de boa gente, sugeri-lhe ir rezar ao S.Judas Tadeu, advogado dos casos complicados. Mal não fará, não é?

A senhora esboçou um sorriso. Não sei se foi um sorriso de "obrigada" se foi um sorriso educado do tipo "olha-me esta a dizer tretas a ver se colam".

Quando nos afastamos, claro que a minha mãe ouviu valente raspanço da minha parte. Como é que ela se atreve???

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Coisas que deveriam ser proibidas de comer pós-festas Natalícias...

... As bolas de Berlim do Natário... 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

E agora que 2016 começa...

Fazendo uma retrospectiva de 2015, penso que foi um ano fantástico... Quer dizer, provavelmente por causa deste ambiente de euforia, eu só consigo recordar-me das coisas boas. E que coisas boas!!!

Em 2015, visitei e revisitei algumas cidades das quais eu tenho um grande carinho: Budapeste, Cracóvia e Praga. Estive na Roménia durante uma semana. Mergulhei nas águas quentes do Mar Negro e no Atlântico gelado das praias da Póvoa de Varzim.
Foi-me feita uma entrevista para acesso numa das mais importantes faculdades de Medicina, entrevista essa temida por toda a gente, mas graças ao meu à vontade e à minha sinceridade e ao meu espírito de improviso, tive uma mais que excelente classificação. 
Despedi-me pela última vez da cidade algures nos confins do Leste Europeu, que me acolheu nos últimos quatro anos. A despedida não foi dura, mas confesso que sofrerei de alguma nostalgia de pequenas coisas de lá. Lisboa foi a cidade que me adoptou para acabar o curso e penso que a adaptação não poderia ter sido melhor.  Procurei casa e apaixonei-me pela primeira e única que vi em Lisboa.
Conheci novas pessoas. Ganhei amigos e perdi amigos também. Mais uma vez despedi-me de pessoas que por razões geográficas não voltarei a ver novamente. 
Vibrei com a formatura de um dos meus melhores amigos. 
Fiz o percurso dos emblemáticos Passadiços do Paiva, e se tudo correr bem, 2016 será  para repetir a dose. 
Vibrei com uma espécie de Justiça Divina, sob uma pessoa que tão bem a merecia. Entristeci com o castigo divino que sofreram duas amigas minhas: uma porque o bebé não chegou a nascer vivo, a outra porque ao seu bebé de poucos meses, foi-lhe diagnosticado uma leucemia. 

Em 2015 foi o ano em que perdi o meu cão, morto de velhice. Sinto-me feliz em saber que salvei aquele ser dos maus tratos e que teve uma morte digna e pacífica, muitos anos mais tarde. 

Sim, 2015 foi recheado de coisas muito boas... Espero que 2016 seja tão bom e se possível melhor que o anterior.


Um excelente 2016!