sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Sei que tenho uma família da treta

No dia em que a minha avó fez 95 anos, ninguém, mas ninguém se prontificou a tirar a velhota do lar, para lhe proporcionar um dia diferente... tipo... leva-la a visitar a casa onde sempre viveu...(Isto no mês de Agosto, altura em que os dias são grandes e agradáveis).

 No dia do aniversário da minha avó, eu e a minha irmã estávamos noutra ponta da Europa, o que impossibilitou a minha mãe de agir. A minha avó está de cadeira de rodas, e não é fácil uma pessoa sozinha carrega-la escadas acima.


Mas como ninguém, mas ninguém quer passar o Natal em sua casa e arcar com toda a dinâmica desta época festiva, e ninguém quer gramar com os demais irmãos e cunhados, sobrinhos e a minha avó dentro das suas casas (porque ela está muito debilitada e chatinha, vá), todos querem festejar o Natal na casa da minha avó, tirando-a do quentinho do lar, obrigando-a a percorrer 40km num dia que será curto e muito provavelmente frio,  mesmo sabendo que a casa tem demasiadas correntes de ar, demasiadas escadas e demasiado desconforto, visto que é uma casa desabitada há alguns anitos. E até à data ninguém se prontificou a levá-la até casa nesse dia (portanto, quase de certeza que vai sobrar para mim, o que até não me importo, mas também ainda não sei como vou transportar uma  nonagenária que enjoa forte e feio no carro pelas estradas do Gerês e como vou subir os degraus da casa dela com essa mesma nonagenária que está numa cadeira de rodas).

A minha mãe, por telefone já começou a reportar-me a azafama ainda a duas semanas do Natal. Já me falou no bacalhau, na massa da aletria e já me pediu que levasse pão alentejano para não sei o quê. Já a avisei que ela tem o direito e o dever de fazer tanto como os outros (ou seja, fazer quase nada ou nada), mas ela ainda não entendeu ainda que o meu objectivo principal (e o da minha irmã também) é ficarmos até bem tarde encostadas algures na Rua do Souto a beber moscatel e a comer banana e a celebrar o Natal com aqueles de quem gostamos porque fizeram algo para merecer e não porque são nossa família: os nossos amigos.


Alima

PS. Não estou a ser implicativa. Já há muitos anos que detesto esta quadra festiva.  Estou a sofrer já por antecipação, porque afinal desde que me lembro das noites de consoada é sempre muda o disco e toca o mesmo...








2 impressões:

Anónimo disse...

Como eu te entendo:)))

Sei bem do que falas, chateia-me a organização do natal

AC

S* disse...

Pois eu acho que deves ser a diferença que desejas ver nos outros. Se os outros são uns egoístas, PEGA NA TUA AVÓ e dá-lhe amor. :)

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