terça-feira, 6 de outubro de 2015

A ti, cara pessoa que agora é-me estranha

Afinal de contas, qual é a probabilidade de nos cruzarmos a 120km da nossa  cidade, num lugar que é meu e que fiz tudo por tudo que fosse teu também?

Qual é a probabilidade de nos cruzarmos a escassos metros de uma casa, que é minha, casa essa onde já fomos muito felizes?

Qual é a probabilidade de nos cruzarmos num lugar que eu te mostrei, lugar que não conhecerias, se eu não te mostrasse e não te contasse as histórias?

Foste mostrar a minha serra a outra pessoa. De certeza que lhe contaste as histórias que alguém te tinha contado (eu), como se fosses um sábio.

Gostaria de saber o que terás sentido, quando tivemos os dois que parar naquela serra para que os carros se cruzassem sem partir um espelho do outro (a estrada é péssima, eu sei, mas a paisagem vale por si)...  Não digas que não sabias que era eu... o meu carro, a cor dele e até a matrícula são inconfundíveis...

Gostaria de saber se terás pensado em mim, filha e neta daquela serra, se pensaste por breves segundos nos bons momentos que passamos naquele lugar. Gostaria de saber se também terias partilhado esse possível pensamento com a mulher que ia ao teu lado no caro.

Gostaria de saber se terás pensado no quanto tu perdeste no dia em que me senti verdadeiramente rejeitada...

Honestamente fiquei a matutar nisso nos 120km que me levariam daquela serra à nossa cidade. Se nos cruzássemos num bar da cidade ou no shopping... ok... mas não... fomos-nos cruzar ali!

Matutei nisso com um sentido de choque e com sentido de humor também... 
... Porque afinal posso ter muitos defeitos, mas foste para um lugar que te faz obrigatoriamente recordar de mim... e onde já foste feliz...


Alima

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