sábado, 2 de maio de 2015

Das colecções de miúda

Desde miúda que gosto de coleccionar coisas. 

Julgo que a primeira colecção que comecei a fazer foram os livros da Anita. Não tenho todos os livros desta colecção, mas tenho mais de uma dezena talvez. E tudo se devia às idas raríssimas dos meus pais ao antigo Feira-Nova: sempre que ia com eles, deixavam-me escolher um livro da Anita (já agora, onde é que eles faziam compras se era mesmo raro ir ao hipermercado?)

Depois, já na primária completei uma caderneta e deixei quase duas completas das colecções que saíam na bollycao: duas sobre raças de cães e outra sobre animais em extinção. E meus amigos, acho que foi das colecções que me deram mais gozo completar porque envolvia animais, curiosidades sobre eles. Se vou percebendo alguma coisa de raças de cães, devo agradecer à bollycao
Não, eu não comi tantos bollycaos quanto isso. Comi alguns, admito, mas os maiores traficantes de cromos eram sem dúvida os meus pais: a minha mãe trocava cromos com os alunos dela e o meu pai pedia aos amigos e ao barista lá do trabalho para guardar os cromos para mim. 
E que festa eu fiz quando consegui completar a primeira colecção!!!


Tenho esta caderneta completa! (imagem da net)


Recordo-me também que no mini-mercado do bairro vendia-se também umas chicletes espanholas com um sabor e textura duvidosos, que saiam autocolantes. Havia dois tipos: umas chicletes para rapazes em que saíam fotografias de motos e para raparigas autocolantes com fotografias da Barbie e os seus diferentes vestidos. E claro que eu era uma adepta da Barbie...

Na caderneta, estava explícito que se completasse a colecção toda que poderíamos ganhar um computador (estávamos em 1995, quem tinha um computador em casa???) o que aguçava a nossa insistência a terminar a colecção o mais cedo possível. 
Essa colecção também não a terminei, porque havia cromos que eram impossíveis de arranjar. Muitas vezes, rezávamos uma Avé Maria antes de abrir o papel da chiclete para que saísse o cromo que nos faltava. Ninguém na escola ou no bairro tinha esses cromos, o que nos fazia pensar que eram raros e pouco tempo depois a frustração de não ter esses cromos levou-nos a desistência.


Aos anos que não via isto... eu tentei fazer esta colecção!!! (imagem da net)



Também me recordo que mais ao menos ao mesmo tempo os putos comiam batatas fritas como se não houvesse amanhã. Estávamos na Era dos Tazzos, onde se substituíram jogatinas de futebol e de berlinde por campeonatos de Tazzos no recreio. E mais uma vez agradeço ao meu pai e amigos dele pelas dezenas de tazzos que me arranjaram, fruto das suas tardes pós-trabalho a beber finos e a comer batatas fritas. 

Já em adolescente, como já disse neste blog, gostava de coleccionar revistar revistas da Bravo e Super-Pop e posters. Leonardo DiCaprio fez parte de muitos dos meus sonhos e devaneios e confesso que até à data ainda não me causou qualquer dissabor. 

Infelizmente, quando mudei de casa aos 15 anos, perdi grande parte destas colecções. Penso que só mantive as colecções da Bollycao e os livros da Anita que guardo ainda com muito carinho para gerações futuras...

São recordações de uma infância feliz que sei que muita boa gente partilha a mesma nostalgia comigo.

1 impressões:

Lia disse...

Leio o teu blog e imagino-te com uma idade, depois vejo posts como eu, e fico a pensar que se calhar não estamos assim tão distantes nesse numero!
Tudo porque eu me lembro super bem dessas duas coleções!

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