quinta-feira, 30 de abril de 2015

Caro C.,

Quando na mesa da esplanada disseste-me que já arranjaste alguém, esbocei um sorriso autêntico e desejei-te a maior sorte. Sabia que tal novidade aconteceria mais cedo ou mais tarde, apenas esperava saber quando.

Julgo que os nossos encontros de uma tarde deveriam acabar. Afinal, após a tua novidade, poucos assuntos surgiram à minha cabeça. Não podemos discutir relações, nem podemos fazer mais promessas um ao outro. E tampouco sinto-me à vontade de ir passar uma tarde contigo outra vez. Sentir-me-ia uma clandestina.


O farol, o nosso farol, iluminará os nossos diferentes caminhos de certeza.

Adeus... e já sabes, felicidades :)

sábado, 25 de abril de 2015

25 de Abril

Passaram-se 41 anos da revolução de 1974 e segundo conversas que tenho com pessoas mais velhas, os tempos e os valores sofreram também uma enorme reviravolta.

Uma vez perguntei aos meus pais onde andavam eles no dia 25 de Abril de 1974.

Pai:  O meu pai fazia 19 anos nesse mesmo dia. Era aluno da faculdade de Economia no Porto e segundo me explicou estava de ressaca naquela manhã em que se soube que algo se passava em Lisboa.
E apesar da ressaca monumental, ainda tentou ir às aulas, coisa que não aconteceu porque havia avisos de que as universidades estariam fechadas.
Voltou para a cama para curar-se e só a meio da tarde é que se juntou aos colegas nas manifestações na Avenida dos Aliados onde o grupo de amigos e de pessoas que nunca tinha visto lhe cantaram os Parabéns.
Segundo o meu pai, um dos maiores gozos que teve dessa época, foi mesmo o facto de poder ter um livro sobre o comunismo nas mãos sem qualquer medo...


Mãe: A minha mãe estava em casa dos pais dela numa aldeia minhota. Ainda era aluna do Liceu. O seu maior objectivo era casar-se cedo e bem.
O meu avô, na altura presidente da junta de freguesia, foi das primeiras pessoas a saber na aldeia de que havia uma revolução, palavra essa que era estranha na boca de alguém.
Segundo a minha mãe, toda a família que estava na aldeia fechou-se em casa por ser um local seguro. A televisão ficou ligada boa parte do tempo. Receava-se que algum comunista fizesse das suas. Receava-se até o Padre da freguesia por haver fortes suspeitas de pertencer à PIDE.
Seja como for, as velhas tias da minha avó passaram grande parte do tempo a rezarem, não por um Portugal melhor mas porque receavam que alguma tragédia se abatesse. Mas as preces não foram muito bem atendidas porque alguém pôs fogo num dos maiores campos dos meus avós, destruindo o cultivo e árvores adjacentes e um tractor que la estava parado.  A terra é de quem a trabalha, evocou alguém dias depois ao incêndio. Nunca se descobriu realmente o culpado.
Conseguiram chegar a uma espécie de armazém da família  onde se guardava as ferramentas para uso agrícola e roubaram o que era considerado de valor. Sem antes de pintarem o portão a palavra "Faixista". O mesmo aconteceu com outras famílias mais abastadas da zona.
Segundo a minha mãe, o maior prazer que começou a ter dessa época, foi a vidinha de esplanadas de cafés no centro da cidade (porque eram exclusivas aos homens ou a senhoras casadas) e o facto de poder fumar em público.


25 de Abril desde que me lembro sempre significou almoço de aniversário do meu pai, ou  num conhecidíssimo restaurante na Foz do Neiva ou um piquenique no Gerês ou então um almoço em Guimarães.

Foi no dia 24 de Abril, há 17 anos atrás, que o meu pai foi buscar ao stand um tipo de carro que sempre desejou: um jipe. E foi há 17 anos atrás que o meu pai levou a família a tomar café à noite às esplanadas do Bom Jesus. Se eu era canalha na altura, o meu pai parecia um puto tal o entusiasmo em conduzir uma besta daquelas.

Infelizmente o meu pai já não comemora mais aniversários e o jipe é conduzido ou por mim ou pela minha mãe... E provavelmente hoje terá direito a um carinho no volante...

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Eu é mais bolos...

T (que é gajo): - Fica sabendo, Alima, que serei o pasteleiro de serviço da festa de anos da M. Vou fazer uma especialidade minha...

Alima: - Hummmm o famoso cheesecake de oreos com Nutella que me andas a prometer?

T: - Essa também é uma das minhas especialidades... mas estava a pensar naqueles bolos coloridos... art cake... Sei que a M. gosta dos minions, portanto vou fazer um bolo de camadas coloridas em forma de minion.

Alima: - Se é realmente a tua especialidade, quero realmente provar uma vez que nunca comi desse tipo de bolos.

Festa de anos da M.

T. aproxima-se de mim e diz:

- Porra, Alima, dediquei 5 horas a fazer o bolo, gastei à vontade 50 euros no material e a cobertura ficou uma bosta.


Foto com bolo muito semelhante ao bolo do T. Muito semelhante mesmo.

Alima: - Oh.. mas tranquilo... mas deve estar saboroso... afinal 5 horas é muito tempo.

T.: Claro que deve estar saboroso! Eu pus pouquissimo açúcar porque a cobertura é doce como tudo.


Cantou-se os parabéns, partiu-se o bolo. A fatia consistia num bolo todo multicolorido. Mesmo giro. e que bom aspecto (tirando a cobertura manhosa, claro)

Enfiei o garfo e pareceu-me de textura dura. Optei por comer com as mãos porque o garfo não enfiava propriamente bem... Meto à boca um pedaço e comecei a saborear.

T: - Então Alima, que achas? Está bom?

Alima: - Oh T., a fatia está mesmo bonita. E está muito saboroso. Quero a receita!!!


Menti. A fatia apesar de bonita parecia broa de milho azul, verde, vermelha e amarela com manteiga com uma semana.  

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Verdades Verdadeiras

Esta semana não pode haver erros. O mínimo erro que possa cometer esta semana pode alterar o curso da minha vida. Para sempre.


Pareço nervosa, não pareço? pois...

sábado, 18 de abril de 2015

Factos sobre a Matemática

Aprendi em 12 anos de matemática a calcular derivadas, equações de 1º, 2º e 3º grau, cálculos integrais, a desenhar funções, a fazer cálculos baseados na trigonometria, raízes quadradas e cúbicas, probabilidades, teoremas de Pitágoras, igualdades de Euler  e outras merdas que já não me recordo...


... E NUNCA MAIS PRECISEI DISSO! 

Um muito obrigada a todos os professores de matemática que acham que ensinar tais coisas é ensinar para a vida (not). 



quarta-feira, 15 de abril de 2015

Coisas que me irritam

Quando familiares vêm ter comigo e dizem-me:

- Acho que estás no curso errado: 6 anos é muito tempo. 6 anos mais especialidade é tempo demasiado. O  J. (meu primo) é apenas um dentista a trabalhar em Inglaterra a ganhar milhares de libras e provavelmente nunca vais ganhar tanto quanto ele. Deverias ter ido para dentária, mas é!


Pois é, dear family, se tivesse metido nisto a pensar no dinheirinho que iria trazer ao final do mês, sei que estaria completamente arrasada.

No entanto, deixem-me que vos diga isto. Preferia de longe veterinária a dentária porque bocarras, brocas e cremalheiras? Não, obrigada.

sábado, 11 de abril de 2015

Skype com a mãe


Mãe: - A tua amiga F. disse-me ontem que estás de namorico com uma pessoa... Porque é que nunca me dizes nada, Alima?

Eu: - Mas o que é que há para falar? Eu estou lá de  namorico... Estamos na fase de nos entendermos, infelizmente só pelo Skype... Mas vou puxar as orelhas à F. por ela ser uma língua de trapos quando eu regressar a Portugal.

Mãe: - E quem é ele? Não me queres contar nada? Pormenorzinhos aqui para a sua mãe?

Eu: - Bem, conheci-o no café. Ele sentou-se na minha mesa porque eu estava sozinha, entretida a ler o jornal e porque as mesas do café estava cheias. E eu um bocado contrariada lá o deixei. Ele para me recompensar pagou-me o café. E depois pediu-me o número. E eu disse-lhe que lhe dava o skype porque se o gajo roçasse ao tarado era só e apenas bloquear. E até à data tem provado ser um gentleman. Tão gentleman que pouco depois trocamos de número de telefone e outros cafés até eu ter terminado as férias...

Mãe: E como é ele? Que ele faz?

Eu: - É Eng. na empresa X. Um bocado mais velho que eu... Assim uns seis anos... E vive sozinho na zona Y (que é chique a valer). E gosto do facto de ele ter viajado literalmente por todo o mundo, o que faz com que eu e ele tenhamos algo em comum: gosto pelas viagens...

Mãe: Hummm e que mais?

Eu: Ah... e é divorciado!

Sei que toquei realmente na ferida porque a minha mãe cortou a conversa completamente. Das duas, uma... Ou considera o fulano inadequado para a sua filha... ou então vai cair por terra o sonho de ver a sua filha casar-se pela igreja...

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Praga

 Relógio Astronómico 






 Menino Jesus de Praga



Goulash Checo

domingo, 5 de abril de 2015

Páscoa

Já há dez anos que não celebro uma verdadeira Páscoa.

Sinceramente não sei se guardo saudades desses tempos de criança e adolescente em que vibrava com a Semana Santa na minha cidade nem tampouco com aqueles rituais festivos da época. Mas uma coisa era certa: Páscoa (ou talvez semana que antecedia à Páscoa) era sinónimo de ir à confissão numa igreja. E como eu odiava isso...
O meu pai, ex-seminarista, desde que teve uns arrufos com o Seminário, não punha os pés numa igreja a não ser quando obrigado. E o obrigado significava casamentos, baptizados e funerais. Mas todos os anos, lá ganhava coragem e arrastava a esposa e as filhas para confessarem-se durante a Semana Santa. Eu odiava mesmo isso. Aliás, nós as três odiávamos isso. Detestava a fila que demorava cerca de uma hora, detestava aquela coisa de me sentar à frente de um padre velhote e ele me perguntar que pecados eu cometi. Eu lá sou pessoa de pecar??? Mentir, omitir verdades, desobedecer aos pais, comer um chocolate só porque sim são assim pecados tão graves que me façam ficar numa fila de uma hora??? O que é certo é que há dez anos não pratico tal ritual por o considerar ridículo. Uma coisa era ser obrigada pelos pais, outra coisa é praticar por livre e espontânea vontade, coisa que não acontece.


Páscoa era sinónimo de ir para a aldeia-natal do meu pai passar lá o fim-de-semana. A mesa estava sempre bem apetrechada de coisas boas para o Compasso Pascal. A toalha era sempre de linho bordado do enxoval da minha mãe. Deduzo que o meu pai era minucioso com a mesa talvez apenas para mostrar ao padre e ao seu séquito o quão bem estava na vida, para mostrar que o menino pobre que ele fora já não existia. Era a única altura que enfiava numa gravata sem ser durante o trabalho. Eu achava nojento estar a beijar uma cruz que já fora beijada por outros lábios. Mas pensava sempre que se fazia aquilo, era porque Jesus queria, logo estaria protegida de qualquer herpes. 

Uma das melhores Páscoas que passei foi aquela Páscoa de 1998 em que íamos contrariados para a terra do meu pai e caiu um enorme nevão. Tivemos que voltar para Braga a poucos Km do destino, para grande tristeza e choradeira do meu pai e para alegria nossa. Fomos passar a Páscoa na casa dos meus avós maternos, rodeados de família, das inúmeras primas e de brincadeiras e amêndoas. O Compasso Pascal minhoto, muito mais rico que o beirão, era formado por alguns escuteiros, uma banda filarmónica e uns 6-7 elementos que formavam os mordomos, mais o padre que se reuniram no salão principal . Aí sim, senti uma verdadeira Páscoa e uma verdadeira euforia.




Dez anos passaram-se desde a última vez que celebrei uma Páscoa assim. Estou neste momento a aproveitar umas mini-férias em Praga e subitamente deu-me alguma nostalgia de que coisas que nós detestávamos em crianças fazem um bocadinho de falta agora que somos adultos. Estive ontem de manhã durante cinco minutos a olhar para a imagem do Menino Jesus de Praga e a perguntar-lhe se todo o ódio que tenho por esta altura do ano, por razões que ELE bem sabe, me trará consequências...


Nem na casa da aldeia-natal do meu pai, nem no casarão da minha avó passou hoje o Compasso Pascal. A minha mãe  disse-me que optou por fechar as janelas para não ser incomodada em casa. Aliás, desde que o meu pai faleceu nunca mais abrimos casa ao Compasso Pascal. Em nenhuma dessas casas entrou água benta para dar protecção... Será necessária água benta para expulsar todos os males que nos atinge? 


Boa Páscoa