sábado, 28 de março de 2015

Razões pelas quais se deve discutir com um professor

Na semana passada, tivemos aulas na área da Sociologia com um antropólogo que parecia ser mais novo que eu. O tema era à volta das minorias étnicas, e o porquê de  muitas delas serem rejeitadas pela sociedade em geral.
Rapidamente o assunto voltou-se para os ciganos, considerando que no país que vivo eles são mais que as mães. O antropólogo perguntou-nos o que achávamos deles e a nossa resposta foi cruel mas sincera: em  Portugal, conseguimos tolerá-los até ao momento em que eles pisam o risco (que é quase sempre), em Portugal são mais civilizados do que cá (e mesmo assim...)

De seguida mostrou-nos um documentário de uma família cigana cá da zona: Casaram-se aos 14 anos (por tradição), na altura do documentário já tinham 16 filhos, viviam num casebre bem pior que um estábulo, aparece a cigana grávidérrima a fumar e a acariciar a barriga... Uma coisa à "Feios, Porcos e Maus".
Durante o tal documentário, estávamos completamente revoltados com as atitudes daquela família. Frases como "Se a minha mãe teve 26 filhos, eu também tenho direito a tê-los"... e o professor confundiu a nossa revolta com sensibilidade de "ah... coitadinhos, que miséria"

Então o antropólogo fez um discurso que se poderia chamar de "Coitadinhos dos ciganinhos". Ah e tal porque desde logo foram marginalizados, ah e tal porque ninguém quer dar emprego a ciganos, ah e tal porque eles querem preservar a sua cultura e as suas tradições, ah e tal eles têm muitos filhos porque são pessoas com acesso muito limitado à educação.

Durante o discurso, pelos menos os portugueses tiveram que intervir. Garantimos num rápido que se são marginalizados, são porque querem, se não têm trabalho, é porque não querem. Dissemos logo que as tradições deles são uma coisa que deveriam ficar no passado.

O professor tentou argumentar connosco sobre a importância das tradições e de que a cor da pele interfere muito com o trabalho. 
E então um português levantou-se super descontente com o decurso da conversa e deu o exemplo da escravatura, que era uma coisa banal e agora é condenável. Que os filhos dos escravos, estudaram, entraram na faculdade, são professores, advogados, actores, médicos e até presidentes dos Estados Unidos... Ou seja, não ficaram pelo coitadinhos.E com este discurso do meu colega, aplaudimos a teoria dele, para descontentamento do antropólogo que não conseguia argumentar. 

Ainda assim eu fui mais específica: dei o exemplo dos meus bisavós que eram analfabetos, os meus avós já tinham a 4ª classe, o meu pai teve durante muitos anos apenas o 12º e já eu e a minha irmã somos licenciadas e mestradas (e as mulheres antigamente não tinham tanto acesso à educação). O antropólogo com falinhas mansas argumentou que era um processo evolutivo, que agora cada vez mais se exige graus de estudo mais superiores e eu contra argumentei se se era isso verdade, porque é que os ciganos que são coitadinhos porque são marginalizados e logo não têm trabalho, também não evoluem?



Ás vezes dá-me a sensação que este pessoal pensa que só há vida neste país. Falta-lhes vivências, cingem-se a uma realidade da Europa de Leste e mais nada....E o pior de tudo é que não são capazes de argumentar contra realidades diferentes e de aceitar as realidades tal e qual como elas são. 

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