quarta-feira, 25 de março de 2015

Da lingerie

Aparentemente durante os primeiros anos de casado, uma das funções do meu avô materno antes de dormir era ajudar a a minha avó a retirar o corpete/espartilho. E pelos vistos aquilo dava uma trabalheira descomunal, com muitos fios e nós à mistura, o que lhe desgraçava parte da noite.


Um dia, numa das suas ida a Braga, nos finais da década de 40, nos claustros do café Vianna, viu um cigano a vender, nada mais nada menos que soutiens franceses, todos eles vistosos e aparentemente muito fáceis de vestir e despir. Sem pensar duas vezes, o meu avô comprou três soutiens: dois para a esposa e um para a irmã caçula que ainda era solteira.

Os soutiens foram muito bem aceites tanto pela minha avó, como pela irmã do meu avô. Sentiam-se mais frescas e com maior capacidade de mobilidade. E consta-se que a irmã do meu avô, rapariguita com os seus catorze anos teve o desplante de à saída da missa, subir a camisa e mostrar aquele ornamento às amigas, enaltecendo as qualidades daquele tipo de sustentação, ficando elas roídas de inveja.

Seja como for, um dos três soutiens em pouco tempo desapareceu do estendal... Consta-se que voou com a brisa.

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