domingo, 22 de março de 2015

Da comédia

Sempre me considerei uma pessoa com um sentido de humor muito apurado. Infelizmente não sou boa a contar anedotas ou a mandar piadas, mas sou daquelas pessoas que as entende à primeira tentativa.


Julgo que uma boa parte desse sentido de humor que tenho se deve aos inúmeros filmes que vejo desde miúda, muitos deles acompanhados pelo meu pai, homem de igual sentido de humor.

Tenho como eternos heróis de comédia o Rowan Atkisnon em Blackadder ou no mítico Mr. Bean, o Renée Artois d' Allo Allo, o Bud Spencer e o Terence Hill e as suas famosas pancadarias, o Benny Hill ou Archie d' Uma família às Direitas. Tenho como heróis de desenhos animados o Coyote e o Road Runner, o Speedy Gonzalez, o Sylvester e o Tweety,  o Tom e Jerry,

Todas estas personagens foram causadoras de boas barrigadas de riso na minha infância, e talvez ainda o são quando revejo alguns destes programas...

E ontem, quando estive a pesquisar pelo youtube, encontrei sketches de um actor que me é muito querido: Herman José.

Sou do tempo do Parabéns e do Herman Enciclopédia. Acompanhei alguns episódios do HermanManias e do O Tal Canal na RTP Memória, pois são programas bem velhinhos . E considero que é dos maiores comediantes que Portugal teve e se calhar ainda tem.  Trata-se de um homem extremamente versátil: além de falar fluentemente várias línguas, é um tipo extremamente culto, um músico fantástico, consegue reencarnar personagens, quer homens, quer mulheres, de uma forma extraordinária.

Fui parar quase de paraquedas ao sketch do Lauro Dérmio do Não Pirimamparás a Mulher do Próximo, e meus senhores, ri como uma perdida tal como ri da primeira vez em que vi este programa já há quase vinte anos atrás.
De link em link fui vendo quase todos os antigos sketches do Herman e recordei-me do Verão de 1997 na Póvoa de Varzim em que juntamente com o meu pai, o meu tio e os meus primos, assistíamos ao Herman Enciclopédia, depois de jantar, e que quase chorávamos de tanto rir, sob os olhares reprovadores da minha mãe e da minha tia. Recordo-me do meu tio dar pancadas na mesa ou nas costas do meu pai quando a piada era mesmo boa.

A minha personagem favorita talvez seja o Diácono Remédios... ou a mãe dele... ou o José Estebes... sei lá.

Sempre simpatizei com a Maria Rueff e com o Joaquim Monchique, grandes companheiros do Herman, e tal como ele, actores extremamente versáteis. Nunca gramei a Ana Bola, e principalmente a Maria Vieira, considero-as um tanto irritantes.

O Herman José deixou de ser o que era pouco depois de ter entrado para a SIC. O humor deixou de ser humor e passou a roçar a brejeirice na minha opinião. E desde então a sua popularidade foi descendo em espiral, talvez associada ao emblemático Processo Casa Pia, talvez com a ascensão de outros comediantes como os Gato Fedorento, Bruno Nogueira e outros tantos. Mas seja como for, desde que deixou de apresentar o Herman SIC, perdi completamente o rasto dele.


No ano passado, ele deu um espectáculo em Braga e arrastei a minha mãe e a minha irmã para assistir. E foi óptimo. Foi quase o mesmo Herman José dos meus tempos de miúda. Foi tão bom, tão bom, tão bom que só eu e a minha irmã fomos as únicas pessoas na plateia bracarense que demos uma sonora gargalhada quando ele fez uma piada brutal sobre a estação de comboios de Coimbra A e Coimbra B. Sentimos-nos as pessoas mais inteligentes do público (que olhavam para nós do tipo "Onde está a piada?") porque fomos as únicas a entendê-la, não fosse a minha irmã uma eterna estudante de Coimbra.

Seja como for, ainda tenho fé que o homem volte a ser o que era. Que se deixe de personagens patéticas e que volte às velhas e boas personagens (ou que recrie umas tão boas como as dos seus tempos de glória).

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