quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Hobby das sextas ao final da tarde...

Assistir a espectáculos no teatro da cidade.
Neste país, tudo o que seja espectáculos começa as 19h. A última sessão de cinema é mais ou menos por essa hora.

Na semana passada fui assistir a um ballet de uma companhia bielo-russa: Lago dos Cisnes de Tchaikovsky. Na minha opinião foi dos melhores espectáculos que assisti cá se bem que os outros que já vi no passado foram igualmente muito bons. Talvez O Lago dos Cisnes seja o meu ballet favorito porque simpatizo imenso com a história, conhecendo-a já de criança (Tive a cassete VHS d'A Princesa Cisne). Além disso este ballet tem o seu quê de encanto desde o filme "O Cisne Negro". 

E como existem dois finais para esta história (o do felizes para sempre e o trágico), estive a torcer que acabasse da forma como Tchaikovsky criou: tragicamente. 


Nenhum colega quis me acompanhar, não pelo preço, mas porque consideram este tipo de espectáculo uma valente seca e coisa de gaja. Sendo assim, acabei por ir sozinha. Na verdade, não me senti sozinha na plateia, já que a sala praticamente encheu. É costume nestes países as pessoas irem ao teatro, famílias inteiras estavam ocupavam filas de cadeiras e os camarotes. Vestem as suas melhores roupas, como se fossem para um casamento para lá estarem... 

O Teatro da cidade é muito bonito, porém não tão oponente como o nosso Teatro S.Carlos, muito menos com o edifício da Ópera de Budapeste. 
É um edifício com quase dois séculos de história, que mantém ainda os seus frescos dourados e as suas pinturas de querubins, mas como já disse, nada assim se compara à grandiosidade da talha barroca que estou acostumada a ver em museus e igrejas portuguesas. Uma das coisas que acho piada neste teatro (talvez porque desconheço se noutros teatros também exista), é a inscrição em talha no balcão dos camarotes do nome da família com o respectivo brasão a quem aquele camarote lhe pertence. 




Desta vez acabei por ficar nas galerias, local mais acima da plateia, perfeito para observar o ballet e a orquestra que fica numa posição inferior ao palco. 

O preço do meu bilhete: 2 euros. O preço mais alto que poderia pagar seria na ala VIP pela quantia de 10 euros. Estamos a falar de uma companhia de bailado Bielo-russa e não de um grupo de amadores! Coisa que em nenhum teatro em Portugal pagaria para tal espectáculo.



Aliás, duas coisas irritam-me na cultura em Portugal: o centralizar os espectáculos em Lisboa e no Porto (e muito mais em Lisboa), enquanto o resto das outras cidades fica a ver navios e o preço absurdo dos bilhetes. Aquela ideia de "ah e tal, não tens ideia do preço que fica cada espectáculo, desde figurinos, a luzes, a músicos, a som, bla bla bla daí os preços altos" ou então  a "Os portugueses não têm o espírito de cultura musical clássica, daí estes espectáculos serem uma perda de tempo" já não me convence uma vez que com os preços abusivos, as pessoas ou vão uma vez pela experiência ou nunca lá porão os pés, mas se os preços fossem mais convidativos, as salas de espectáculo poderão encher muito mais facilmente, tornando assim um ritual de sábado à noite. 
E nada melhor que ouvir uma casa cheia de aplausos quando as cortinas de veludo se fecham...

Um dia que deixe definitivamente este país vou sentir realmente das minhas idas à Ópera e ao Ballet. Espectáculos com excelente qualidade a um preço de um café e uma torrada. 

0 impressões:

Enviar um comentário