quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Reunião de Condomínios (II)

Pouco após a conversa com a vizinha do Rés-do-Chão, começam a chegar os proprietários dos outros apartamentos.

Observo a porta do elevador do Rés do Chão em que está um papel escrito com "POR FABOR, FEIXEM A PORTA DO ELEVADOR COM COIDADO PORQUE FAZ MUITO BARULHO E EU SOU UMA PESSOA DOENTE". Não tirei foto a esta pérola com receio de alguém se virar contra mim. 

Alguém adianta que a reunião terá de ser breve porque há bola dali a um bocado.

A vizinha do 1º Direito, sujeitinha meio deprimida com nuances de loucura desde que o marido a deixou assim que se descobriu que o filho ficara surdo devido a sua prematuridade, começa imediatamente a discutir o preço que se cobra à mulher da limpeza. Diz de forma agressiva de que no tempo em que ela era a representante dos Condóminos aquilo funcionava melhor.

O vizinho do 2º Esquerdo, um velhote reformado da França, começa a queixar-se que a voz esganiçada da mulher do 1º Direito está a causar-lhe dores de cabeça. Ele que até toma remédios para a cabeça. Vocífera qualquer merda em Francês, ao qual a esposa dele, ex-emigrante de França, anteriormente peixeira em Portugal, reage com dois berros e meia dúzia de "car***lhos" só para calar o marido e a mulher do 1º Direito. 

Eu gritava só para mim: "PORRADA! PORRADA!

Súbitamente alguém se queixa dos romenos do prédio ao lado que estacionam as velhas carrinhas à porta do nosso prédio. As mães deles recebem nomes, as romenas recebem os mesmos nomes especialmente por causa do lixo que espalham pela rua. 

A vizinha do 3º Direito queixa-se do excesso de humidade que tem. O do 4º Direito o mesmo. Alguém do lado esquerdo diz que tem falta dela, o que levou a uns sorrisinhos patetas. Alguém volta a discutir que a vizinha do 1º Direito não poderia ter desfeito paredes interiores sem o consentimento de todos porque há o risco do chão do 2º Dto ruir. A mulher desfeita esse alguém com voz esganiçada.

Discute-se os gastos dos jardins. 500 euros por ano no jardim é muito, ao qual o representante fala em adubos, água, terra e plantas. Eu digo em tom de brincadeira que pôr plantas de plástico fosse a solução, ao qual toda a gente me olha com má cara como se eu estivesse a falar a sério.

Conclusão: gritou-se e desfeitou-se muita gente mas as coisas continuam como antes. Todos os gastos são necessários e todos devemos dar graças que o prédio não esteja a precisar de obras.
Adoro estas reuniões .

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