terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Conversas pós-Natal

Primo (já afastado e provinciano de primeira): - Toma Alima, aqui tens o convite para o meu casamento. Mas olha que quero que vás bem acompanhada à boda... assim com um colega de curso ou um médico mesmo! É para mostrar que no meu casamento vai gente muito importante, sabes? Mais importante que o não-sei-quem que resolveu meter nas mesas do copo de água, o nome dos convidados e o seu respectivo título académico eheheehehe
Percebeste, Alima? Nada de te armares em solteira!



Eu: - ... Tenho de ver isso ..!


Adivinha, primo, quem não vai meter os pés na tua boda?

sábado, 26 de dezembro de 2015

Merdas que os meus familiares dizem na noite da Consoada

- Só chego aí por volta das 20h. Começai a limpar a casa, a pôr a mesa, metam a comida ao lume que depois eu chego para vos ajudar
                              (Frase proferida pela tia sempre a mesma merda todos os anos que chega às 21h)

- As batatas? AI AS BATATAS!!!! Ai que batatas tão insossas! E eu que gosto tanto de comer batatas neste dia!!!!
                         (Frase proferida pela outra tia sempre a mesma ladainha todos os anos que chega à hora do jantar)

- As couves? Ai as couves??? Ai que couves tão duras! Ninguém cozeu umas couvitas galegas? Ai que gosto tanto de couve galega e só há tronchuda...
                                             (Frase proferida pela mesma tia, que por acaso trouxe tronchudas, apesar de gostar de couve galega)

- Ai... eu agora não posso estar aqui a vergar a mola, mais que as outras. Afinal sou mãe de duas futuras engenheiras!
                                            (Frase proferida por uma tia cujas filhas entraram em engenharia com média de 12, uma das quais está há oito ano no Ensino Superior)

- O meu Mercedes é mais velho que o teu, mas de certeza que vale muito muito mais que o teu!
                                        (Frase proferida por tio que é o mais inteligente e mais esperto que o resto da família... um sábio do caraças!)

- Os negócios não estão maus... estão MUITO MAUS! Qualquer dia, fecho a empresa e ....
                            (Frase proferida pelo tio que tem uma valente casa e dois valentes carrões e tudo graças à reforma de professora da esposa)

- Acredita Alima, os meus ensinamentos de Yoga são baseados na cura... Eu pego nas minhas espadas orientais, passo por cima de um doente e consigo CURÁ-LO!
                         (frase proferida pela tia louca que agora virou budista e vegetariana, professora de Yoga e que está a fazer competição com os médicos)


- Eu não entendo, Alima, como é que tu resolveste voltar à faculdade... Tipo eu tirei o meu curso e não quero tirar mais nenhum. Quero viajar por todo o mundo, conhecer países, nem que para isso tenha que dormir no chão e andar de mochila às costas...
                          (frase proferida pela hippie da minha prima, com 36 anos, filha da tia louca budista que, sim, tem viajado muito, mas e depois...?)

- Ahahaahaha... quem era aquele que estava agarrado a ti, a comer bananas e de copo na mão?
                           (pergunta feita pelo primo boémio que chega ao jantar da consoada com meia camisa desabotoada)




sábado, 19 de dezembro de 2015

Coisas que fazem chorar mais do que picar cebolas...

... Enfiar quase meia bisnaga de Vibrocil Gel pelo nariz adentro, por recomendação do professor de ORL tal o estado da minha sinusite...


Desespero... muito desespero...

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Porque do azar também se faz a sorte

Na escolha de um tema de trabalho para a faculdade, foram sorteados os nomes das pessoas de acordo com um número... E em 178 números eu fui a número 178.


E pronto: pânico aqui para o meu lado. Pânico porque os temas da disciplina são tudo menos fáceis, pânico porque havia 190 temas em que eu seria a última a escolher, pânico porque percebo pouco de elaboração de trabalhos escritos...

Começo a ver temas que eu gostava de escolher a serem escolhidos, vejo temas que não queria nem forçada, tipo aspectos fisiológicos e anatómicos, epidemiologia, a serem escolhidos e quando é a minha vez de escolher o tema, por magia, selecciono provavelmente o tema mais fácil de desenvolver: Causas de surdez. E quando o selecciono, esbocei um sorriso de Xeq-Mat, e consegui ouvir alguns sussuros dos colegas a dizer: "Mas como que raio eu não vi este tema???"


Ainda estou para perceber esta cegueira instantânea de 177 pessoas. Juro. 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Sei que tenho uma família da treta

No dia em que a minha avó fez 95 anos, ninguém, mas ninguém se prontificou a tirar a velhota do lar, para lhe proporcionar um dia diferente... tipo... leva-la a visitar a casa onde sempre viveu...(Isto no mês de Agosto, altura em que os dias são grandes e agradáveis).

 No dia do aniversário da minha avó, eu e a minha irmã estávamos noutra ponta da Europa, o que impossibilitou a minha mãe de agir. A minha avó está de cadeira de rodas, e não é fácil uma pessoa sozinha carrega-la escadas acima.


Mas como ninguém, mas ninguém quer passar o Natal em sua casa e arcar com toda a dinâmica desta época festiva, e ninguém quer gramar com os demais irmãos e cunhados, sobrinhos e a minha avó dentro das suas casas (porque ela está muito debilitada e chatinha, vá), todos querem festejar o Natal na casa da minha avó, tirando-a do quentinho do lar, obrigando-a a percorrer 40km num dia que será curto e muito provavelmente frio,  mesmo sabendo que a casa tem demasiadas correntes de ar, demasiadas escadas e demasiado desconforto, visto que é uma casa desabitada há alguns anitos. E até à data ninguém se prontificou a levá-la até casa nesse dia (portanto, quase de certeza que vai sobrar para mim, o que até não me importo, mas também ainda não sei como vou transportar uma  nonagenária que enjoa forte e feio no carro pelas estradas do Gerês e como vou subir os degraus da casa dela com essa mesma nonagenária que está numa cadeira de rodas).

A minha mãe, por telefone já começou a reportar-me a azafama ainda a duas semanas do Natal. Já me falou no bacalhau, na massa da aletria e já me pediu que levasse pão alentejano para não sei o quê. Já a avisei que ela tem o direito e o dever de fazer tanto como os outros (ou seja, fazer quase nada ou nada), mas ela ainda não entendeu ainda que o meu objectivo principal (e o da minha irmã também) é ficarmos até bem tarde encostadas algures na Rua do Souto a beber moscatel e a comer banana e a celebrar o Natal com aqueles de quem gostamos porque fizeram algo para merecer e não porque são nossa família: os nossos amigos.


Alima

PS. Não estou a ser implicativa. Já há muitos anos que detesto esta quadra festiva.  Estou a sofrer já por antecipação, porque afinal desde que me lembro das noites de consoada é sempre muda o disco e toca o mesmo...








sábado, 5 de dezembro de 2015

Sei que tenho uma mãe com um sentido de humor do caraças...

... quando me oferece no meu 29º aniversário, para me fazer recordar que estou a ficar velha, não um, mas dois livros da "Caderneta de Cromos" by Nuno Markl.




High five mum!



segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Sabes que Deus consegue ser um verdadeiro sacana quando...

... acompanho pelo facebook uma amiga do tempo de liceu desde a mensagem a informar que estava grávida, as fotos do chá-de-bebé, as expectativas que tinha sobre o bebé, as fotos das ecografias, o nome e essas coisinhas todas muito fofinhas, que não diziam respeito nem a mim nem a mais de metade dos seus amigos do facebook, mas pronto, estava contente por ela...


... e que acaba por perder o bebé num (bastante) avançado tempo de gestação.

Foda-se!


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A ti, cara pessoa, que agora me é estranha...

Juro que não faço de propósito para que nos cruzemos de manhã e à noite nos mesmos sítios.

Acredita que até me divirto quando nos cruzamos. Ao contrário de ti, que mesmo à descarada dizes ao ouvido dela, um vamos embora, eu divirto-me imenso e suspiro de alívio do que me safei. Fico contente por me teres visto num grupo de amigos que não fazes a mínima ideia que são. Fico contente em nos teres apanhado no meio de gargalhadas, quando o F. contava uma história hilariante sobre o seu emprego. Sim, ainda sei rir. Sem dramas, nem reacções estúpidas.


...e acredita que quando entrei no carro, olhei-me ao espelho e pensei: "Sou demasiado para ti. Demasiado. Tantos anos se passaram e continuas o mesmo merdas".

domingo, 15 de novembro de 2015

Que fazias tu, Alima, quando soubeste dos atentados em Paris na passada sexta feira?

... estava dentro de um autocarro Lisboa- Braga a ver o filme "Que mal fiz eu a Deus?" no tablet.

O som do rádio do motorista ficou alto, que me senti tentada a tirar os headphones para ouvir as notícias.
Vociferei um palavrão (ou até mais) com o meu sotaque nortenho, sotaque que faço tudo por tudo para camuflar em Lisboa.

Coincidências do caraças...


PS. Que mal fiz eu a Deus? é um filme francês relativamente recente sobre um casal francês, católica de gema, e um bocadinho racista, que vai perdendo as suas filhas para casamentos com franceses de outras religiões. Um filme super divertido. 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

E foi ao fim de 7 semanas (7!!!) que conheci finalmente as minhas companheiras de casa...

... E tudo porque assei castanhas e bati à porta dos quartos delas para as convidar para comer castanhas.
E elas aceitaram...

Qual álcool qual quê para aproximar as pessoas?

domingo, 25 de outubro de 2015

Crónicas de um banco nas urgências de pediatria

1.

Mãe entra com o seu filho:
- Nós viemos aqui porque o meu filho está com muitas dores neste dedo da mão e mexe-o com muita dificuldade. E olhe como parece que tem um caroço ali no dedo!!!! Estava a jogar à bola e caiu  e...
- Quando aconteceu isso?
- Hum... fez ontem 15 dias.


Conclusão: fractura do metacarpo!

2.
Mãe entra com a filha, com uns dois anos:
- Nós viemos aqui porque a minha filha desde ontem anda a mancar um bocado. Ela não consegue pôr o pè direitinho no chão . E se olhar para o calcanhar dela vê que está um bocadinho avermelhado e depois ganhou uma bolhinha aqui atrás do pé e...
- Hum, os sapatinhos dela parecem novos...
- São sim!!! Estreou-os ontem!- diz a mãe toda orgulhosa.

WTF!

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O melhor vizinho cá de Lisboa...

... é o alfarrabista que tem a sua loja no andar térreo cá no prédio.

Livros a preços de revistas. Gosto disso.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Como deixar a Alima mal disposta depois do almoço...

.. Subir no elevador da torre de pediatria juntamente com uma mãe lindíssima com um aspecto extremamente cansado e triste e o seu filho também lindíssimo com uma paralisia cerebral grave.


:(

sábado, 10 de outubro de 2015

Cenas que a minha mãe diz (e que acho geniais)

Passeava eu e ela pelo centro histórico de Braga. Passámos por um agente da PSP que estava numa esquina.

- Já viste mãe, agora as fardas dos Polícias portugueses parecem aquelas dos polícias americanos.- comento.
- Humhum... parece mesmo um polícia como nos filmes de acção. E este está balofo. Deve ser dos donut's... - diz ela.


terça-feira, 6 de outubro de 2015

A ti, cara pessoa que agora é-me estranha

Afinal de contas, qual é a probabilidade de nos cruzarmos a 120km da nossa  cidade, num lugar que é meu e que fiz tudo por tudo que fosse teu também?

Qual é a probabilidade de nos cruzarmos a escassos metros de uma casa, que é minha, casa essa onde já fomos muito felizes?

Qual é a probabilidade de nos cruzarmos num lugar que eu te mostrei, lugar que não conhecerias, se eu não te mostrasse e não te contasse as histórias?

Foste mostrar a minha serra a outra pessoa. De certeza que lhe contaste as histórias que alguém te tinha contado (eu), como se fosses um sábio.

Gostaria de saber o que terás sentido, quando tivemos os dois que parar naquela serra para que os carros se cruzassem sem partir um espelho do outro (a estrada é péssima, eu sei, mas a paisagem vale por si)...  Não digas que não sabias que era eu... o meu carro, a cor dele e até a matrícula são inconfundíveis...

Gostaria de saber se terás pensado em mim, filha e neta daquela serra, se pensaste por breves segundos nos bons momentos que passamos naquele lugar. Gostaria de saber se também terias partilhado esse possível pensamento com a mulher que ia ao teu lado no caro.

Gostaria de saber se terás pensado no quanto tu perdeste no dia em que me senti verdadeiramente rejeitada...

Honestamente fiquei a matutar nisso nos 120km que me levariam daquela serra à nossa cidade. Se nos cruzássemos num bar da cidade ou no shopping... ok... mas não... fomos-nos cruzar ali!

Matutei nisso com um sentido de choque e com sentido de humor também... 
... Porque afinal posso ter muitos defeitos, mas foste para um lugar que te faz obrigatoriamente recordar de mim... e onde já foste feliz...


Alima

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Dia 15 em Lisboa- a saga da vizinha continua

Estou a viver há 15 dias num apartamento e ainda não conheço as minhas flatmates.
Sim, elas vivem cá mas fazem questão de só irem ao WC ou à cozinha quando não sentem ninguém no corredor. Apelidei-as de as ratas, porque estão bem escondidas no calor dos seus quartos e no silêncio da noite é quando invadem a cozinha.

Como nenhuma delas até à data ainda fez questão de me conhecer (podiam aproveitar quando estou na cozinha para travar conversa comigo, mas optaram pela indiferença), resolvi também não tomar a iniciativa. Desta forma, elas deixam a cozinha e o WC arrumado, eu faço questão de manter arrumado. E é assim que não há discussões.

Com o silêncio sepulcral que abate neste T3 na Estrada de Benfica, consegui concluir que a minha vizinha debaixo, além de ser uma chata, é também uma mentirosa. E também implicativa.

Ontem, vinha eu de Braga city, entrei no prédio com a minha trolley, uma mochila e a minha bolsa de senhora, por volta da meia noite. Subi com dificuldade as escadas, evitando fazer o mínimo barulho possível. Passando no andar dela, ela abre a porta,  vestindo a mesma bata do outro dia, e com cara de pouco amigos:

- A menina deveria fazer menos barulho com essas malas todas! Isto é um prédio de  pessoas de respeito! Ninguém entra no prédio a estas horas! Para a próxima, venha de manhã!- resmunga ela. 

- Oh minha senhora, quer me ajudar com estas malas? As pessoas de respeito costumam ajudar os vizinhos em apuros- disse-lhe.

E ela fechou-me a porta na cara...

sábado, 19 de setembro de 2015

Vindima

Anos depois de ter vivido fora de Portugal, este ano voltei a fazer parte de uma das tradições que me era muito querida: a vindima.
Fiz questão de participar este ano, por uma questão saudosista.

Desde pequena, acompanhei as vindimas nas propriedades dos meus avós, quer maternos, quer paternos.
Os meus avós paternos produziam vinho para consumo próprio, feito de uvas americanas, casta única que conseguia sobreviver na serra.
Recordo-me de ver o meu pai no lagar a espezinhar as uvas, método tradicional (e talvez menos higiénico, não?), do cheiro enjoativo que imanava do lugar, tão enjoativo que dava dores de cabeça.

Recordo-me do sabor doce da uva americana, que já há muitos anos não voltei a saborear. Tal como os donos, as videiras morreram.



Os meus avós maternos eram grandes produtores de vinho verde. Aliás, uma boa fatia da fortuna que amealharam foi graças à produção de vinho, da laranja e da castanha.
Vibrava com o ambiente que se vivia na vinha: o movimento, as piadas jocosas, os risos, as músicas tradicionais que se cantavam sobre a vindima. Juntavam-se dezenas de pessoas para esta actividade!
Nesse dia tinha sempre direito a uma boleia de tractor, tractor esse que transportava os cestos carregados de uvas para a adega, onde se colocava numa máquina industrial que centrifugava e prensava as uvas.



Anos depois desde a última vez que participei numa vindima, notei menos pessoas a trabalhar (muitas já faleceram, outras emigraram), notei menos videiras (por causa de um incêndio que afectou alguns hectares este Verão).
A pedido do meu tio, não fiquei responsável pela colheita das uvas, mas sim pelo controlo dos cestos (e também controlo do pessoal que gosta muito de trabalhar devagar) e pela condução de um das carrinhas que transportava os cestos para a adega. Aliás, nem eu nem os meus primos ficamos responsável pela colheita.

Poucas pessoas me reconheceram, afinal já não me viam há pelo menos cinco anos. Mas a simpatia e o respeito continuava. Para eles, continuava a ser a "menina", titulo que também era conferido a todos os meus tios, mesmo já tendo 60 e poucos anos.

"-Oh menina! Você se lembra de alguma canção aqui da terra para cantarmos aqui todos? Já ouviu a música da videira?"- perguntou-me uma velhota de lenço preto na cabeça.
"- Assim de momento não me recordo"- respondi-lhe.
"- Esta juventude já não sabe o que é o antigo...!"



Cantaram esta música num coro muito parecido com este. Cantaram outras canções tradicionais em tom polifónico. Arrepiante. Arrepiante mesmo. Lamentei o facto de ter deixado o meu telemóvel no carro, não podendo ter gravado...

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Dia 1 em Lisboa (a continuação)

Alima desespera com a porta e com a chave. Liga para a senhoria a pedir ajuda.
A vizinha debaixo vem em auxílio da Alima. Tratava-se de uma sexagenária de bata, tipo porteira.

Educadamente, explica-se à vizinha o que se passava. A vizinha mexerica na fechadura e por magia descobre a p**a da chave pode ser ampliada. E num simples movimento a porta abre-se.


A vizinha em tom desconfiado avisa a nova moradora do prédio para não fazer barulho. Alima assegura que não é de fazer barulho porque está sempre descalça em casa.

A vizinha diz:
- Fique sabendo que não gosto das meninas que vivem consigo. Fazem muito barulho. E são mal educadas.

Alima diz:
- Não as conheço ainda.

A vizinha continua, arregalando os olhos:
- E no apartamento de cima vive um médico com uma U-CRA-NI-ANA! Ele também é um mal encarado. Encontrei-o no outro dia nas consultas no Santa Maria, pedi-lhe um favorzinho para ver se me aviava umas coisinhas, assim mais depressa, e ele disse que tinha de esperar pelos outros. Já viu? Somos vizinhos!!! Não lhe custava nada, está a perceber? Já agora, a menina vai estudar para quê?

- Filosofia. Sou estudante de Filosofia- respondo-lhe sem pestanejar.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Dia 1 em Lisboa

Alima sai da disparada do autocarro rumo à sua casinha ali perto.
A mala faz um estrandalhaço pelo caminho. Eram 22h e poucas almas se viam na rua.
Alima abre a porta do prédio sem dificuldades, chega à porta do apartamento e tenta enfiar a chave na porta.

A p**a da chave não entra na fechadura. Do outro lado da porta sai uma mulher, loira, com um sotaque de Leste que afirma que ali vive ela e o namorado.
Alima enche-se de pedir desculpas e desce ao piso de baixo com a certeza que ali é que era o seu apartamento.

... E a p**a da chave não abre a porta de novo.



(continua)

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Resumo do Verão 2015 (as coisas inesquecíveis)

- Viajei. Destinos internacionais: Roménia, Hungria, Eslováquia. Deu um saltinho a Espanha para la movida de Vigo. Ou vários saltinhos.
Destinos nacionais: os recém inaugurados Passadiços do Paiva (Arouca).

- Fiz praia nos sítios do costume: Póvoa de Varzim, Viana do Castelo, Esposende.

- Vibrei com a minha entrada na faculdade em Lisboa.

- Fiz as malas e deixei definitivamente o país de Leste. Nova casa: Lisboa.

- Procurei quarto em Lisboa. Acabei por escolher um quarto simpático em Sete Rios.

- Terminei uma noite com as sandálias nas mãos, nas Galerias de Paris no Porto.

- Vi o nascer do sol na praia após noitada em Esposende.

- Vibrei com a vitória do Arouca contra o Benfica. No estádio.

- Visitei algumas feiras de antiguidades.

- Deixei dois miúdos sem dormir durante dias por ter contado histórias de terror.

- Aplaudi, de pé, quando um dos meus melhores amigos recebeu o diploma de médico.


- ...


domingo, 30 de agosto de 2015

Visita à Roménia (o rescaldo)

No meu imagináro (e penso que não só), Roménia é vista por um país de ciganos e ladrões. Grande engano. Roménia é um país de girassois á beira estrada, de restaurantes e resorts maravilhosos, de pessoas encantadoras.


Visitei Bucareste e a cidade de Constanta. Bucareste foi um visitada numa tarde. Constanta, cidade onde a minha irmã viverá/estudará durante uns tempos, foi visitada com maior pormenor.

Não gostei propriamente de Bucareste. Suja, poluida, grafitada, claustrofóbica.
Constanta é considerada uma pérola do Mar Negro, título esse bem merecido.
O calor de Constanta, apesar de ser uma cidade costeira é um calor abafado. O Mar Negro é calmo, quente, sem qualquer ondulação. A areia é preta, daí ser chamada Mar Negro. A cidade, tal Mónaco do Leste, está superlotada de edificios vistosos... e carros invejáveis... é talvez o local onde mais vi Ferraris, Lamborguinis e Maserattis juntos. Depois, circulavam também os romenos Dácias... e também circulavam as charretes conduzidas pelos ciganos.

Os ciganos romenos... bem... esses distinguem-se dos romenos pela exuberância das cores, da forma pedinte e pelas pragas que rogavam aos turistas quando não se dava dinheiro.


Quanto à cidade, resume-se a vida loca:





Uma viagem brutal. Aconselho mesmo visitar o país.




sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Cenas que a minha irmã diz (e que comprovam o grau de cromice dela)


- Chiça... os alemães, 70 anos depois, ainda conseguem manter o espírito de Auschwitz em tudo que fazem... olha-me só para este arame farpado a circundar o aeroporto!

Frase proferida na saída do aeroporto de Frankfurt, numa noite chuvosa e fria, rumo ao hotel... depois de termos perdido o voo Frankfurt- Bucareste



- Que achas da minha pele? Está mais macia e com menos rugas, não está?

Frase proferida após três aplicações de um creme anti-rugas caro como o caraças.



- Sabes como é... os cães passam e as caravanas ladram...

Frase proferida quando vemos uns ciganos numa charrete no centro de Constanta

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Passeios De Verão: Passadiços do Paiva (Arouca)













DUAS PALAVRAS: BRU-TAL!


OkOk... sendo eu filha e neta da terra, sou suspeita...

Mas foram 8.7km inesquecíveis.




PS: Para quem tem dificuldades nestas coisas, iniciem o trajecto em Areinho, ok?

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Ainda sobre os apelidos

Amigo do D: E olha lá, és parente do Tony Carreira?
Eu: Tenho um primo chamado António a quem tratamos por Tony, sim?
Amigo do D.: E é cantor, também? ehehehehe
Eu: Claro que é! O gajo é de uma pequena aldeia, perdida na Beira que sonhava ser cantor... Vive em Paris e dedica-se a assentar tijolo... porque cantar no rancho não enche Coliseus.


Abraço primo Tony! Até à romaria!

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Dos apelidos

Eram já umas 22h, quando a B. envia-me uma sms:

"Arranja-te que vamos pra borga. Um amigo do D. mete-nos na lista VIP sem chatices. Saimos de Braga há 0h"

Claro que me fui arranjar-me. Convite VIP é uma coisa bacana.

Chegamos à porta da disco, já lá estavam uns amigos nossos, beijinho ao D. e ao amigo do D. e esse amigo diz-me:
- Olha, o D. disse que te chamavas Alima, mas não se recordava do teu apelido. Sendo assim tivemos que inventar um. Pusemos Alima Carreira na guest list... Carreira em homenagem ao Tony Carreira... estamos no mês dos avecs e tal.... que te parece?
- Hummmm... parece-me bem!
- Já agora, qual é o teu apelido mesmo? Para uma próxima lista...
- Carreira! - respondi-lhe super séria.

O gajo só acreditou quando lhe esfreguei o BI na cara...

segunda-feira, 20 de julho de 2015

A força de um elogio

Naquele tempo em que estudava numa universidade em Portugal, havia uma menina da minha turma que tinha feito castings em concursos de talentos musicais aka Ídolos. A sua vozinha não era má de todo, mas não era assim uma coisa muito excepcional. Era uma vozinha de uma princesa Disney a cantar, no meu entender.

Toda a gente lhe gabava a voz. Uauuu, quem me dera cantar como tu, diziam algumas colegas. E eu como não sou de bajular ninguém, mantive a minha postura de insensível perante tal maravilhosa voz.

Tal como eu, ela gostava de curtir o sol do lado da janela da sala de aula. E ficava sempre nas cadeiras atrás de mim. E em vez de prestar atenção à aula, a gaja cantarolava enquanto o professor explicava o conteúdo da aula. Aquilo incomodava-me como tudo, porque estar dentro de uma sala de aula já é penoso, gramar alguém a cantar enquanto estava a tentar concentrar-me ainda era pior.

Para os meus botões, eu só pensava "Mas quando é que esta p*#a se cala mesmo?"

Até que um dia, ganhei coragem, virei-me para trás e disse-lhe: "Adoro o teu timbre... tão suave... cantas mesmo muito bem. Sou tua fã"

A miúda, fez um sorrisinho de diva e agradeceu-me, enquanto virei-me para a frente. Virei-me de novo para trás e disse-lhe "E por favor, não estragues a tua voz aqui porque ninguém quer-te ouvir agora. A tua fã quer ouvir o que a prof. de Bioquímica está a dizer, 'ta bem?"

Nunca mais cantarolou perto de mim.


Há horas de sorte

Mãe da Alima obriga a Alima a enfiar-se num hipermercado para comprar carne no talho, porque a mãe da Alima não gosta de perder tempo a esperar em ser atendida.

Secção do talho com um fila enorme. Tiro ticket: nº 472. Estava no 387.

Alima solta um suspiro.

Alima olha para o cesto dos tickets e quase a reluzir estava o ticket nº 390 (GOLDEN TICKET!).

Alima estaciona o carro na garagem de casa vinte minutos depois para espanto da mãe.


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Da mortalidade infantil

Faço admissão de uma paciente de 60 e poucos anos no hospital. Uma das perguntas que se faz é sobre o historial familiar...


-Então sra. F.,  disse-me aqui que teve seis irmãos, mas que só a Sra. e outro seu irmão é que chegaram a adultos... sabe de que morreram os seus irmãos?- pergunto, enquanto escrevinho no caderno.

- Olhe menina, morreram todos pequeninos. Um foi por causa de uma constipação. Tinha quinze dias, as velhas da aldeia diziam à minha mãe que os bebés não podiam estar assim tão cobertos e pronto, apanhou frio e adoeceu. Outro foi porque a minha mãe, com febre, amamentou o meu irmãozinho. As pessoas diziam que não havia problemas em dar leite ao filho, mesmo estando doente. Outro foi porque ficou constipado, a minha mãe, desceu com ele serra abaixo até à vila debaixo de neve, o médico receitou-lhe uma injecção, a minha mãe levou-o à farmácia e mal lhe deram a injecção, esperneou e morreu.
Uma menina, morreu enquanto dormia no bercinho. Como pode ver, dois morreram por causa das pessoas da aldeia, outro por causa de uma injecção e outro foi porque Deus Nosso Senhor assim o quis. A minha mãezinha perdeu quatro anjinhos sem culpa alguma.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Conversa de estrada

Ia eu e a minha mãe em direção a Penafiel, quando passamos por uma freguesia onde vive um primo do meu pai.

Eu: - Não é ali depois da igreja que vive o primo do pai?
Mãe: - Hummmm... acho que sim...
Eu: - O pai gostava muito deste gajo... até gravou no cimento e em alguma pedras o nome deles e a data de nascimento de cada um lá na terrinha. Parecia que estava a tentar ficar marcado para a posteridade.
Mãe: O pai gostava  e não gostava. Este tipo era mafioso como tudo. Emprestavam-lhe livros e discos de vinil e ele em vez de entregar ao dono, vendia-os. Provavelmente essa mafiosice se deva ao facto de ele ter nascido sem um olho e lá tinha que se desenrascar de alguma forma... E como em terra de cegos, que tem olho é rei....
Eu: Ahahahahaha de facto o fulano só tem um olho... mas daí a ser rei...e ainda por cima não havendo cegos. Expressão muito mal aplicada por si, lamento... Ahahahahahha
Mãe (muito séria): Oh conduz e olha bem para a estrada!

terça-feira, 30 de junho de 2015

M*rdas que a minha mãe diz (e que acho que são geniais!)


Numa visita à habitual operadora de telecomunicações para alterar o pacote tv+net+telf, ao entrar na loja, que não tinha absolutamente ninguém a ser atendido, um rapaz notivo, brasileiro vem ter connosco e diz:

- Boa tarde, eu gostaria de vos ajudar para que o atendimento seja melhor. Qual o motivo da vossa visita?

- Viemos fazer fazer uma alteração.- responde a minha mãe-

- Ah e que tipo de alteração?

- Para ver se pagamos menos.

- E será que vos posso ajudar? Se me permitem, eu retirarei uma senha para as senhoras...- diz ele

- Não é necessário... aquela menina ali já me conhece de ontem... Ora com licença- diz a minha mãe afastando-se dele.

Apresso o passo para acompanhar a minha mãe ao que ela sem baixar o tom de voz diz:

- QUE PANELEIRICE!

terça-feira, 23 de junho de 2015

Festas de S.João

Desde pequena que vibro com estas festas na minha cidade, talvez por causa da azáfama de decorar o jardim de casa com motivos festivos horas antes das sardinhadas que se fazem com os amigos, talvez pelo próprio cheiro a sardinha assada, talvez pela azáfama das pessoas num sobe e desce pela avenida para ver todas as barraquinhas, talvez pelo espírito que envolve a cidade durante esta época.
Vibrava com a noitada a dar marteladas ou a esfregar ervas mal-cheirosas a desconhecidos, vibrava com o cheiro delicioso a farturas e a algodão doce que emana a avenida, pela alegria dos bracarenses que contrasta com a Semana Santa, semana muito deprimente cá em Braga. Vibrava com as dezenas de pessoas que reencontro nesse dia, pessoas que provavelmente só me cruzarei num próximo S.João...

Em pequena, S.João para mim significava carroceis. Um por dia, cerca de três por ano. Normalmente o grilo, o dragão ou o típico carrocel com cavalos e girafas. 


Pela primeira vez, no ano passado, lancei um balão. Escrevi lá alguns desejos para que fossem concretizados até ao S.João seguinte. E pelos vistos surtiu efeito :)

Este ano o S.João talvez terá um sabor diferente: do grupo numeroso que existia no ano passado, dois elementos casaram-se, logo estarão na sardinhada da família, quatro elementos não descerão a avenida porque são pais de recém-nascidos, três elementos têm exames na faculdade, dois deles trabalham no dia seguinte... Isto significa que por muita meninice que ainda conserve, todos os outros estão a crescer... Portanto esta treta do Forever Young não se pode aplicar a todos...


Bom S.João a todos! 

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Skype com o P.

Alima: Estou ansiosa de aderir às caminhadas da Nocas. A gaja teve boa iniciativa com isto das caminhadas domingueiras. A malta tem aderido bem. E da Arcada ao Bom Jesus, passando pelo pequeno almoço na montalegrense, faz-se bem a pé. Já fiz e sobrevivi.

P: Caminhar não é minha praia. Mas eu já lhe disse que assim que chegarem lá cima [Bom Jesus], estarei  na esplanada a aplaudir ao vosso sprint.

Alima: Isso não conta! Já propus ao povo em acabar a caminhada com um maravilhoso picnic no Sameiro, aproveitava-se as mesas de pedra e a sombrinha das arvores e era uma tarde bem passada. Ainda tenho alvo e dardos dos tempos em que fazia picniques com a famelga! Basta alguem enfiar o farnel todo no carro e juntar-se a nós quando chegarmos lá cima.

P: Posso dizer te uma coisa?

Alima: Fala.

P: Nunca fiz um picnique na minha vida.

Alima: O.o

P: Conheço os melhores restaurantes da zona norte e alguns centro e sul, mas nunca fiz um picnique.

Alima: Pagas-me um jantar no Pedro Lemos ou no Yeatman e vou ver o que posso fazer por ti. Assim experimento uma refeiçao com um nome todo chique que cabe na cova de um dente e tu provas rissois, bolinhos de bacalhau e salada de feijao frade com sabor a campo, misturada com formigas. Dobre?


(Adivinha como vais passar o teu aniversario que está próximo...)

sábado, 30 de maio de 2015

Querido tio F.,

Faz hoje precisamente dez anos que nos deixamos de ver.
Durante a manhã e a tarde de há dez anos atrás, junto ao Santuário da Abadia, nas encostas do Gerês, estávamos nós num piquenique em amena cavaqueira com outros tantos familiares. Todo aquele banquete debaixo daquela tília, junto ao riacho,  desapareceu durante a tarde. Foram trocados galhardetes, ditas piadas mais brejeiras, discussões sobre o jogo que ia ser por volta das 19h da tarde. Confidenciaste-me até que na terça feira ias meter os papeis para a reforma. 

Aquele piquenique no último domingo de Maio, dia da festa da Sra. de Abadia era ritual já do tempo dos meus bisavós pelo menos, sendo a nossa família membro da confraria há gerações. De manhã assistia-se à missa campal, depois, findada a missa, corria-se para encontrar uma sombra para pôr as mesas e as cadeiras de piquenique. E ali se ficava até ao final da tarde a jogar sueca e na conversa, a confraternizar com os primos e os vizinhos da casa dos meus avós que também seguiam a tradição das confrarias à risca.  

Morreste na madrugada, poucas horas após de teres chegado a casa. Enfarte do Miocárdio, segundo a autópsia. Nada que não nos surpreendera uma vez que estavas a fazer dieta e a fazer exercício moderado porque o teu cardiologista te alertou para o problema algumas semanas antes.

Recordo-me de ter chegado à porta da capela mortuária onde estavas a ser velado e comentei com o meu pai que queria entrar para te ver pela última vez. O meu pai disse que com o calor que se fazia naquele dia e com a pobre ventilação da capela, o caixão tinha sido fechado porque estavas a arrebentar e emanavas um cheiro intenso. Há dez anos atrás, o meu pensamento a ouvir o meu pai a dizer-me aquilo foi "Como é que é possível, se ele cheirava sempre tão bem a água de colónia?

Foste o encerrar de um capítulo na nossa família. Nunca mais voltamos a fazer piquenique nesse dia. Talvez porque fazias lá falta, assim como poucos meses depois o meu pai passou a fazer-nos falta.
Dez anos se passaram e sempre que dou o meu passeio pelo santuário, olho para a árvore que nos serviu de sombra naquele dia com bastante nostalgia. Tempos em que se era feliz e não se sabia. 

A vida passa, assim como o riacho ainda lá passa e a tília não pára de crescer.







quarta-feira, 27 de maio de 2015

Sabemos que o mundo é um lugar cruel

... quando vemos notícias sobre chacinas no Médio Oriente e assistimos de braços cruzados...

... quando ainda há gente a passar fome e não podermos ajudar muito...

.... quando  assistimos a maus tratos a animais...

... quando temos de dar a noticia de que aquela doença é incuravel...e que dizer "lamento imenso" não vai ajudar em nada...

... quando alguém que vai ceifar um campo e acaba por ficar debaixo do tractor...

                                                                                                                        Descansa em paz, dona A.



terça-feira, 26 de maio de 2015

Das novidades

E foi com euforia e com muita dor (um pontape na esquina da cama em que o meu mendinho do pé esquerdo viu estrelas), que recebi uma excelente noticia, daquelas em que estava à espera...nada que eu não merecesse...


Parece que os meus dias fora do país estão prestes a terminar...

Estou triste e ao mesmo tempo contente.

Povo do meu país, preparem-se para me aturar de novo.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Falando em sapatos...

Fica aqui o aviso de que há sapatos mais bonitos, menos apimbalhados (e mais baratos) que os da Cristina Ferreira na loja do chinês ou na feira.


sábado, 16 de maio de 2015

E o meu pc morreu para a vida...

... a um mês de voltar a Portugal.
O arranjo à partida não ficará assim tão caro mas os técnicos informáticos aqui da parvonia recusam-se a substituir a peça que queimou por uma semi-nova (o PC tem 8 anos (estimo bem as coisas, não estimo?) e já não se arranja a peça nova para substitução). Portanto, a reparação será feita em Portugal.


f*da-se

terça-feira, 12 de maio de 2015

O diabo e as favas

Uma das recordações mais ternas que tenho desde a infância são as noites incontáveis que passei junto à lareira da casa beirã do meus avós paternos a ouvir anedotas ou a ouvir histórias. O meu avô era de longe o melhor contador.


- Avô, Avô, agora é a sua vez de contar uma história!!!
- Já te contei a história do diabo e das favas?
- Penso que não, avô...
- Cá vai...

"No tempo das minas, havia um homem ali prós lados de Manhouce [freguesia vizinha da aldeia do meu avô, concelho de S.Pedro do Sul] que tinha um filho a morrer de tuberculose que quis fazer uma peregrinação a Fátima para ver se se salvava.
Então ele pôs-se a caminho e quando chegou ali para os lados de Anadia, parou num tasco e pediu um ovo cozido para comer. O taberneiro, que era um mafioso, e sabendo que ele não era dali, pediu-lhe muito dinheiro por um simples ovo. O homem, que era um mineiro pobre da serra, disse que não tinha assim tanto dinheiro consigo e que achava exagerado o preço por um simples ovo...

- Mas o senhor sabe perfeitamente que você não comeu um simples ovo cozido. Deste ovo que comeu poderia ter nascido um frango que quando ficasse adulto poria mais ovos e eu poderia vender o frango e os ovos e comprar um cabrito que daria leite, mais cabritos e pele que poderia vender e comprar uma porca, a porca daria bacorinhos e carne que poderia vender e comprar uma vaca que daria leite, vitelos e carne que poderia vender e comprar uma casa e.... já viu o prejuízo que me está a causar ao não pagar o preço desse ovo???? -disse dissimuladamente o taberneiro. 

- Mas senhor, eu não tenho como pagar essa conta toda!- disse humildemente o mineiro.

- Olhe senhor, vemos-nos em tribunal em seis dias porque vou pôr um processo contra si e o juiz vai decidir o que fazer consigo.



O homem saiu da tasca muito triste e assustado com o seu futuro, mas mesmo assim se fez à estrada rumo a Fátima. No caminho, junto a uma fonte, encontrou 3 moedas de 1 escudo que guardou no bolso. Durante o seu percurso, ele encontrou umas alminhas para o céu e ele deixou lá 1 escudo. Passado mais um bocado encontrou umas alminhas para o purgatório e ele deixou lá mais 1 escudo. Um pouco mais adiante encontrou umas alminhas para o inferno e deixou o ultimo 1 escudo. Já estava a ficar muito escuro e ele meteu-se numa gruta para pernoitar e foi aí que desabou num choro de desespero por não saber como vai ser o seu futuro.
Sentiu então uma presença dentro da gruta: era um homem vestido de preto, muito elegante, de lunetas e de pêra bem aparada.

- Então homem, porquê esse desespero?- perguntou-lhe o tal homem.

O mineiro contou-lhe a história tintin por tintin.

- Fique sabendo que eu sou o diabo e gostei muito do facto de você deixar uma esmola nas almas do inferno. Ninguém deixa esmolas no inferno. Não se preocupe, você não tem dinheiro para um advogado e eu serei o seu advogado no tribunal- respondeu-lhe o diabo.

Passaram-se três dias, o homem foi a Fátima e voltou e já se encontrava sentado num banco no tribunal. O juíz queria começar o julgamento mas o advogado do mineiro nunca mais aparecia. Esperaram 1-2 horas até que o juiz disse:

- Bem, mineiro, o seu advogado não vem, terei de começar o julgamento.

E então, naquele momento, o homem de preto entra pela sala de audiências dentro e senta-se junto ao mineiro.
- Sr Dr. Juíz, peço imensa desculpa pelo o atraso mas estava a cozer favas para semear mais tarde.

- E desde quando favas cozidas dão para semear?- perguntou o juiz curioso.


- E desde quando ovos cozidos são pintos?- perguntou o diabo.


O mineiro voltou para casa são e salvo. E consta-se que o filho sobreviveu à tuberculose. "






sexta-feira, 8 de maio de 2015

E ainda sobre títulos académicos II

Fui ao departamento de Hematologia do hospital para falar com a docente da cadeira.
Vou à secretaria do departamento, bato à porta delicadamente e dirijo-me à secretária:


- Bom dia, gostaria de falar com a Professora X....


A secretária olha para mim e dá uma verdadeira gargalhada daquelas do tipo "esta gaja é parvinha":

- Oh jovem, aqui não há Professores só Doutores! Quer falar com a Dra. X, é isso?

Eu: ...


Não me lixem... alguém que ensine alguém (sem ser formador de treta), é e será sempre professor.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Dos Títulos Académicos

Se achamos que em Portugal dão muito valor ao Dr., Eng., Prof. e outros...


... fiquem sabendo que países como na Eslováquia ou República Checa o valor é tanto que está escarrapachado nas caixas de correio dos prédios e até no próprio BI.

sábado, 2 de maio de 2015

Das colecções de miúda

Desde miúda que gosto de coleccionar coisas. 

Julgo que a primeira colecção que comecei a fazer foram os livros da Anita. Não tenho todos os livros desta colecção, mas tenho mais de uma dezena talvez. E tudo se devia às idas raríssimas dos meus pais ao antigo Feira-Nova: sempre que ia com eles, deixavam-me escolher um livro da Anita (já agora, onde é que eles faziam compras se era mesmo raro ir ao hipermercado?)

Depois, já na primária completei uma caderneta e deixei quase duas completas das colecções que saíam na bollycao: duas sobre raças de cães e outra sobre animais em extinção. E meus amigos, acho que foi das colecções que me deram mais gozo completar porque envolvia animais, curiosidades sobre eles. Se vou percebendo alguma coisa de raças de cães, devo agradecer à bollycao
Não, eu não comi tantos bollycaos quanto isso. Comi alguns, admito, mas os maiores traficantes de cromos eram sem dúvida os meus pais: a minha mãe trocava cromos com os alunos dela e o meu pai pedia aos amigos e ao barista lá do trabalho para guardar os cromos para mim. 
E que festa eu fiz quando consegui completar a primeira colecção!!!


Tenho esta caderneta completa! (imagem da net)


Recordo-me também que no mini-mercado do bairro vendia-se também umas chicletes espanholas com um sabor e textura duvidosos, que saiam autocolantes. Havia dois tipos: umas chicletes para rapazes em que saíam fotografias de motos e para raparigas autocolantes com fotografias da Barbie e os seus diferentes vestidos. E claro que eu era uma adepta da Barbie...

Na caderneta, estava explícito que se completasse a colecção toda que poderíamos ganhar um computador (estávamos em 1995, quem tinha um computador em casa???) o que aguçava a nossa insistência a terminar a colecção o mais cedo possível. 
Essa colecção também não a terminei, porque havia cromos que eram impossíveis de arranjar. Muitas vezes, rezávamos uma Avé Maria antes de abrir o papel da chiclete para que saísse o cromo que nos faltava. Ninguém na escola ou no bairro tinha esses cromos, o que nos fazia pensar que eram raros e pouco tempo depois a frustração de não ter esses cromos levou-nos a desistência.


Aos anos que não via isto... eu tentei fazer esta colecção!!! (imagem da net)



Também me recordo que mais ao menos ao mesmo tempo os putos comiam batatas fritas como se não houvesse amanhã. Estávamos na Era dos Tazzos, onde se substituíram jogatinas de futebol e de berlinde por campeonatos de Tazzos no recreio. E mais uma vez agradeço ao meu pai e amigos dele pelas dezenas de tazzos que me arranjaram, fruto das suas tardes pós-trabalho a beber finos e a comer batatas fritas. 

Já em adolescente, como já disse neste blog, gostava de coleccionar revistar revistas da Bravo e Super-Pop e posters. Leonardo DiCaprio fez parte de muitos dos meus sonhos e devaneios e confesso que até à data ainda não me causou qualquer dissabor. 

Infelizmente, quando mudei de casa aos 15 anos, perdi grande parte destas colecções. Penso que só mantive as colecções da Bollycao e os livros da Anita que guardo ainda com muito carinho para gerações futuras...

São recordações de uma infância feliz que sei que muita boa gente partilha a mesma nostalgia comigo.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Caro C.,

Quando na mesa da esplanada disseste-me que já arranjaste alguém, esbocei um sorriso autêntico e desejei-te a maior sorte. Sabia que tal novidade aconteceria mais cedo ou mais tarde, apenas esperava saber quando.

Julgo que os nossos encontros de uma tarde deveriam acabar. Afinal, após a tua novidade, poucos assuntos surgiram à minha cabeça. Não podemos discutir relações, nem podemos fazer mais promessas um ao outro. E tampouco sinto-me à vontade de ir passar uma tarde contigo outra vez. Sentir-me-ia uma clandestina.


O farol, o nosso farol, iluminará os nossos diferentes caminhos de certeza.

Adeus... e já sabes, felicidades :)

sábado, 25 de abril de 2015

25 de Abril

Passaram-se 41 anos da revolução de 1974 e segundo conversas que tenho com pessoas mais velhas, os tempos e os valores sofreram também uma enorme reviravolta.

Uma vez perguntei aos meus pais onde andavam eles no dia 25 de Abril de 1974.

Pai:  O meu pai fazia 19 anos nesse mesmo dia. Era aluno da faculdade de Economia no Porto e segundo me explicou estava de ressaca naquela manhã em que se soube que algo se passava em Lisboa.
E apesar da ressaca monumental, ainda tentou ir às aulas, coisa que não aconteceu porque havia avisos de que as universidades estariam fechadas.
Voltou para a cama para curar-se e só a meio da tarde é que se juntou aos colegas nas manifestações na Avenida dos Aliados onde o grupo de amigos e de pessoas que nunca tinha visto lhe cantaram os Parabéns.
Segundo o meu pai, um dos maiores gozos que teve dessa época, foi mesmo o facto de poder ter um livro sobre o comunismo nas mãos sem qualquer medo...


Mãe: A minha mãe estava em casa dos pais dela numa aldeia minhota. Ainda era aluna do Liceu. O seu maior objectivo era casar-se cedo e bem.
O meu avô, na altura presidente da junta de freguesia, foi das primeiras pessoas a saber na aldeia de que havia uma revolução, palavra essa que era estranha na boca de alguém.
Segundo a minha mãe, toda a família que estava na aldeia fechou-se em casa por ser um local seguro. A televisão ficou ligada boa parte do tempo. Receava-se que algum comunista fizesse das suas. Receava-se até o Padre da freguesia por haver fortes suspeitas de pertencer à PIDE.
Seja como for, as velhas tias da minha avó passaram grande parte do tempo a rezarem, não por um Portugal melhor mas porque receavam que alguma tragédia se abatesse. Mas as preces não foram muito bem atendidas porque alguém pôs fogo num dos maiores campos dos meus avós, destruindo o cultivo e árvores adjacentes e um tractor que la estava parado.  A terra é de quem a trabalha, evocou alguém dias depois ao incêndio. Nunca se descobriu realmente o culpado.
Conseguiram chegar a uma espécie de armazém da família  onde se guardava as ferramentas para uso agrícola e roubaram o que era considerado de valor. Sem antes de pintarem o portão a palavra "Faixista". O mesmo aconteceu com outras famílias mais abastadas da zona.
Segundo a minha mãe, o maior prazer que começou a ter dessa época, foi a vidinha de esplanadas de cafés no centro da cidade (porque eram exclusivas aos homens ou a senhoras casadas) e o facto de poder fumar em público.


25 de Abril desde que me lembro sempre significou almoço de aniversário do meu pai, ou  num conhecidíssimo restaurante na Foz do Neiva ou um piquenique no Gerês ou então um almoço em Guimarães.

Foi no dia 24 de Abril, há 17 anos atrás, que o meu pai foi buscar ao stand um tipo de carro que sempre desejou: um jipe. E foi há 17 anos atrás que o meu pai levou a família a tomar café à noite às esplanadas do Bom Jesus. Se eu era canalha na altura, o meu pai parecia um puto tal o entusiasmo em conduzir uma besta daquelas.

Infelizmente o meu pai já não comemora mais aniversários e o jipe é conduzido ou por mim ou pela minha mãe... E provavelmente hoje terá direito a um carinho no volante...

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Eu é mais bolos...

T (que é gajo): - Fica sabendo, Alima, que serei o pasteleiro de serviço da festa de anos da M. Vou fazer uma especialidade minha...

Alima: - Hummmm o famoso cheesecake de oreos com Nutella que me andas a prometer?

T: - Essa também é uma das minhas especialidades... mas estava a pensar naqueles bolos coloridos... art cake... Sei que a M. gosta dos minions, portanto vou fazer um bolo de camadas coloridas em forma de minion.

Alima: - Se é realmente a tua especialidade, quero realmente provar uma vez que nunca comi desse tipo de bolos.

Festa de anos da M.

T. aproxima-se de mim e diz:

- Porra, Alima, dediquei 5 horas a fazer o bolo, gastei à vontade 50 euros no material e a cobertura ficou uma bosta.


Foto com bolo muito semelhante ao bolo do T. Muito semelhante mesmo.

Alima: - Oh.. mas tranquilo... mas deve estar saboroso... afinal 5 horas é muito tempo.

T.: Claro que deve estar saboroso! Eu pus pouquissimo açúcar porque a cobertura é doce como tudo.


Cantou-se os parabéns, partiu-se o bolo. A fatia consistia num bolo todo multicolorido. Mesmo giro. e que bom aspecto (tirando a cobertura manhosa, claro)

Enfiei o garfo e pareceu-me de textura dura. Optei por comer com as mãos porque o garfo não enfiava propriamente bem... Meto à boca um pedaço e comecei a saborear.

T: - Então Alima, que achas? Está bom?

Alima: - Oh T., a fatia está mesmo bonita. E está muito saboroso. Quero a receita!!!


Menti. A fatia apesar de bonita parecia broa de milho azul, verde, vermelha e amarela com manteiga com uma semana.  

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Verdades Verdadeiras

Esta semana não pode haver erros. O mínimo erro que possa cometer esta semana pode alterar o curso da minha vida. Para sempre.


Pareço nervosa, não pareço? pois...

sábado, 18 de abril de 2015

Factos sobre a Matemática

Aprendi em 12 anos de matemática a calcular derivadas, equações de 1º, 2º e 3º grau, cálculos integrais, a desenhar funções, a fazer cálculos baseados na trigonometria, raízes quadradas e cúbicas, probabilidades, teoremas de Pitágoras, igualdades de Euler  e outras merdas que já não me recordo...


... E NUNCA MAIS PRECISEI DISSO! 

Um muito obrigada a todos os professores de matemática que acham que ensinar tais coisas é ensinar para a vida (not). 



quarta-feira, 15 de abril de 2015

Coisas que me irritam

Quando familiares vêm ter comigo e dizem-me:

- Acho que estás no curso errado: 6 anos é muito tempo. 6 anos mais especialidade é tempo demasiado. O  J. (meu primo) é apenas um dentista a trabalhar em Inglaterra a ganhar milhares de libras e provavelmente nunca vais ganhar tanto quanto ele. Deverias ter ido para dentária, mas é!


Pois é, dear family, se tivesse metido nisto a pensar no dinheirinho que iria trazer ao final do mês, sei que estaria completamente arrasada.

No entanto, deixem-me que vos diga isto. Preferia de longe veterinária a dentária porque bocarras, brocas e cremalheiras? Não, obrigada.

sábado, 11 de abril de 2015

Skype com a mãe


Mãe: - A tua amiga F. disse-me ontem que estás de namorico com uma pessoa... Porque é que nunca me dizes nada, Alima?

Eu: - Mas o que é que há para falar? Eu estou lá de  namorico... Estamos na fase de nos entendermos, infelizmente só pelo Skype... Mas vou puxar as orelhas à F. por ela ser uma língua de trapos quando eu regressar a Portugal.

Mãe: - E quem é ele? Não me queres contar nada? Pormenorzinhos aqui para a sua mãe?

Eu: - Bem, conheci-o no café. Ele sentou-se na minha mesa porque eu estava sozinha, entretida a ler o jornal e porque as mesas do café estava cheias. E eu um bocado contrariada lá o deixei. Ele para me recompensar pagou-me o café. E depois pediu-me o número. E eu disse-lhe que lhe dava o skype porque se o gajo roçasse ao tarado era só e apenas bloquear. E até à data tem provado ser um gentleman. Tão gentleman que pouco depois trocamos de número de telefone e outros cafés até eu ter terminado as férias...

Mãe: E como é ele? Que ele faz?

Eu: - É Eng. na empresa X. Um bocado mais velho que eu... Assim uns seis anos... E vive sozinho na zona Y (que é chique a valer). E gosto do facto de ele ter viajado literalmente por todo o mundo, o que faz com que eu e ele tenhamos algo em comum: gosto pelas viagens...

Mãe: Hummm e que mais?

Eu: Ah... e é divorciado!

Sei que toquei realmente na ferida porque a minha mãe cortou a conversa completamente. Das duas, uma... Ou considera o fulano inadequado para a sua filha... ou então vai cair por terra o sonho de ver a sua filha casar-se pela igreja...

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Praga

 Relógio Astronómico 






 Menino Jesus de Praga



Goulash Checo

domingo, 5 de abril de 2015

Páscoa

Já há dez anos que não celebro uma verdadeira Páscoa.

Sinceramente não sei se guardo saudades desses tempos de criança e adolescente em que vibrava com a Semana Santa na minha cidade nem tampouco com aqueles rituais festivos da época. Mas uma coisa era certa: Páscoa (ou talvez semana que antecedia à Páscoa) era sinónimo de ir à confissão numa igreja. E como eu odiava isso...
O meu pai, ex-seminarista, desde que teve uns arrufos com o Seminário, não punha os pés numa igreja a não ser quando obrigado. E o obrigado significava casamentos, baptizados e funerais. Mas todos os anos, lá ganhava coragem e arrastava a esposa e as filhas para confessarem-se durante a Semana Santa. Eu odiava mesmo isso. Aliás, nós as três odiávamos isso. Detestava a fila que demorava cerca de uma hora, detestava aquela coisa de me sentar à frente de um padre velhote e ele me perguntar que pecados eu cometi. Eu lá sou pessoa de pecar??? Mentir, omitir verdades, desobedecer aos pais, comer um chocolate só porque sim são assim pecados tão graves que me façam ficar numa fila de uma hora??? O que é certo é que há dez anos não pratico tal ritual por o considerar ridículo. Uma coisa era ser obrigada pelos pais, outra coisa é praticar por livre e espontânea vontade, coisa que não acontece.


Páscoa era sinónimo de ir para a aldeia-natal do meu pai passar lá o fim-de-semana. A mesa estava sempre bem apetrechada de coisas boas para o Compasso Pascal. A toalha era sempre de linho bordado do enxoval da minha mãe. Deduzo que o meu pai era minucioso com a mesa talvez apenas para mostrar ao padre e ao seu séquito o quão bem estava na vida, para mostrar que o menino pobre que ele fora já não existia. Era a única altura que enfiava numa gravata sem ser durante o trabalho. Eu achava nojento estar a beijar uma cruz que já fora beijada por outros lábios. Mas pensava sempre que se fazia aquilo, era porque Jesus queria, logo estaria protegida de qualquer herpes. 

Uma das melhores Páscoas que passei foi aquela Páscoa de 1998 em que íamos contrariados para a terra do meu pai e caiu um enorme nevão. Tivemos que voltar para Braga a poucos Km do destino, para grande tristeza e choradeira do meu pai e para alegria nossa. Fomos passar a Páscoa na casa dos meus avós maternos, rodeados de família, das inúmeras primas e de brincadeiras e amêndoas. O Compasso Pascal minhoto, muito mais rico que o beirão, era formado por alguns escuteiros, uma banda filarmónica e uns 6-7 elementos que formavam os mordomos, mais o padre que se reuniram no salão principal . Aí sim, senti uma verdadeira Páscoa e uma verdadeira euforia.




Dez anos passaram-se desde a última vez que celebrei uma Páscoa assim. Estou neste momento a aproveitar umas mini-férias em Praga e subitamente deu-me alguma nostalgia de que coisas que nós detestávamos em crianças fazem um bocadinho de falta agora que somos adultos. Estive ontem de manhã durante cinco minutos a olhar para a imagem do Menino Jesus de Praga e a perguntar-lhe se todo o ódio que tenho por esta altura do ano, por razões que ELE bem sabe, me trará consequências...


Nem na casa da aldeia-natal do meu pai, nem no casarão da minha avó passou hoje o Compasso Pascal. A minha mãe  disse-me que optou por fechar as janelas para não ser incomodada em casa. Aliás, desde que o meu pai faleceu nunca mais abrimos casa ao Compasso Pascal. Em nenhuma dessas casas entrou água benta para dar protecção... Será necessária água benta para expulsar todos os males que nos atinge? 


Boa Páscoa

sábado, 28 de março de 2015

Razões pelas quais se deve discutir com um professor

Na semana passada, tivemos aulas na área da Sociologia com um antropólogo que parecia ser mais novo que eu. O tema era à volta das minorias étnicas, e o porquê de  muitas delas serem rejeitadas pela sociedade em geral.
Rapidamente o assunto voltou-se para os ciganos, considerando que no país que vivo eles são mais que as mães. O antropólogo perguntou-nos o que achávamos deles e a nossa resposta foi cruel mas sincera: em  Portugal, conseguimos tolerá-los até ao momento em que eles pisam o risco (que é quase sempre), em Portugal são mais civilizados do que cá (e mesmo assim...)

De seguida mostrou-nos um documentário de uma família cigana cá da zona: Casaram-se aos 14 anos (por tradição), na altura do documentário já tinham 16 filhos, viviam num casebre bem pior que um estábulo, aparece a cigana grávidérrima a fumar e a acariciar a barriga... Uma coisa à "Feios, Porcos e Maus".
Durante o tal documentário, estávamos completamente revoltados com as atitudes daquela família. Frases como "Se a minha mãe teve 26 filhos, eu também tenho direito a tê-los"... e o professor confundiu a nossa revolta com sensibilidade de "ah... coitadinhos, que miséria"

Então o antropólogo fez um discurso que se poderia chamar de "Coitadinhos dos ciganinhos". Ah e tal porque desde logo foram marginalizados, ah e tal porque ninguém quer dar emprego a ciganos, ah e tal porque eles querem preservar a sua cultura e as suas tradições, ah e tal eles têm muitos filhos porque são pessoas com acesso muito limitado à educação.

Durante o discurso, pelos menos os portugueses tiveram que intervir. Garantimos num rápido que se são marginalizados, são porque querem, se não têm trabalho, é porque não querem. Dissemos logo que as tradições deles são uma coisa que deveriam ficar no passado.

O professor tentou argumentar connosco sobre a importância das tradições e de que a cor da pele interfere muito com o trabalho. 
E então um português levantou-se super descontente com o decurso da conversa e deu o exemplo da escravatura, que era uma coisa banal e agora é condenável. Que os filhos dos escravos, estudaram, entraram na faculdade, são professores, advogados, actores, médicos e até presidentes dos Estados Unidos... Ou seja, não ficaram pelo coitadinhos.E com este discurso do meu colega, aplaudimos a teoria dele, para descontentamento do antropólogo que não conseguia argumentar. 

Ainda assim eu fui mais específica: dei o exemplo dos meus bisavós que eram analfabetos, os meus avós já tinham a 4ª classe, o meu pai teve durante muitos anos apenas o 12º e já eu e a minha irmã somos licenciadas e mestradas (e as mulheres antigamente não tinham tanto acesso à educação). O antropólogo com falinhas mansas argumentou que era um processo evolutivo, que agora cada vez mais se exige graus de estudo mais superiores e eu contra argumentei se se era isso verdade, porque é que os ciganos que são coitadinhos porque são marginalizados e logo não têm trabalho, também não evoluem?



Ás vezes dá-me a sensação que este pessoal pensa que só há vida neste país. Falta-lhes vivências, cingem-se a uma realidade da Europa de Leste e mais nada....E o pior de tudo é que não são capazes de argumentar contra realidades diferentes e de aceitar as realidades tal e qual como elas são. 

quarta-feira, 25 de março de 2015

Da lingerie

Aparentemente durante os primeiros anos de casado, uma das funções do meu avô materno antes de dormir era ajudar a a minha avó a retirar o corpete/espartilho. E pelos vistos aquilo dava uma trabalheira descomunal, com muitos fios e nós à mistura, o que lhe desgraçava parte da noite.


Um dia, numa das suas ida a Braga, nos finais da década de 40, nos claustros do café Vianna, viu um cigano a vender, nada mais nada menos que soutiens franceses, todos eles vistosos e aparentemente muito fáceis de vestir e despir. Sem pensar duas vezes, o meu avô comprou três soutiens: dois para a esposa e um para a irmã caçula que ainda era solteira.

Os soutiens foram muito bem aceites tanto pela minha avó, como pela irmã do meu avô. Sentiam-se mais frescas e com maior capacidade de mobilidade. E consta-se que a irmã do meu avô, rapariguita com os seus catorze anos teve o desplante de à saída da missa, subir a camisa e mostrar aquele ornamento às amigas, enaltecendo as qualidades daquele tipo de sustentação, ficando elas roídas de inveja.

Seja como for, um dos três soutiens em pouco tempo desapareceu do estendal... Consta-se que voou com a brisa.

domingo, 22 de março de 2015

Da comédia

Sempre me considerei uma pessoa com um sentido de humor muito apurado. Infelizmente não sou boa a contar anedotas ou a mandar piadas, mas sou daquelas pessoas que as entende à primeira tentativa.


Julgo que uma boa parte desse sentido de humor que tenho se deve aos inúmeros filmes que vejo desde miúda, muitos deles acompanhados pelo meu pai, homem de igual sentido de humor.

Tenho como eternos heróis de comédia o Rowan Atkisnon em Blackadder ou no mítico Mr. Bean, o Renée Artois d' Allo Allo, o Bud Spencer e o Terence Hill e as suas famosas pancadarias, o Benny Hill ou Archie d' Uma família às Direitas. Tenho como heróis de desenhos animados o Coyote e o Road Runner, o Speedy Gonzalez, o Sylvester e o Tweety,  o Tom e Jerry,

Todas estas personagens foram causadoras de boas barrigadas de riso na minha infância, e talvez ainda o são quando revejo alguns destes programas...

E ontem, quando estive a pesquisar pelo youtube, encontrei sketches de um actor que me é muito querido: Herman José.

Sou do tempo do Parabéns e do Herman Enciclopédia. Acompanhei alguns episódios do HermanManias e do O Tal Canal na RTP Memória, pois são programas bem velhinhos . E considero que é dos maiores comediantes que Portugal teve e se calhar ainda tem.  Trata-se de um homem extremamente versátil: além de falar fluentemente várias línguas, é um tipo extremamente culto, um músico fantástico, consegue reencarnar personagens, quer homens, quer mulheres, de uma forma extraordinária.

Fui parar quase de paraquedas ao sketch do Lauro Dérmio do Não Pirimamparás a Mulher do Próximo, e meus senhores, ri como uma perdida tal como ri da primeira vez em que vi este programa já há quase vinte anos atrás.
De link em link fui vendo quase todos os antigos sketches do Herman e recordei-me do Verão de 1997 na Póvoa de Varzim em que juntamente com o meu pai, o meu tio e os meus primos, assistíamos ao Herman Enciclopédia, depois de jantar, e que quase chorávamos de tanto rir, sob os olhares reprovadores da minha mãe e da minha tia. Recordo-me do meu tio dar pancadas na mesa ou nas costas do meu pai quando a piada era mesmo boa.

A minha personagem favorita talvez seja o Diácono Remédios... ou a mãe dele... ou o José Estebes... sei lá.

Sempre simpatizei com a Maria Rueff e com o Joaquim Monchique, grandes companheiros do Herman, e tal como ele, actores extremamente versáteis. Nunca gramei a Ana Bola, e principalmente a Maria Vieira, considero-as um tanto irritantes.

O Herman José deixou de ser o que era pouco depois de ter entrado para a SIC. O humor deixou de ser humor e passou a roçar a brejeirice na minha opinião. E desde então a sua popularidade foi descendo em espiral, talvez associada ao emblemático Processo Casa Pia, talvez com a ascensão de outros comediantes como os Gato Fedorento, Bruno Nogueira e outros tantos. Mas seja como for, desde que deixou de apresentar o Herman SIC, perdi completamente o rasto dele.


No ano passado, ele deu um espectáculo em Braga e arrastei a minha mãe e a minha irmã para assistir. E foi óptimo. Foi quase o mesmo Herman José dos meus tempos de miúda. Foi tão bom, tão bom, tão bom que só eu e a minha irmã fomos as únicas pessoas na plateia bracarense que demos uma sonora gargalhada quando ele fez uma piada brutal sobre a estação de comboios de Coimbra A e Coimbra B. Sentimos-nos as pessoas mais inteligentes do público (que olhavam para nós do tipo "Onde está a piada?") porque fomos as únicas a entendê-la, não fosse a minha irmã uma eterna estudante de Coimbra.

Seja como for, ainda tenho fé que o homem volte a ser o que era. Que se deixe de personagens patéticas e que volte às velhas e boas personagens (ou que recrie umas tão boas como as dos seus tempos de glória).

quinta-feira, 19 de março de 2015

Run, Run, Run...

Aceitei na semana passada um desafio do meu recém amigo P..

Combinamos que por dia, cada um terá que correr no mínimo 3km (ou caminhar rápido, vá). Ele correrá por Braga, eu correrei por estas bandas. Ele tem a vantagem de já fazer isso todos os fins-de-semana, porque o cabrãozinho tem apartamento na praia Amorosa (que habita durante o fim-se-semana) e tem mesmo que correr para fugir do vento :):):) 

Numa fase inicial, parecia que ia morrendo. O meus músculos estavam doridos e pesados. Depois comecei a tomar suplementos de magnésio e a coisa melhorou bastante.

Já instalei a aplicação da Nike para jogging no smartphone, mas sinceramente não atino com aquela treta.

Agora descobri que não muito longe daqui, há um lago com uma marginal para correr. E não quero outra coisa.  


A ver vamos quanto tempo cumprirei o desafio... A ver vamos... 



PS. A as músicas da BSO d' "As 50 sombras de Grey" está 5estrelas  para correr 

terça-feira, 17 de março de 2015

Still Alice

Consegui ver finalmente um dos filmes do momento. Penso que este filme sem a Julianne Moore não seria a mesma coisa. Até consegui simpatizar com a Kristen Stewart, como é possível? Além de muito bem feito, considero-o minimamente perturbador. Até que ponto da nossa vida poderemos considerar realmente vida? Não são as nossas memórias e o que realmente somos que nos caracteriza como vivos?


Felizmente não convivo directamente com alguém com Alzheimer. Lidei com talvez centenas de idosos com esta patologia em termos profissionais, volta e meia lá me cruzo com um e outro nas aulas de neurologia mas that's all about it. No entanto, como as minhas ambições em termos profissionais estão inclinadas para a medicina interna, julgo que terei que aprofundar um bocado mais este tema. 

Infelizmente, numa perspectiva popular, todas as pessoas que sofrem de lapsos de memória ou com demência, são catalogadas como doentes de Alzheimer, coisa que muitas vezes não o são. Segundo o meu prof. de Neurologia, a culpa disso tudo está no preço dos exames mais específicos para identificar que tipo de demência é. Por sorte, o tipo tratamento farmacológico das demências são muito coincidentes.

Recordo-me de uma antiga cuidadeira da minha avó ter diagnosticado à minha avó um Alzheimer muito profundo e eu prontamente lhe elogiei o facto de ela ter talvez a escolaridade obrigatória e de fazer um diagnóstico médico desses assim sem TAC's, nem SPECT/CT, sem nunca olhar para um resultado de análises...ou para as cartas da Maya...

Recordo-me de uma tia do meu pai, mulher que desde logo trabalhou em França afincadamente. Era uma mulher muito alegre, sempre bem disposta. Trabalhou até à idade limite e foi obrigada a reformar-se. Veio definitivamente para Portugal. Em seis meses começou a ter desvios de comportamento, lapsos de memória. Em bom português, começou a pirar. O marido levou-a a vários centros de psiquiatria e neurologia. Do Porto a Lisboa, procurou os melhores especialistas. Todos os médicos davam a sua opinião, prescreviam coisas diferentes, não havia coerência. E porque erros de médico, a terra os cobre, morreu de overdose medicamentosa em poucos meses, porque optaram por tomar tudo o que cada médico prescrevia. 

Recordo-me de a irmos visitar a casa, poucas semanas de ela morrer: estava a balançar-se num banco na cozinha, completamente apática, a barbar-se e a produzir sons incompreensiveis. Não era de todo a mesma tia que tinha visto em Agosto do ano anterior, aquela mulher que tinha arrastado o marido para a pista de dança num casamento. O que de mais semelhante que tinha visto até então, eram os miúdos com paralisia cerebral lá da escola. O marido dela tinha as portas trancadas à chave porque ela fugia de casa. Ela passou a dormir num quarto pequeno da casa, em que só cabia o colchão, porque ela se tornava agressiva especialmente à noite. Guardava tudo que fosse produto tóxico, porque a tinha visto a beber líquido da loiça.

Estamos a falar em 1999, altura em que não se falava em cuidadoras ao domicilio, em que a palavra lar de idosos era um sitio do inferno, ou seja, essa tia do meu pai, ficava à inteira responsabilidade do marido com quase 80 anos que tinha voltado para Portugal para gozar a velhice e não para cuidar de uma moribunda. 

Defendo a posição da Alice no filme: entre sofrer Alzheimer (e perder todas as suas memórias e identidade) e Cancro, talvez o Cancro seja a doença mais socialmente aceitável: afinal de contas há inúmeras campanhas para ajudar pessoas com cancro, as pessoas ostentam laços, participam em corridas, teria com que lutar e motivos para lutar....coisa que Alzheimer (ou outra demência) é visto como doença progressiva de velhos

(E sim, torci para que ela tivesse tomado os comprimidos...)


sábado, 14 de março de 2015

Coisas que me irritam

Quando converso sobre algum assunto relacionado com saúde e me perguntam:


- Aprendeste isto quando eras enfermeira ou foi no curso de medicina?


Começo a pensar seriamente que as pessoas pensam que ando a passear livros por estas bandas... só pode...

quarta-feira, 11 de março de 2015

Soooo Highhhhhhhhhh

Estava eu no calor dos cobertores enquanto via umas séries, deitada na cama quando alguém bateu à porta do meu quarto de forma violenta.
Fui a correr ver quem estava tão desesperado e constato que é uma rapariga da residência que choramingava e  tremia feita varas verdes. 
Trouxe-a para dentro do quarto e a rapariga em tom  de desespero diz-me que a drogaram e que a tentaram violar. Perguntei quem foi tinha sido e ela disse que foi um amigo meu. Deixei-a no meu quarto para lhe fazer um chá na cozinha e no corredor encontrei o presumível agressor. Perguntei-lhe o que se teria passado. Ele respondeu-me que ambos mais um grupo de amigos estiveram a fumar uns charros e que ela ficou agressiva e psicótica. Expliquei-lhe o que ela me tinha contado ao que ele jurou que por livre e espontânea vontade resolveu acompanhá-los para uns charros. 

Dei o chá à rapariga e ela realmente só falava que ia morrer, que sentia o seu coração disparado, que sentia falta de ar. Tentei sossega-la explicando que marijuana não é tão forte quanto a cocaína e heroína e que isto não passava de uma impressão dela. Mas ela categoricamente negava e achava que eu estava a mentir-lhe. Ficou até agressiva comigo. Aconselhei-a a dormir ao qual era relutantemente aceitou.

No dia seguinte não se recordava de nada. 

sábado, 7 de março de 2015

Greguices

No meu grupo, apesar de sermos maioritariamente portugueses, existem iranianos, noruegueses, um ingles, uma israelita e uma grega.
A Panaguiota é uma uma grega muito queridinha, que tem um sotaque inglês com retoques de grego o que faz com que ela fale de forma muito fofinha.
A Panaguiota tem feito tudo por tudo para se infiltrar no grupo dos portugueses porque segundo ela, são o povo dentro do grupo mais semelhante aos seus compatriotas gregos. Então, para que tivesse temas de conversa, resolveu pesquisar um pouco sobre a cultura lusitana.


Terça à tarde na esplanada. Portugueses e a Panaguiota. Diz ela:

- Estive a ler um bocado sobre a vossa gastronomia e descobri que vocês gostam muito de bacalhau.
 - Sim, é verdade... há 1001 maneiras de fazer bacalhau de acordo com a gastronomia portuguesa.- alguém respondeu.
- Estive no youtube a pesquisar sobre as vossas músicas. Gostei muito do fado.
- Os portugueses, em especial os mais jovens, não são grandes adeptos do fado... Asssocia-se a coisa de velhos... Se bem que cada vez mais existem fadistas jovens e as coisas estão a mudar.- respondi.
- Oh,,, eu estive a ouvir umas músicas de uma banda portuguesa... mas não me recordo do nome. Deixa-me verificar no meu telémovel.


A grega encontra a música e a banda em questão. A banda era a (penso que já extinta) Delfins. Risota geral. 


Quem ouve Delfins?