segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Do Português manhoso...

No lar onde a minha avó reside atualmente, há uma auxiliar de geriatria que essencialmente é fonte para uma boa barrigada de riso.

Trata-se de uma senhora com os seus quarenta anos, baixinha e loirinha, com ar muito ingénuo, que segundo ela, foi criada por um padre transmontano desde a sua meninice, numa aldeia de Bragança.
Seja como for, a senhora, assim que morreu o seu benfeitor, pegou nas suas coisas e veio viver para o Minho onde se tornou auxiliar de geriatria.
O seu português com aquela pronuncia transmontana assim como o calão transmontano faz com que educadamente lhe pedimos para que repita o que acabou de dizer.

E no Verão passado, quando fui visitar a  minha avó, ela veio ter comigo para conversar um bocadinho:

- Sabe menina, eu até gosto muito de trabalhar com velhinhos... Uns dias eles estão bem, outros dias menos bem... é um coisa complicada... Olhe, por exemplo, na semana passada o Sr. José estava com um tôma e nós não sabíamos porquê... e passado outro dia, um tôma na cabeça, outro no olho, outro tôma aqui no braço (apontando para uma zona do braço)... Uma chatice... Mas sabe, a sra. Enfª, diz que é por causa da medicação que faz com que ele ganhe facilmente tômas, mas eu não sei não...


Ela falava, falava e falava e eu só pensava: QUE RAIO É UM TÔMA?

À saída do lar e ao passar na sala de estar, onde alguns idosos estão grudados à tv, a auxiliar viu-me a passar no corredor e chama-me para entrar na sala. 
- Oh menina, venha ver o que lhe falei do sr. José.  Já viu uma pessoa assim com tantos tômas?

Eu vislumbro o velhote. Sim, estava um valente "galo" na testa e tinha o olho enegrecido...


- AHHHHH HEMATOMA!!!

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