quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Carta a uma companheira das ramboias que inesperadamente faleceu

Cara D.,
soube na passada segunda-feira da tua partida.
A minha primeira reacção foi a de incredulidade. Depois de revolta. Só depois de tristeza. 
Não éramos propriamente amigas, mas compartilhava-mos o mesmo gosto pelo mesmo bar com música jazz ao vivo, pelo gin tónico daquele bar e pelos assuntos que iam surgindo à mesa. Eras amiga das minhas amigas, nunca foste propriamente minha amiga porque só aparecia nos encontros nas minhas férias, logo nunca deu tempo para cimentar uma amizade.

Soube que entraste no hospital no fim-de-semana com possível gastroenterite... e que de lá não saíste viva... como é possível? 


Coincidência do caraças, o teu ultimo post no facebook foi sobre o preço ofensivo do parque de estacionamento do Hospital de Gaia... 


Espero que o local onde a tua alma está agora seja um local bem melhor que este. Que continue a ter gin tónico com rodelas de pepino ou ramos de hortelã-pimenta. Que tenha o mesmo barzito escuro com a mesma músiquinha de jazz e uns barmans jeitosos como tudo. Que desse lado o tabaco não faça mal.

Que este não seja um desfecho total de uma vida.


PS. Tentaremos deixar um lugar à mesa à espera que te sentes lá. Reserva uma mesa para nós também, desse lado, já agora.


Alima

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