terça-feira, 11 de novembro de 2014

A pólvora e as castanhas

O meu primo Artur é dos meus primos favoritos. Tenho um carinho fraternal por ele. Talvez por ter sido dos primos favoritos do meu pai. Aquela figura sabe-me encher o ego. Se alguém na aldeia ainda não sabe que sou estudante de Medicina e a minha irmã Farmacêutica, ele é menino para berrar a altos pulmões o orgulho que tem nas priminhas. Facto que já nos deixou em situações... constrangedoras... nas férias passadas.


O Artur sempre foi um marialva de primeira. Partidas é com ele. Já levei algumas mangueiradas de água fria e farinha nas brincadeiras às vezes parvas dele. Mas esta história que te tenho para contar foi mesmo hilariante.

O Artur, andava ele a guardar vaquinhas na cavada perto das minas já desativadas quando encontrou pólvora.
Todo contente, meteu alguma pólvora no bolso do casaco e foi para casa. Antes de chegar a casa, ao passar na casa da tia não-sei-quê e sentiu o cheirinho maravilhoso a castanha assada. Com  toda a vontade do mundo, entrou na casa da velha, que estava de pernas afastadas (sem cuecas por sinal) e de saias levantadas a tentar atiçar o fogo, abanando com um abanador.

- Ai cachopo, esta madeira ainda está verde e não arde...e tenho aqui umas castanhinhas que não vão assar bem- disse-lhe a velha.
- Oh tia, eu tenho aqui um pozinho que se meter no lume, isso vai atiçar...
- Olha... bota aí um bocado para ver como vai ficar.

E o Artur meteu a pólvora. Conclusão: explosão na cozinha, umas telhas de ardósia voaram, os vidrinhos da janela partiram e um panelo de ferro que estava junto ao fogo rebentou.


Perguntei ao Artur:
- E as castanhas assaram?

Ele disse-me:
- Então não assaram? E nem queiras saber como ficou a castanha que a velha tinha no meio das pernas!
A casa beirã da velha que queimou a castanha :)
True story

0 impressões:

Enviar um comentário