sábado, 29 de novembro de 2014

Ter uma semana intensiva na cirurgia/gastroenterologia foi interessante para saber que:

- é possível engolir uma escova de dentes, durante o acto da higiene oral, segundo a paciente.
- não é assim tão raro alguém chegar ao hospital com um desodorizante spray enfiado no respectivo traseiro.
- e quem diz desodorizantes, diz outros objectos cilíndricos de aspecto fálico que ficam empancados por descuido.
- que não é assim tão raro a tricotilofagia (distúrbio psicológico onde a pessoa tem o hábito de comer os próprios cabelos) e que depois aquilo quando removido do estômago é assim uma bola de pêlo com a consistência de uma pedra bahhhhhhhc
- que o acto de manusear um endoscópio é semelhante à maneira como eu jogo videojogos: inclina-se a cabeça, inclina-se a cabeça, retrai-se a cabeça em cada curva, contra curva e travagem.


Que semana mais divertida... hum hum

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

E durante o fim de semana vi o filme "Sei Lá"

E cheguei a brilhantes conclusões:

1. A roupa que se usava em 1999 é exactamente igual à que se usa em 2014.

2. As betas de Lisboa quando se encontram para jantares só de betas, é só para falar mal dos homens. 

3. Basta apertar os tomates de um marido traidor, para que ele pondere assim à primeira em passar a ser um esposo fiel.

4. Ter trinta anos e ter um apartamento acima do espectacular em pleno centro de Lisboa é uma coisa que era possível em 1999.

5. Em 1999, uma beta lisboeta com 30 anos já era uma jornalista conhecida e que até tinha a possibilidade de pedir o salário que pretendia.

6. A Leonor Seixas representou uma personagem que é tal e qual a Margarida Rebelo Pinto, coisa que eu sinceramente odiei.

7. A banda sonora era 100% beta. 

8. No filme aparece algumas falas em que a protagonista trata alguém por Você. Isso não é falta de respeito?

9. A única coisa que realmente gostei do filme foi o cabriolet verde do Cerdeira. 

10. A Margarida Rebelo Pinto, essa que pensa ser a Florbela Espanca deste século, continua a ser uma merda de escritora, com livros de merda, uma fútil de merda, com atitudes de merda.

 Ah e tal, como sabes que ela é uma escritora de merda, Alima? Talvez porque li alguns livros dela, sacadinhos na internet ou porque às vezes encontro os livros dela a preços de chuva no OLX, o que faz com que os leia e os ofereça a amigas que adoram a gaja.

domingo, 23 de novembro de 2014

Conversa de moucas

Enquanto o professor lia o powerpoint sobre Malárias, Ébolas e Degues, na cadeira Medicina Tropical, eu e a J., portuguesa do Puorto, começamos a conversar baixinho.

- Com estas doenças todas que acontecem nestes países, nem dá bontade nenhuma de os ir visitar...- sussurra a J.

- Olha, eu cá gostaria de visitar Cabo Verde. E não quero morrer sem ir a Angola primeiro. Mas primeiro tenho de conhecer algumas cidades pela Europa... tipo Viena.- digo-lhe baixinho.

- BIANA? Tu qu' és de Braga nunca foste a BIANA DO CASTELO???- pergunta-me com ar assustado.

- Oh burra, claro que já fui a Viana! Estou a falar de V-I-E-N-A! A de Áustria e que também tem muitos castelos. - respondo-lhe meia perdida de riso.

- Oh... Eu já fui a BIANA e a BIENA. Mas gostava de ir a Praga. Quando bamos a Praga as duas?

- Oh pah, quando eu estiver por Braga vais lá fazer-me uma visita e eu levo-te a conhecer a cidade.- respondo-lhe.

- Oh burra, PRAGA, não BRAGA!!!- diz-me de uma forma zangada mas divertida.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Agosto 2014- Festa de S.Bartolomeu (Ponte da Barca)

Eu e mais uns amigos íamos numa carrinha de 12 lugares rumo à romaria.
Diz a M.:
- Vamos estacionar a carrinha na casa de uns amigos dos meus pais porque eles têm a casa mesmo no centro logo não vamos ter chatices de arranjar spot para estacionar. Eles são uns porreiros. Os filhos deles também: o mais novo acabou agora medicina e a mais velha está a tirar medicina para a Rep Checa ou Letónia ou coisa do género... mas atenção: não se devem rir da forma como ela fala! Estão a-v-i-s-a-d-o-s!

Claro que ficamos com a pulga atrás da orelha para saber de que falava a M.

Chegados à casa dos amigos dos pais da M., fomos muito bem recebidos por dois dedos de conversa, um caldinho verde e um grelhadito de simpatia, coisa que aceitamos por educação e não porque estávamos com fome. Fomos apresentados aos filhos do casal. E sim a filha deles tinham uma forma de falar estranha. Basicamente o que mais me deixava desconfortavel era o facto de tudo que fosse J ela dizia X e o que terminava em plural ela terminava num sibilo com X. Portanto, o João naquela noite chamava-se Xoão e carros era carrox. 

Já no calor da festa, no meio da multidão, entre finos, ginginhas e outras misturas, inconscientemente gozávamos com a rapariga forte e feio, era o Xoão, era o Vila Franca de Xira ou seja puxávamos o que de parvo tínhamos em nós.. E como ela também estava sob o calor da noite, não se apercebia de nada, digo eu.


Outubro de 2014- Porta da Faculdade aqui da parvónia

Eu e o F. estávamos sentados nos bancos e aproximam-se um rapaz e duas raparigas que cumprimentam o F. entusiasticamente. O F. apresenta-me como colegas portugueses de transferência. Surge então uma conversa animada entre nós os cinco. Uma das raparigas fala qualquer coisa cujo tema não me recorda mas cuja forma de falar era-me familiar.

Destemida afirmei:
- És nortenha como eu!

Ela respondeu:
- Sou poix... sou minhota.

De uma forma séria disse-lhe:
- Deves ser do Alto Minho... Arcos ou... Ponte da Barca!

A miúda:
- Oh! Sou de Ponte da Barca! Como adivinhastex? Que xiro!

:D :D :D :D 

Não... eu não lhe disse que era pela forma como ela falava, porque nem sotaque posso chamar... Aliás, fiquei a saber mais tarde que ela trabalhou dois anos em Vigo onde provavelmente captou aquele sotaque galego... digo eu... 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Carta a uma companheira das ramboias que inesperadamente faleceu

Cara D.,
soube na passada segunda-feira da tua partida.
A minha primeira reacção foi a de incredulidade. Depois de revolta. Só depois de tristeza. 
Não éramos propriamente amigas, mas compartilhava-mos o mesmo gosto pelo mesmo bar com música jazz ao vivo, pelo gin tónico daquele bar e pelos assuntos que iam surgindo à mesa. Eras amiga das minhas amigas, nunca foste propriamente minha amiga porque só aparecia nos encontros nas minhas férias, logo nunca deu tempo para cimentar uma amizade.

Soube que entraste no hospital no fim-de-semana com possível gastroenterite... e que de lá não saíste viva... como é possível? 


Coincidência do caraças, o teu ultimo post no facebook foi sobre o preço ofensivo do parque de estacionamento do Hospital de Gaia... 


Espero que o local onde a tua alma está agora seja um local bem melhor que este. Que continue a ter gin tónico com rodelas de pepino ou ramos de hortelã-pimenta. Que tenha o mesmo barzito escuro com a mesma músiquinha de jazz e uns barmans jeitosos como tudo. Que desse lado o tabaco não faça mal.

Que este não seja um desfecho total de uma vida.


PS. Tentaremos deixar um lugar à mesa à espera que te sentes lá. Reserva uma mesa para nós também, desse lado, já agora.


Alima

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Do Português manhoso...

No lar onde a minha avó reside atualmente, há uma auxiliar de geriatria que essencialmente é fonte para uma boa barrigada de riso.

Trata-se de uma senhora com os seus quarenta anos, baixinha e loirinha, com ar muito ingénuo, que segundo ela, foi criada por um padre transmontano desde a sua meninice, numa aldeia de Bragança.
Seja como for, a senhora, assim que morreu o seu benfeitor, pegou nas suas coisas e veio viver para o Minho onde se tornou auxiliar de geriatria.
O seu português com aquela pronuncia transmontana assim como o calão transmontano faz com que educadamente lhe pedimos para que repita o que acabou de dizer.

E no Verão passado, quando fui visitar a  minha avó, ela veio ter comigo para conversar um bocadinho:

- Sabe menina, eu até gosto muito de trabalhar com velhinhos... Uns dias eles estão bem, outros dias menos bem... é um coisa complicada... Olhe, por exemplo, na semana passada o Sr. José estava com um tôma e nós não sabíamos porquê... e passado outro dia, um tôma na cabeça, outro no olho, outro tôma aqui no braço (apontando para uma zona do braço)... Uma chatice... Mas sabe, a sra. Enfª, diz que é por causa da medicação que faz com que ele ganhe facilmente tômas, mas eu não sei não...


Ela falava, falava e falava e eu só pensava: QUE RAIO É UM TÔMA?

À saída do lar e ao passar na sala de estar, onde alguns idosos estão grudados à tv, a auxiliar viu-me a passar no corredor e chama-me para entrar na sala. 
- Oh menina, venha ver o que lhe falei do sr. José.  Já viu uma pessoa assim com tantos tômas?

Eu vislumbro o velhote. Sim, estava um valente "galo" na testa e tinha o olho enegrecido...


- AHHHHH HEMATOMA!!!

Carta a uma jovem mãe que partiu

Soube da tua morte na noite de S. Martinho. Apesar de não me recordar muito bem de ti, sei que nos cruzamos diversas vezes, não fosses tu minha caloira, minha antiga colega de curso.

Fiquei chocada e revoltada com a tua morte apesar de não te conhecer. Sou uma valente lamechas no que toca a dramas destes, especialmente quando me são próximos. A onda de solidariedade por parte de colegas nossos ocupou o meu facebook durante os dias em que lutaste e o dia em que partiste. Deves ter sido uma pessoa maravilhosa, porque foram mesmo muitas as mensagens de pesar.  

Nos dias de hoje, no nosso Portugal, ninguém morre nas mesmas circunstâncias que tu. A mortalidade materna em 2012, segundo pesquisa, rondou os 4.5 por cem mil mulheres. E pelos vistos, 2014 foi o ano em que entraste para tais macabras estatísticas. A palavra lúpus é uma palavra feia que infelizmente ajuda muitas pessoas a ter um fim ainda mais feio. 


Mais uma vez volto-me a questionar a existência de Deus... Afinal, se Ele existe, onde estava Ele quando lutavas pela tua vida e pela vida do teu bebé? Não me venham com tretas, que assim foi a vontade Dele e que o ser humano não tem legitimidade de ficar ofendido com os joguinhos fatídicos de um Ser Supremo mesquinho. 

O lugar de uma mãe é junto ao filho recém-nascido e não prostrada num caixão, vítima de uma fatalidade. O lugar de uma mãe é junto à família que tem desde sempre e que há pouco tempo constituiu.
Porque foste mãe, filha, neta, prima, amiga, colega de trabalho, vizinha e agora não passas de uma recordação.
Aposto que as horas que em estiveste viva após o parto, foste à tua maneira, uma excelente mãe. Serias ainda melhor mãe se tivesses tido oportunidade. Tal como aposto que o teu desaparecimento precoce e dramático seja motivo para que pensemos que nós neste mundo não passámos de pó.
Sabias das consequências de levar esta gravidez adiante. E mesmo assim a levaste. O milagre de sobreviveres não aconteceu, mas o nascimento do teu filho é meio milagre. Não é um milagre inteiro porque tiveste que abdicar da tua vida. 

Espero que o lugar onde estás agora seja bem melhor que o lugar de onde acabas de partir. Espero que desse lugar possas velar por aqueles que te amaram em vida e que sentirão a tua falta... e se não existe esse lugar, qual foi realmente o objectivo da tua partida tão abrupta?

Alima 


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Como convidar, desconvidando uma pessoa

11 de Novembro, dia de S. Martinho

Digo para uma amiga:

- Comprei umas castanhas para hoje  à noite. S.Martinho sem jeropiga é naquela, mas S. Martinho sem castanhas não dá com nada. Sempre gostei de celebrar este dia. Não queres vir comer castanhas para comemorar o dia?

A amiga, tira os óculos e diz muito séria para mim:
- Sabes bem que não vou comemorar isso, porque eu não acredito em santos.


As castanhas estavam óptimas, miga :)

terça-feira, 11 de novembro de 2014

A pólvora e as castanhas

O meu primo Artur é dos meus primos favoritos. Tenho um carinho fraternal por ele. Talvez por ter sido dos primos favoritos do meu pai. Aquela figura sabe-me encher o ego. Se alguém na aldeia ainda não sabe que sou estudante de Medicina e a minha irmã Farmacêutica, ele é menino para berrar a altos pulmões o orgulho que tem nas priminhas. Facto que já nos deixou em situações... constrangedoras... nas férias passadas.


O Artur sempre foi um marialva de primeira. Partidas é com ele. Já levei algumas mangueiradas de água fria e farinha nas brincadeiras às vezes parvas dele. Mas esta história que te tenho para contar foi mesmo hilariante.

O Artur, andava ele a guardar vaquinhas na cavada perto das minas já desativadas quando encontrou pólvora.
Todo contente, meteu alguma pólvora no bolso do casaco e foi para casa. Antes de chegar a casa, ao passar na casa da tia não-sei-quê e sentiu o cheirinho maravilhoso a castanha assada. Com  toda a vontade do mundo, entrou na casa da velha, que estava de pernas afastadas (sem cuecas por sinal) e de saias levantadas a tentar atiçar o fogo, abanando com um abanador.

- Ai cachopo, esta madeira ainda está verde e não arde...e tenho aqui umas castanhinhas que não vão assar bem- disse-lhe a velha.
- Oh tia, eu tenho aqui um pozinho que se meter no lume, isso vai atiçar...
- Olha... bota aí um bocado para ver como vai ficar.

E o Artur meteu a pólvora. Conclusão: explosão na cozinha, umas telhas de ardósia voaram, os vidrinhos da janela partiram e um panelo de ferro que estava junto ao fogo rebentou.


Perguntei ao Artur:
- E as castanhas assaram?

Ele disse-me:
- Então não assaram? E nem queiras saber como ficou a castanha que a velha tinha no meio das pernas!
A casa beirã da velha que queimou a castanha :)
True story

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Querida S.,

Se há coisa que respeito é religião. Mas se há coisa que me tira do sério são pessoas cegas por religião, em que a religião é a pedra basilar para tudo. Se as coisas correm bem, foi Deus que assim o fez, se as coisas correm mal, foi Deus que assim o quis.

Ás vezes este tipo de afirmações irritam-me imenso. Parece que os seres humanos não têm livre arbítrio de fazer o quer que seja de bom: tudo é vontade de Deus.

Isto faz-me recordar aquela piada que se conta no hospital em que um paciente com uma doença lixada está a morrer, os médicos fazem tudo para o salvar, acabam por o salvar, explicam a situação à família que lhes diz: "Vou imediatamente correr para a igreja, acender uma velinha para agradecer a Deus".

Portanto, querida S., agradeço que não me convide para cultos, orações e leitura/interpretação de Bíblia. Agradeço que sempre que vou visitar-te não tenha constantemente o canal da tua igreja em altos berros com pessoas a falar e a cantar em português brasileiro que Deus é amor e tudo o resto.  Aliás, sabes muito bem a opinião que tenho sobre tais igrejas...

Agradeço que não me cites a Bíblia para me dizeres que vou para o Inferno. Aliás, a tua teoria do anti-cristo e apocalipse, chips e bestas deram-me vontade de rir. Nem parece que és uma mulher das ciências, caramba!

Agradeço que não me digas que conheces Fulano, Sicrano e Beltrano que a) era homossexual, abraçou a tua igreja e tornou-se hetero; b) tinha uma doença incurável que ficou curada graças ao teu pastor; c) estava com problemas conjugais e monetários e diabo ao quatro e tudo se resolveu graças ao poder da oração assim que se converteu.

Agradeço que não enchas o meu facebook com actualizações tuas que são exclusivamente de trechos da bíblia ou de citações de uns bispos da tua igreja sobre Deus, Amor, Família, Casamento e condenação de quem pratica sexo anal até!

Como sabes não sou de modas, logo dificilmente me conseguirás cativar para essas coisas. Respeito quem seja cativado como respeito quem quer tentar cativar (se bem que detesto abordagens na rua de velhotas que querem falar sobre a palavra de Deus), mas eu cá, como já te disse, sou de personalidade difícil para estes assuntos.

A sério S.,não te dês tanto ao trabalho para salvar a minha alma...

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Budacoiso


Fui lá passar mais um fim-de-semana para a passeata e farra... Budapeste é para mim das cidades mais bonitas da Europa. Segundo os meus companheiros de viagem, Budapeste é uma espécie de Paris de Leste, algo que não posso afirmar ainda porque apesar de já ter ido a capitais do mundo um pouco mais...exóticas, ainda não pus os pés em Paris. Estive em Kiev, em Moscovo, em Riga, em Telaviv ou até mesmo em Bogotá... mas nunca na badalada Paris  :)

O que me faz gostar tanto de Budapeste é o facto de ser uma cidade histórica, com história e causadora de boas histórias.
Visitar Budapeste é tão corriqueiro para mim como fazer compras a Vigo: mudo de país, mudo de cultura, mudo de ares e posso sempre voltar no mesmo dia. E depois tem aquela vantagem de ser o florint húngaro como moeda, o que faz com passear por lá seja baratinho... Além disso, os melhores kebabs de sempre são comidos em Budapeste (gregos e turcos foram e continuam a ser uma influência brutal na cidade, segundo a História Húngara ).

E por ser uma cidade barata, faz com que pense duas vezes antes de explorar Viena, outra capital que ainda não fui por restrições de tempo e económicas. Mas tenho a certeza que até ao Natal vou lá dar um pulinho... 




 Cemitério de Karepesi: tanto tem de assustador como de bonito :) Aquilo demora 1 h a ser visitado por ser tão grande. Sei que o Dr. Semmelweis está por lá mas não encontrei a campa dele...



 Memorial às vítima Húngaras do Holocausto. Trata-se de estátuas de sapatos de tamanho real em memória aos judeus que foram fuzilados e lançados ao rio Danúbio  pelos Nazis, em que antes do seu ultimo suspiro, teriam que tirar o calçado.

Muitas fotos se tiraram... pena o blogger estar a tentar meter nojo e não mas deixar públicar..

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Das Amizades

Há muitos anos atrás, um antigo colega de liceu do meu pai foi transferido para a mesma repartição do exército onde o meu pai trabalhava. E como duas pessoas de oriundas de uma terriola distante, consolidaram um forte laço de amizade.

Cervejas pós-fim do serviço para aqui, jantares e almoços para acoli, o colega do meu pai começou a frequentar amiúde a nossa casa... enfim... pareciam dois irmãozinhos.

Até que chegou o dia em que todos os elementos da repartição teriam que se avaliar uns aos outros para obterem Louvores. O meu pai, por amizade e porque foi na cantiga do amigo do "já que somos da mesma terra, temos de nos ajudar um ao outro", deu nota máxima (Muito Bom ou Excelente, não me recordo qual a máxima) ao amigo, enaltecendo em meia dúzia de linhas as qualidades que o amigo tinha... 

O amigo do meu pai, aquele que tinha sido transferido para a mesma repartição algumas semanas antes, o mesmo que andou no mesmo liceu e que frequentava a nossa casa avaliou-lhe com um simples Satisfaz, escrevendo na meia dúzia de linhas que o meu pai era preguiçoso, que se baldava do serviço, que provavelmente teria problemas de alcoolismo que poderiam ameaçar a sua conduta. 

Quando o meu pai soube desta avaliação do seu amiguinho ficou seriamente triste, como é de esperar, com a atitude dele. Julgo que nunca se dignou de confrontá-lo perante aquela avaliação,. 

Perante as avaliações Muito Boas ou Excelentes de todas as patentes, o meu pai recebeu mais um louvor nesse mesmo ano. Portanto, aquela avaliação de Satisfaz foi apenas uma pequena areia na bota da tropa dele. 

Sei que o amigo ainda se tentou justificar com "Tu estás sempre a receber Louvores, está na altura dos outros também receberem".

Esta história foi-me contada pela minha mãe poucos anos depois do meu pai falecer, enquanto eu estava a tirar os quadros dos Louvores da parede para os limpar. 

Imediatamente comecei a pensar que o meu pai, para um homem adulto, foi muito muito ingénuo. Uma ingenuidade de um garoto de doze anos que espera que o amigo lhe dê todas as respostas do teste de Matemática. No meu pensamento, achei que não cairia numa destas. Ou pelo menos com esta lição nunca irei cair. 

Adoro ler e reler os Louvores que estão expostos pela casa. A minha palavra favorita neles escrita é ALTRUÍSMO. Linda palavra, não é?