sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O morto e as castanhas

Contou-me o meu avô paterno que no seu tempo de cachopo, quando morria alguém na aldeia, o velório era feito na própria casa do morto.

Ora numa altura, morreu alguém da aldeia no tempo das castanhas. E como a pobreza era tanta e a cama do defunto era necessária, resolveram colocar o defunto no chão da cozinha, chão que era feito de tabuinhas não pregadas a traves.
No andar de baixo das casas, existia ou a adega, ou um galinheiro ou o curral.

O meu avô, um mariola de primeira, queria participar no velório que decorria durante a noite, não pelo respeito ao morto, mas porque estavam a assar e a comer castanhas assadas junto ao defunto. Mas como era um puto, os mais velhos correram-no da cozinha para fora.
O meu avô teve uma ideia brilhante: calculou mais ou menos o local onde estava o morto prostrado no chão e no andar de baixo, com o auxilio de um pau, levantava as tábuas. E ao levantar as tábuas, levantou a cabeça ao morto várias vezes. As pessoas que viram o morto a mexer a cabeça assustaram-se de tal maneira que fugiram da cozinha como se estivessem a fugir do diabo.


No dia seguinte, pela manhã, constataram que os ratos tinham ruído uma orelha ao morto.


True story.

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