quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Uma quinta feira é sempre uma boa quinta feira...

... quando a professora de Estomatologia, essa víbora disfarçada de mulher, fica adoentada e é substituída por um professor de Cirurgia Maxilo-facial, que além de ser a cara chapada do Anthony Hopkins no tempo em que ele fez de Dr. Hannibal Lecter em "O silêncio dos inocentes", foi capaz de dar uma aula à maneira... melhor uma senhora dona aula.



Fique mais vezes doentinha, sô professora. Nada que a deixe muito combalida, sff.

Os seus alunos agradecem.

Alima

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Quase ébola

A P. é das minhas melhores amigas aqui da parvónia. Apesar de ser bem mais nova que eu, vejo-a como se fosse a minha irmã mais nova. E como tal, tento protege-la de todos os males.

E quando no fim-se-semana passado a vejo a bater à minha porta com ar abatido e pálido, curvada e com ar de esgar de dor na cara, eu pensei logo: vamos ter chatices.

Cházinho para aqui, balde para vomitar ali, a miúda vomitava e chorava de dores abdominais. Jactos de vómito à filmes tipo Exorcista. Tudo fazia lembrar uma apendicite se ela ainda tivesse apêndice. Assustada perguntava-me o que poderia ser. Discutimos a possibilidade de ovários poliquísticos, cuja sintomatologia pode ser semelhante a uma apendicite, mas não pusemos fora de questão que fosse uma gastroenterite lixada porque a diarreia era cada vez mais frequente. 
Nem Buscopan nem Primperans aguentavam no estômago, porque ela simplesmente não tolerava nada. 
Recordou-se que tinha comido cogumelos à hora do almoço. Começou a entrar em pânico quando por momentos suspeitou que fossem cogumelos venenos, algo que desmistifiquei porque eram cogumelos  comuns comprados num hipermercado e não daqueles colhidos no campo.

Contrariada, foi arrastada por mim até às urgências, porque deduzi logo que aquilo iria ser uma noite mal passada e que talvez uma injecçãozita no traseiro com primperan e algo para as dores à mistura pudessem ajuda-la.

Na triagem, a médica e a enfermeira que nem inglês arranhavam, quando lhes expliquei com o meu checo arranhado que éramos portuguesas (a P. não dá uma para a caixa de checo), correram de imediato a pôr as máscaras e perguntavam assustadas "Spanielsko? Spanielko?" (Espanha?Espanholas?) ao qual eu respondi em português "Oh minhas burras... PORTUGUESAS enfiadas neste país há UM MÊS!"antes de responder educadamente que NÃO em checo. 

A médica diz-me que a P. terá de ir para o serviço de infecciologia, ao qual eu como "irmã mais velha" concordei sem explicar à P. o que andava eu e a médica a conspirar.
Entrega-me um papel para entregar posteriormente no serviço para fazer a admissão da P..

E lá fomos nós pelo hospital fora, sem máscara, nem com nada a mostrar que se calhar somos portadoras de Ébola. Chegadas ao serviço, uma enfermeira, toda protegida, com ar ensonado acolhe-nos. Começa a falar de uma forma rápida e agressiva até que lhe digo que não entendemos bem o que ela está para ali a ladrar, ao qual ela ainda ladra ainda mais agressiva e mais rápida. A P., pálida e meia prostrada susurra um "Grande filha da p***", coisa que a mulher ouviu mas não entendeu. Chega a médica do serviço com ar de poucos amigos, com uma postura insolente, também toda protegida, agressiva que só ela. Ainda tive a esperança que ela falasse inglês mas qual quê??? Nicles. Expliquei que iria ligar para uma pessoa que dominasse o checo para perceber o que realmente andavam as duas a ladrar, mas ela ladrou ainda mais alto e mais agressivo, o que não me demoveu de ligar a um colega que sabia que estava a fazer noite no mesmo hospital.

Assim, que o meu colega chegou para saber quais as intenções da médica, a P. ficou internada em isolamento no serviço de infecciologia para descarte de uma infecção séria, eu, possível portadora de Ébola, vim para casa de metro como se nada fosse.

A P. ficou internada durante 3 dias. A única forma que tinha para a contactar era através da janela de vidro do quarto dela que só era aberta duas horas por dia. Depois disso, fechavam as cortinas e acabava-se o espectáculo. O nosso astral estava muito baixo: ela ictérica, assustada e deprimida, eu assustada e a tentar armar-me em forte.

Diagnóstico final: gastroenterite viral lixada.. que talvez pudesse ser tratada bem em casa sem tanto alarido.

Aqui fica a experiência de duas portuguesas na Europa de Leste, num país em que poucos são os enfermeiros e médicos que entendem inglês e de geografia :)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O morto e as castanhas

Contou-me o meu avô paterno que no seu tempo de cachopo, quando morria alguém na aldeia, o velório era feito na própria casa do morto.

Ora numa altura, morreu alguém da aldeia no tempo das castanhas. E como a pobreza era tanta e a cama do defunto era necessária, resolveram colocar o defunto no chão da cozinha, chão que era feito de tabuinhas não pregadas a traves.
No andar de baixo das casas, existia ou a adega, ou um galinheiro ou o curral.

O meu avô, um mariola de primeira, queria participar no velório que decorria durante a noite, não pelo respeito ao morto, mas porque estavam a assar e a comer castanhas assadas junto ao defunto. Mas como era um puto, os mais velhos correram-no da cozinha para fora.
O meu avô teve uma ideia brilhante: calculou mais ou menos o local onde estava o morto prostrado no chão e no andar de baixo, com o auxilio de um pau, levantava as tábuas. E ao levantar as tábuas, levantou a cabeça ao morto várias vezes. As pessoas que viram o morto a mexer a cabeça assustaram-se de tal maneira que fugiram da cozinha como se estivessem a fugir do diabo.


No dia seguinte, pela manhã, constataram que os ratos tinham ruído uma orelha ao morto.


True story.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Da fonte da juventude

Se há coisa que me posso orgulhar em mim própria é a idade que me dão, que realmente eu não a tenho.

Quando era criança/adolescente, toda a gente achava que eu era mais velha, talvez porque entrei na puberdade muito precocemente.

Fiquei uma vez amuada com um amigo do meu pai, quando ele insinuou que eu tinha 16 anos, quando na realidade eu tinha 12 anos mal feitos.

Fui daquelas adolescentes que sofreu a sério com o problema do acne. Mas como os meus pais nunca foram pessoas muito preocupadas sobre o assunto, porque para eles, isso incha, desincha e passa, nunca consultei qualquer dermatologista para me ajudar nesse problema. 
Fiz alguns tratamentos caseiros como lavar a cara com sabonetes de argila, alcatrão ou de glicerina, cheguei a colocar pasta dos dentes nas borbulhas, durante uns tempos passava uma rodela de batata na cara "porque absorvia a gordura"... mezinhas, mezinhas, mezinhas...

O que é certo é que já por volta dos meus 23 anos nunca mais tive problemas de acne e a minha pele ficou tão macia como quando eu era criança... E a partir daí as pessoas começaram a dar menos idade à que realmente eu tenho...E a minha irmã, que sempre pareceu mais  nova do que realmente é, por causa dos tratamentos tiro e queda e nocivos anti acne, ficou com um aspecto bem mais envelhecido, tendo já rugas profundas no cantos dos olhos. 

E hoje, estava eu num café com mais malta portuguesa, sendo eu a mais velha, e um colega grego infiltrou-se no grupo. Conversa vai, conversa vem, e o rapaz assegurou que eu tinha 22 anos, e garantia que eu tinha essa idade por causa do meu ano académico porque senão dar-me-ia menos idade. Tal afirmação deixou-me nas nuvens :) Deu até oito anos mais a uma das raparigas que lá estava por causa do seu ar trigueiro e pele dourada, fruto de uso excessivo de solário...

Perguntaram-me qual era o segredo para a minha fonte de juventude. Talvez seja o facto de ter uns bons genes pela parte da minha mãe, talvez porque eu como sou gorda faz com que eu tenha um ar mais bonacheirão e de menina por causa dos meus olhos enormes, nariz pequeno e ter bochechas proeminentes, talvez porque nunca tenha usado qualquer tipo de creme hidratante na cara, lavando-a apenas com água e sabão... tão simples quanto isso :)

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Regras da Sensatez

Noutros tempos, quando alguém fazia uma crítica sobre alguém, eu costuma concordar com essa pessoa, porque sem querer via exclusivamente o lado negativo sobre esse alguém...

Acontece que este Verão, gastei uns míseros cinco euros num livro chamado "Regras para o Sucesso Profissional" e num dos capítulos falava que alguém ponderado nas críticas tem tendência a ter melhor sorte que aquele que está sempre de arco e flecha, pronto para apontar em alguém. Falava também que aquele que quando ouve uma crítica sobre alguém, deve SEMPRE apontar os aspectos positivos sobre essa pessoa, sim porque todos nós temos qualidades.


Achei piada quando li tais capítulos porque isto não é novidade nenhuma... mas muitas vezes esquecemos-nos destas regras de ouro.

Na semana passada, estava eu sentada num banco com uma colega portuguesa, perita a destilar fel sobre todos:

- Sabes Alima, não vou com a cara daquela grega que veio de transferência para o nosso grupo... é tão pãozinho sem sal. Deve ser uma falsa!
- Hummmm eu até à data não tenho nada contra ela- respondi.
- Pah... como te vou explicar... é esquisita... veste-se de negro, não fala com ninguém. Que anti-social que ela é.
- Ela sempre foi amável comigo. E eu também tento ser simpática com ela.- disse.
- Cá para mim é mais uma grega burra corrida da universidade X! Viste que ela não sabia aquilo sobre Cirurgia que era tão fácil!?
- Talvez seja um bocadinho limitada... mas já fiz a minha boa acção: emprestei-lhe os meus apontamentos e a minha pendrive com o material das cadeiras. Se depender de mim, ela não vai chumbar.

A portuguesa olhou para mim com cara de aparvalhada, já que eu não sou pessoa de passar material a ninguém.
- Não gosto da grega. - insistiu.
- Olha, eu acho-a uma fofinha. E se lhe deres um tempo, vais ter a mesma opinião que eu.

A portuguesa apaga o cigarro e pergunta-me:
- Olha lá... hoje deu-te para seres 100% do contra do que eu digo?



terça-feira, 14 de outubro de 2014

Peripécias da farmácia

Ontem foi dia de risota via skype com my sister sobre uma peripécia que se passou na farmácia onde ela trabalha.

Entra um rapaz na farmácia e dirige-se à minha irmã:
- Queria uma caixa de pilulas para a minha namorada sff.
- E como se chama?- perguntou a minha irmã.
- Andreia Catarina.


Ahahahahahahha

sábado, 11 de outubro de 2014

Da dermatologia

Dermatologia é das minhas áreas favoritas na área da Medicina. Tem o seu je ne sais quoi de importância extrema devido ao acne da juventude, das ruguinhas e liftings daqui e dali das cotas (coisinhas de gente vaidosa), para não falar dos sinais no corpo que volta e meia pregam um susto a quem os tem.

Sendo a pele (e os dentes) um dos melhores cartões de visita de qualquer ser humano e sendo a pele o maior orgão do corpo humano bem como o local em que melhor se detecta alguma irregularidade patológica,  é uma das áreas que gostaria de me dedicar num futuro próximo. 

O que é certo é que os meus professores de dermatologia são uns ases no assunto. Contudo um deles tem claramente cicatrizes antigas de acne e a outra tem a pele bem bem flácida, o que me faz pensar que mais uma vez "Em casa de ferreiro, espeto de pau".

E pronto, estávamos todos nas primeiras semanas a esfregar as mãos a pensar que iríamos descobrir a essência de mezinhas e tratamentos fantásticos a aconselhar aos amigos e familiares a leste do tema de maneira que eles pensassem que "Sim senhora... afinal ela não foi para lá apenas para passear livros".
O problema é que no serviço de dermatologia não há acnes no internamento: há dermatites e eczemas horrorosos, psoríases e tíneas com um aspecto nojento e urticárias generalizadas. E o cheiro intenso às 8h da matina na hora dos tratamentos? Muito agressivo após um pequeno almoço tomado a correr vinte minutos antes.


O serviço ocupa um piso inteiro do hospital. Tem três alas: Uma de mulheres, outra de homens e outra mista, sendo local de internamento exclusivamente para os ciganos.
Perguntei à prof., o porquê de haver uma aula só para ciganos. 
- Porque todos eles chegam cá com as mesmas doenças: piolhos, sarna, herpes zoster... e Louis...

- Louis? que doença é essa?- perguntamos quase em unissono.

- Louis é um código usado aqui... SÍFILIS! (respondeu baixinho). E agora, vou-vos mostrar alguns pacientes com Louis. 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Da professora depravada

Cara C.,

Hoje arrisquei a minha paciência e fui a uma teórica de uma cadeira chata como tudo. Quantas mais vezes comparecerem às teóricas, melhor nota terão no exame final, disse a prof. na primeira aula.

A professora ao abrir o seu power point sobre a aula que deveria ser sobre qualquer treta sobre a Organização Mundial de Saúde, equivocou-se no power point e passou uns dez slides descontraidamente. Os (poucos) alunos que foram à aula riram-se perdidamente da distracção da professora que não estava a reparar no que estava a projectar...

... Em grande projecção estava um power point dedicado ao kamasutra, onde se via casais em posições sexuais assim para o artístico/erotismo...

A mulher, ficou meia aparvalhada, corou e esboçou um sorriso de embaraço. Sorry, sorry, dizia ela enquanto procurava o Esc no portátil, enquanto a posição do Enroscar da Trepadeira estava em grande plano.

Ainda fui confirmar o meu horário para saber se me tinha escrito em sexologia ou sei lá o quê... mas nãaaaao... estava mesmo numa aula de Medicina Social.

Pergunto-me eu para que raio tinha ela aquilo no computador... não fosse ela uma velha jarreta assim para o sexagenária.









quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Dos filmes que me deixam com duas (ou mais) lágrimas nos olhos

Decorria o ano mil novecentos e noventa e troca o passo quando vi pela primeira vez o filme "ET, o Extraterrestre". Vi-o pela primeira vez numa noite de consoada acompanhada pelos meus primos, na tv ainda a preto e branco da cozinha da casa da avó para que estivéssemos afastados do barulho que se fazia à mesa da sala.  

E sim, talvez pelo filme ou pelo fumo da lareira minhota que em dias de vento não trabalha como deve ser ou então pelas duas coisas, toda a canalhada que tão atentamente assistia o filme ficou com os olhos vermelhos. 


Noutro Natal lembro-me de ter visto "Todos os cães merecem o céu". E eu, defensora acérrima dos quatro patas, recordo-me que também me comoveu de tal modo que tive de surripiar um guardanapo para limpar toda a minha angústia.  


Há cerca de catorze anos atrás, numa altura em que fazia mudanças da minha antiga casa para aquela que actualmente habito, lembro-me de ter sentado no sofá e ver um filme que dava na SIC num sábado à tarde (naquela altura ainda davam filmes de jeito na tv, nada de programas de música apimbalhada) e ter ficado seriamente comovida com o filme "A Princesinha", principalmente quando ela tenta tudo para que o pai a reconheça pois ele tinha sofrido uma amnésia. Aí sei que chorei mesmo, estava a borrifar-me para a minha irmã que estava comigo que também chorava.


Ultimamente, tenho visto alguns filmes mais já para público adulto. O tema "cancro" é dos temas que mais mexe comigo por mil e uma razões. E quando há umas semanas atrás vi o filme "A Culpa é das Estrelas", antes que começasse, pus um pacote de kleenex em cima da mesa de centro. E sim, dei uso a eles.  Muito uso.


Tudo isto para mostrar que apesar de ter ar de valentona e de dura, sou uma pessoa sensível a extraterrestres, animais, meninas orfãs e adolescentes com cancro...