sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Da higiene

Pelos vistos, existe essa cadeira no curso de medicina e como todas as cadeiras deve ter o seu quê de utilidade. Pelo menos pensei assim quando fiz o esforço para frequentá-la.

E lá fui eu toda galifona à primeira aula. A sala que na aula anterior estava completamente cheia porque a exigência e a dificuldade da aula assim o exige, ficou com meia vazia na aula de higiene.

A professora de higiene, uma avozinha com os seus 60 e poucos anos, vestida com fatinho de saia e casaco típico de uma sô dotora de meia idade aqui da zona, revelou-se uma queridinha. Perguntou a nacionalidade do pessoal que estava presente na aula ao qual respondia um UAU de interesse fingido.

E começou então a aula... abriu o powerpoint e leu, leu, leu todo o seu conteúdo. O assunto até era interessante, era sobre a potabilidade da água, mas a sua voz monocórdica de quem lia o powerpoint fez com que eu passasse pelas brasas em dois tempos. Procurei rapidamente a minha caixa de chicletes para que me ajudasse de alguma forma a manter-me acordada. Duas filas à minha frente, alguém roncava RUIDOSAMENTE, apanhando um susto valente quando o colega do lado lhe deu uma palmadinha no ombro.

E a professora falava e falava. Falava dos tipos de água engarrafada, qual devemos nós consumir, o que é a poluição, que tipos de poluição se conhecem... coisas que aprendi algures em Ciências Naturais no Ciclo.


Acordei para a vida quando ela disse que não existia vulcanismo activo na Europa. Imediatamente levantei o braço e disse-lhe que não concordava com o que ela tinha dito. Exemplifiquei o geisers dos Fiordes e dos Açores, falei dos vulcões mais especificamente na ilha do Pico que volta e meia prega um susto, das águas quentes termais na Hungria... não quis alargar-me muito para não dar uma de sabichona.


A mulher, retira os óculos, olha para mim e pergunta-me num sorriso:
- Portugal na Europa? Onde mesmo, minha querida?


Vemos-nos no dia do exame, professora!

1 impressões:

S* disse...

Oi? Não gosto de gente que não admite que errou.

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