terça-feira, 15 de julho de 2014

Histórias de família na família- O exorcismo II

Neste Verão, quando levei a minha avó a visitar a casa onde ela nasceu e viveu a sua mocidade, conversamos sobre algumas peripécias algo peculiares que se passaram por lá.

Pelos vistos, a sua avó, a chamada Maria da Otília, foi uma mulher bastante desenrascada, temida, de pêlo na benta,  tipicamente minhota, uma espécie de Maria da Fonte. A sua astúcia e o seu desembaraço era muitas vezes alvo de inveja e de alguma chacota pelo povo da aldeia.
A sua casa, tipicamente minhota de lavradores, era rodeada por um muro de pedra (que ainda existe). Do outro lado de um dos muros existe uma pequena capela que outrora fazia parte de uma quinta quinhentista que desapareceu durante a guerra civil. A capela, em honra a S.Frutuoso, era essencialmente usada para a festa em honra deste e para retirar diabos do corpo a pessoas que necessitavam.

O ritual de exorcismo era feito à porta fechada. No entanto a Maria da Otília tinha o direito a tal assistir espectáculo porque uma das janelas estava virada para o seu quintal. Desta forma, a mulher lá se encavalitava numa pedra e podia assistir desde a janela do altar a tal ritual.

Contou a minha avó que uma vez, um padre de Braga se deslocou à capela para fazer um exorcismo a uma pessoa.
Dizia o padre para a pessoa com o diabo no corpo:
- Sai diabo deste corpo!
- Não saio!- gritava o diabo
- Sai diabo daqui!
- Não saio!
- Sai diabo daqui e mete-te com a da Otília!
- Não saio daqui porque com essa nem eu me meto!- dizia o diabo.


A Maria da Otília, que tão bem ouviu aquilo berrou para dentro da capela:
- O diabo que saia daí e que se meta com a puta que te pariu, oh Padre!


O que aconteceu a seguir já ninguém sabe...




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