quarta-feira, 9 de julho de 2014

Das drogas e outras porcarias...

Conheço a M. desde que me conheço. Ela é mais velha que eu uns quatro-cinco anos. A sua mãe é professora tal como a minha. Crescemos juntas no mesmo bairro.
Passado uns anos, a sua família mudou de casa e a minha também. E volta e meia encontrava-a na cidade por mero acaso.

Durante uns anos deixei de a ver. Sei que ela se tornou Assistente Social e que volta e meia armava barraco no trabalho devido ao seu espírito impulsivo e da sua mania do quero, posso e mando. Sabia disso porque a minha mãe trabalhava com a mãe dela no mesmo agrupamento de escolas. 

Soube que ela tinha sido despedida porque faltava muito e/ou chegava constantemente atrasada. Que estava na eminência de ter problemas judiciais porque comprou um carro e não o estava a pagar. A minha mãe sem querer soube que ela estava com problemas com drogas. Soube porque a bolha estourou na casa dela e a mãe dela deixou escapar esta informação. O problema da M. são as más companhias, um namorado viciado disse a mãe da M. à minha mãe.

A minha mãe, sabendo que tenho um bom coração, disse-lhe que eu iria levar a M. a tomar um café com os meus amigos, tudo gente com a cabeça no sítio. Afinal se são as companhias que influenciam as pessoas, talvez boas companhias a poderia ajudar. Eu fiquei relutante no inicio mas aceitei. Marquei uma hora para a encontrar e a levar ao café comigo. Esperei uma hora. A M. não apareceu. 

Depois disso sei que volta e meia ela era internada em centros de reabilitação. Mas o seu temperamento era incompatível com os objectivos e logo logo era posta fora do programa. Jurava sempre aos pais que desta é que era de vez. E desta. E desta....

Revolta-me imenso como é que uma assistente social se tinha metido nestas coisas, logo um tipo de profissionais que mais depressa deveria saber dos perigos destes vícios. 

Ontem à noite, estava eu a estacionar o carro no centro para ir tomar café, e veio ter comigo uma mulher de aspecto muito acabado, muito magro, um autentico cadáver ambulante para me pedir uma moeda. Eu nunca dou dinheiro porque sinceramente ou não o tenho ou tenho-o sempre contado e porque sou contra em contribuir para vícios. Mas dou sempre um ou dois cigarros dependendo da quantidade que tenho no maço (que sempre é um vicio menos letal que a heroína). E quando lhe disse que tinha cigarros, ela não recusou. E antes de lhe dar dois cigarros olhei para o rosto dela. Era-me familiar. Faltava-lhe dentes, tinha a pele muito envelhecida:
-M. ... és tu!?

Ela reconheceu-me e provavelmente com a vergonha fugiu. Optei por não ir atrás dela, mesmo sabendo que da maneira como ela corria, em poucos segundos eu apanhava-a.

O café, o encontro com os amigos não teve sabor nenhum. Quando algum de nós se abria sobre um problema em casa, um problema com o patrão ou com a tese, eu ficava a pensar nos problemas que passam com as pessoas que pediam moedas no parque de estacionamento ali tão perto. Poderia pensar na sorte que eu tinha e que todos à mesa tinham, mas não... só pensava no azar daqueles que optaram caminhos mais complicados e que directamente complicaram a vida dos outros.


1 impressões:

S* disse...

Que dor de alma.

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