quinta-feira, 17 de julho de 2014

Coimbra tem mais encanto

... na hora da despedida...


E foi na passada Segunda feira que mi mammy e eu que fomos acompanhar a minha irmã a Coimbra. Foi o dia da defesa da tese. 


Sei como a minha irmã reage sob stress. É perita em stressar e stressar os outros. Desde o inicio das minhas férias que ela anda com um humor dos diabos, não tolera brincadeiras, leu e releu vezes sem conta o relatório de estágio e da tese em busca do mais pequeno erro. E pior: pediu-me para que eu lesse, eu não estando acostumada à sua forma de escrever com frases extensas e virgulas em tudo que é sítio, disse-lhe o que mudaria, ela ficava furiosa e com feitio de gata, bufava para mim.


Mas mesmo assim, metemo-nos à estrada para a acompanhar. Pus-lhe até uma almofada no banco detrás do carro caso ela quisesse dormir pelo caminho, coisa que ela até agradeceu.


Durante a sua defesa, eu e mi mammy optamos por não estar presentes. Fomos dar um passeio pela velha Coimbra. Subimos as escadas monumentais, visitamos a Cabra, subimos e descemos ruelas em direção à Sé velha, rua da Sofia e praça da República. Pelo caminho, a minha mãe entretia-se a ler as placas em homenagem a figuras ilustres que viveram naquelas casas e lamentava-se em tom de brincadeira o porquê do seu "tio Doutor", irmão do meu bisavô, primeiro elemento da família que se sabe que foi à Universidade, que se formou em Direito em Coimbra na década de 20-30 não ter qualquer homenagem por lá. "É que nem em Coimbra, nem na Brasileira em Braga onde sempre teve o cu alapado já que ele por ser de família rica, achava que não era prestigioso um homem rico trabalhar", gracejou a minha mãe

Tanto a faculdade de Medicina como a de Farmácia ficam longe do centro, foi mudada para perto dos HUC, o passeio a pé que eu e a minha mãe fizemos foi suficiente para darmos cabo dos sapatinhos porque nos esquecemos que a calçada de Coimbra na zona histórica é terrível para sapato feminino.

Já no carro, a caminho da Figueira da Foz (optamos por fazer a viagem para o Norte pelo litoral), passou curiosamente na rádio o fado "Coimbra tem mais encanto na hora da despedida". Olhei pelo retrovisor para a minha irmã. Tinha os olhos húmidos. A letra bateu-lhe forte no coração e foi suficiente para que se desfizesse em lágrimas. Foram cinco anos que ela passou em Coimbra, cinco anos em que galgou aquelas ruelas e em que sabia que após a defesa da tese provavelmente não se despediria definitivamente de Coimbra, mas sentiria que "um até breve Coimbra", seria um tempo prolongado.

E sim, a defesa correu muito bem. Parabéns Mana. És a segunda da família materna e a primeira paterna a ter um canudo da eterna cidade dos estudantes :)

0 impressões:

Enviar um comentário