terça-feira, 29 de julho de 2014

Peripécias no Centro de Saúde

Estou eu e mais uma senhora com a sua respectiva filha na sala de espera do Centro de Saúde. Ambas tinham um aspecto humilde de quem lida com o campo, facto ainda mais confirmado no momento em que as ouvi a falar uma com a outra com um português numa gramática um tanto ruim.

Passa por nós um médico já de meia idade que berrou para o fundo do corredor onde se encontrava a secretaria, enquanto entrava no seu gabinete:
- Oh Ireeeene, traz-me tonner!


O que é certo é que a tal Irene nunca mais levava o tonner ao consultório. Então o médico, não teve meias medidas, ligou o altifalante e disse:
- Oh Irene, o tonner caramba?

A senhora que estava na sala de espera com a filha comenta para a filha:
- Coitado do médico... o Tone deve ter fugido!



Só Deus sabe o que fiz para não dar uma gargalhada...

domingo, 27 de julho de 2014

" É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus"

Mateus 19:24


Ouvi esta frase pela primeira vez pela boca de uma catequista, freira franciscana que pelo aspecto da cara já enrugada, deveria ter uns 60-70 anos. Recordo-me da forma convicta como ela a disse, os seus olhos arregalados como se estivesse a contar uma grande verdade:

"JÁ VIRAM, UM CAMELO ENTRA MAIS FACILMENTE NUMA AGULHA QUE UM RICO NO REINO DE DEUS!"

Recordo-me que na altura o meu raciocínio foi pensar onde é que o cú tem a ver com as calças, isto é porque carga de água se foram lembrar do camelo a passar por uma agulha. E também me recordo que na minha inocência de criança, aqueles que jogavam a lotaria e o totoloto estavam a tentar encontrar um lugar cativo no fogo eterno. Assim como todos os países ricos estavam condenados ao inferno e os pretinhos em África estariam lá em cima a fazer-nos caretas.


Seja como for, eu cresci, tornei-me ainda mais parva, comecei a jogar o Euromilhões sempre convicta que vai ser desta e daquela que vou ganhar o primeiro prémio e, claro, os ensinamentos da catequese foram deixados para trás. Nunca mais me lembrei da agulha e do camelo...


Até que estes dias...


... fui convidada para uma sardinhada na casa da M.. O seu pai, um homem nos seus 60 e picos, de pêra e bigode, com óculos finos intelectuais, fora professor de latim na Universidade Católica. No meu imaginário, se Deus existe, o aspecto do pai da M. deve ser a cópia exacta de Deus.
E entre sardinhas, malgas de vinho e conversa cavaqueira o pai da M. proferiu esse versículo, ao qual eu comentei que já o tinha ouvido há um bom tempo atrás.

E o pai da M. perguntou-me o que era um camelo.
Respondi-lhe na brincadeira que Camelo era um restaurante, que até poderia ser uma cor (camel) ou até uma marca (Camel), mas que de certeza Camelo era um animal tipo o Areias, com duas bossas, mau hálito, com uma resistência à desidratação.

O homem olhou para mim e disse:
- Sabias que camelo é também uma corda daquelas muito grossas e resistentes que era usada para amarrar os navios?

A minha reacção foi uma enorme gargalhada... Cheira-me que a freira franciscana também andou a ser enganada e a enganar este tempo todo...

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Das caminhadas...

Obriguei mi mamy a fazer o percurso a pé desde Bouro (Santa Maria) até ao Santuário da Senhora da Abadia, mesmo às portas do Gerês.
A minha mãe, sendo filha da terra, fez esse percurso dezenas de vezes, porque era quase obrigatório que as pessoas da zona fizessem a peregrinação à Abadia no último domingo de Maio e no quinze de Agosto. E também fazia parte da tradição que tal peregrinação fosse acompanhada por garrafões, farnel e mantas porque depois da missa é costume que as famílias abanquem na sombra para fazer piqueniques. Mas desde que se casou e que tem um carro, as peregrinações a pé foram substituídas de viagens de carro.

E por muito que ela estrebuchasse e dissesse que estava velha para essas coisas, obriguei-a LITERALMENTE a acompanhar-me até ao Santuário.
Deixamos o carro junto à pousada de Bouro, combinando com a minha irmã que ela deveria nos buscar dentro de duas horas. Destino: Abadia.

E lá fizemos o caminho que a minha mãe conhecia. Ela lamentou-se durante o trajeto o facto de muitos dos campos estarem ao abandono e muitas das bouças estarem cheias de silvas. Passamos por um calhau em que a tradição mandava que deveríamos mandar uma pedra para cima dele, viradas de costas e se a pedra caísse em cima do calhau, significava que nos iríamos casar naquele ano. Desafiei a minha mãe. Durante este ano ficaremos as duas sem casar...

Chegando ao santuário, já com uma sede dos diabos, resolvi beber um pouco de água de uma fonte que existe perto do riacho. A minha mãe, que estava a comer qualquer coisa, começou ao berros comigo:
- NÃO BEBAS DESSA ÁGUA!!! Olha que o sê Carlos (um velho caseiro dos meus avós que já morreu há imenso tempo), uma vez bebeu dessa fonte e achou-se muito mal! E olha que um sr. ali de Parada (de Bouro), colega de liceu do teu avô, também bebeu e acabou por morrer!!!

Sempre que vou ao santuário, bebo sempre água daquela fonte porque a água é tão leve que quanto mais bebemos, mais vontade dá de beber. Mesmo viciante... E quando a minha mãe me disse isso, recordei-me que o meu avô há muitos anos já me tinha dito o mesmo e que eu na minha imaginação infantil associei que a água estivesse contaminada.

- Mas mãe, eles tinham acabado de vir a pé para cá?
- Sim, o sê Carlos, tinha vindo com o teu avô, deu-lhe a sede e...
- A mãe já pensou por momentos que lhe pode ter dado uma congestão por causa do choque térmico?

A minha mãe ficou a olhar para mim com ar de estupefacto. Durante anos ouviu falar no afrontamento do caseiro e da morte do outro senhor e seguramente deve sempre ter imaginado em água contaminada. Acho que ela nunca tinha pensado em tal teoria.
E foi assim que se desvendou um mito.


PS. O santuário continua maravilhoso. Tenho que falar com o pessoal para organizar um piquenique por lá.

domingo, 20 de julho de 2014

E lembrei-me disto... SILICOSE



A silicose é uma forma de pneumoconiose causada pela inalação de finas partículas de sílica cristalina e caracterizada por inflamação e cicatrização em forma de lesões nodulares nos lóbulos superiores do pulmão.

Provoca, na sua forma aguda, dificuldades respiratórias, febre e cianose. Pode ser confundida como edema pulmonar, pneumonia ou tuberculose.

A silicose comumente afeta os mineiros, após anos de inalação da sílica presente no ar dos túneis e galerias. (RETIRADO DA WIKIPÉDIA)


A silicose matou muita boa gente na terra dos meus avós. Dado que na década de 40, foi o auge da exploração das minas de volfrâmio tanto para os Alemães como para os Ingleses, muita gente devido às más condições de segurança no trabalho, não chegou à década de sessenta sequer, não só por causa da silicose, mas também por causa das tuberculoses, enfisemas, cancros, desnutrição e acidentes nas minas.

Numa terra onde predominavam viúvas jovens, numa terra em que se via os maridos a tossir sangue e a morrerem sufocados, fica a minha homenagem a vítimas indirectas da Segunda Guerra Mundial.



Foto que o meu avô tinha num album com gentes da aldeia no tempo das minas. 

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Coimbra tem mais encanto

... na hora da despedida...


E foi na passada Segunda feira que mi mammy e eu que fomos acompanhar a minha irmã a Coimbra. Foi o dia da defesa da tese. 


Sei como a minha irmã reage sob stress. É perita em stressar e stressar os outros. Desde o inicio das minhas férias que ela anda com um humor dos diabos, não tolera brincadeiras, leu e releu vezes sem conta o relatório de estágio e da tese em busca do mais pequeno erro. E pior: pediu-me para que eu lesse, eu não estando acostumada à sua forma de escrever com frases extensas e virgulas em tudo que é sítio, disse-lhe o que mudaria, ela ficava furiosa e com feitio de gata, bufava para mim.


Mas mesmo assim, metemo-nos à estrada para a acompanhar. Pus-lhe até uma almofada no banco detrás do carro caso ela quisesse dormir pelo caminho, coisa que ela até agradeceu.


Durante a sua defesa, eu e mi mammy optamos por não estar presentes. Fomos dar um passeio pela velha Coimbra. Subimos as escadas monumentais, visitamos a Cabra, subimos e descemos ruelas em direção à Sé velha, rua da Sofia e praça da República. Pelo caminho, a minha mãe entretia-se a ler as placas em homenagem a figuras ilustres que viveram naquelas casas e lamentava-se em tom de brincadeira o porquê do seu "tio Doutor", irmão do meu bisavô, primeiro elemento da família que se sabe que foi à Universidade, que se formou em Direito em Coimbra na década de 20-30 não ter qualquer homenagem por lá. "É que nem em Coimbra, nem na Brasileira em Braga onde sempre teve o cu alapado já que ele por ser de família rica, achava que não era prestigioso um homem rico trabalhar", gracejou a minha mãe

Tanto a faculdade de Medicina como a de Farmácia ficam longe do centro, foi mudada para perto dos HUC, o passeio a pé que eu e a minha mãe fizemos foi suficiente para darmos cabo dos sapatinhos porque nos esquecemos que a calçada de Coimbra na zona histórica é terrível para sapato feminino.

Já no carro, a caminho da Figueira da Foz (optamos por fazer a viagem para o Norte pelo litoral), passou curiosamente na rádio o fado "Coimbra tem mais encanto na hora da despedida". Olhei pelo retrovisor para a minha irmã. Tinha os olhos húmidos. A letra bateu-lhe forte no coração e foi suficiente para que se desfizesse em lágrimas. Foram cinco anos que ela passou em Coimbra, cinco anos em que galgou aquelas ruelas e em que sabia que após a defesa da tese provavelmente não se despediria definitivamente de Coimbra, mas sentiria que "um até breve Coimbra", seria um tempo prolongado.

E sim, a defesa correu muito bem. Parabéns Mana. És a segunda da família materna e a primeira paterna a ter um canudo da eterna cidade dos estudantes :)

terça-feira, 15 de julho de 2014

Histórias de família na família- O exorcismo II

Neste Verão, quando levei a minha avó a visitar a casa onde ela nasceu e viveu a sua mocidade, conversamos sobre algumas peripécias algo peculiares que se passaram por lá.

Pelos vistos, a sua avó, a chamada Maria da Otília, foi uma mulher bastante desenrascada, temida, de pêlo na benta,  tipicamente minhota, uma espécie de Maria da Fonte. A sua astúcia e o seu desembaraço era muitas vezes alvo de inveja e de alguma chacota pelo povo da aldeia.
A sua casa, tipicamente minhota de lavradores, era rodeada por um muro de pedra (que ainda existe). Do outro lado de um dos muros existe uma pequena capela que outrora fazia parte de uma quinta quinhentista que desapareceu durante a guerra civil. A capela, em honra a S.Frutuoso, era essencialmente usada para a festa em honra deste e para retirar diabos do corpo a pessoas que necessitavam.

O ritual de exorcismo era feito à porta fechada. No entanto a Maria da Otília tinha o direito a tal assistir espectáculo porque uma das janelas estava virada para o seu quintal. Desta forma, a mulher lá se encavalitava numa pedra e podia assistir desde a janela do altar a tal ritual.

Contou a minha avó que uma vez, um padre de Braga se deslocou à capela para fazer um exorcismo a uma pessoa.
Dizia o padre para a pessoa com o diabo no corpo:
- Sai diabo deste corpo!
- Não saio!- gritava o diabo
- Sai diabo daqui!
- Não saio!
- Sai diabo daqui e mete-te com a da Otília!
- Não saio daqui porque com essa nem eu me meto!- dizia o diabo.


A Maria da Otília, que tão bem ouviu aquilo berrou para dentro da capela:
- O diabo que saia daí e que se meta com a puta que te pariu, oh Padre!


O que aconteceu a seguir já ninguém sabe...




quarta-feira, 9 de julho de 2014

Das drogas e outras porcarias...

Conheço a M. desde que me conheço. Ela é mais velha que eu uns quatro-cinco anos. A sua mãe é professora tal como a minha. Crescemos juntas no mesmo bairro.
Passado uns anos, a sua família mudou de casa e a minha também. E volta e meia encontrava-a na cidade por mero acaso.

Durante uns anos deixei de a ver. Sei que ela se tornou Assistente Social e que volta e meia armava barraco no trabalho devido ao seu espírito impulsivo e da sua mania do quero, posso e mando. Sabia disso porque a minha mãe trabalhava com a mãe dela no mesmo agrupamento de escolas. 

Soube que ela tinha sido despedida porque faltava muito e/ou chegava constantemente atrasada. Que estava na eminência de ter problemas judiciais porque comprou um carro e não o estava a pagar. A minha mãe sem querer soube que ela estava com problemas com drogas. Soube porque a bolha estourou na casa dela e a mãe dela deixou escapar esta informação. O problema da M. são as más companhias, um namorado viciado disse a mãe da M. à minha mãe.

A minha mãe, sabendo que tenho um bom coração, disse-lhe que eu iria levar a M. a tomar um café com os meus amigos, tudo gente com a cabeça no sítio. Afinal se são as companhias que influenciam as pessoas, talvez boas companhias a poderia ajudar. Eu fiquei relutante no inicio mas aceitei. Marquei uma hora para a encontrar e a levar ao café comigo. Esperei uma hora. A M. não apareceu. 

Depois disso sei que volta e meia ela era internada em centros de reabilitação. Mas o seu temperamento era incompatível com os objectivos e logo logo era posta fora do programa. Jurava sempre aos pais que desta é que era de vez. E desta. E desta....

Revolta-me imenso como é que uma assistente social se tinha metido nestas coisas, logo um tipo de profissionais que mais depressa deveria saber dos perigos destes vícios. 

Ontem à noite, estava eu a estacionar o carro no centro para ir tomar café, e veio ter comigo uma mulher de aspecto muito acabado, muito magro, um autentico cadáver ambulante para me pedir uma moeda. Eu nunca dou dinheiro porque sinceramente ou não o tenho ou tenho-o sempre contado e porque sou contra em contribuir para vícios. Mas dou sempre um ou dois cigarros dependendo da quantidade que tenho no maço (que sempre é um vicio menos letal que a heroína). E quando lhe disse que tinha cigarros, ela não recusou. E antes de lhe dar dois cigarros olhei para o rosto dela. Era-me familiar. Faltava-lhe dentes, tinha a pele muito envelhecida:
-M. ... és tu!?

Ela reconheceu-me e provavelmente com a vergonha fugiu. Optei por não ir atrás dela, mesmo sabendo que da maneira como ela corria, em poucos segundos eu apanhava-a.

O café, o encontro com os amigos não teve sabor nenhum. Quando algum de nós se abria sobre um problema em casa, um problema com o patrão ou com a tese, eu ficava a pensar nos problemas que passam com as pessoas que pediam moedas no parque de estacionamento ali tão perto. Poderia pensar na sorte que eu tinha e que todos à mesa tinham, mas não... só pensava no azar daqueles que optaram caminhos mais complicados e que directamente complicaram a vida dos outros.


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Do padre da aldeia

O padre J. foi uma pessoa que me marcou a minha infância nas minhas idas à aldeia dos meus avós paternos.
Era um homem um pouco mais velho que o meu pai e um pouco mais novo que os meus avós, que tinha um aspecto muito descuidado: barba muito comprida acompanhado por um cabelo comprido sem corte. A sua roupa aparentava já estar muito muito gasta. Se não fosse a batina que usava para celebrar missas, o homem a meu ver parecia um autêntico mendigo.

Chegava sempre atrasado quando ia celebrar as missas à capela (porque a freguesia é constituída pela freguesia em si e três lugares, dois dos quais com uma capela onde em determinado dia a missa da semana a missa era rezada lá). Neste caso os meus avós viviam num desses lugares.
De qualquer forma ele podia chegar atrasado mas havia algo que eu realmente gostava nas missas dele: duravam menos de quinze minutos, não haviam cânticos nem homilias nem outras coisas que a meu ver são uma autentica perda de tempo. 

Tinha uma voz melancólica e extremamente baixa, sem vida e sem retórica nenhuma o que fazia com que aquelas missas em dias festivos ou domingueiros que são por norma mais compridas fossem convidativas a reais bocejos e a distracções, algo que ainda mantenho quase vinte anos depois em algumas cadeiras da faculdade.  :)

O padre J. tinha conhecimentos de tirar diabos do corpo. Muitos anos se passaram e todos ainda falam como ele enfrentou o diabo de uma certa jovem lá da aldeia (que por acaso é uma das mais conhecidas cantoras (ou cantadeiras) de cantares ao desafio na actualidade)
O padre J. já era o padre da freguesia antes da Revolução de Abril. Poderia ser a maior seca enquanto padre mas foi um verdadeiro activista anti-regime. Sem que ninguém soubesse, reunia todos os rapazes (meu pai inclusive) que ele achava pertinente e discretos, entre os 16 e os 20 e tal anos na casa dele e distribuía folhetins, livros abolidos pelo regime, assim como ouviam músicas que eram non grata nessa altura. Foi então aí que o meu pai e outros começaram a interessar-se pelo comunismo, pelo Kafka, pelas músicas do Zeca Afonso, pela questão estudantil. 
Apesar do Pe. J. ter sido discreto nesta causa, não o foi assim tanto. Chegou a ser apertado pela PIDE, mas felizmente nada de grave lhe aconteceu. Aparentemente fez pressão na diocese do Porto para que safassem o meu pai de um verdadeiro sarilho com a PIDE, já que o meu pai se tornou um universitário revolucionário. O meu pai sempre sentiu uma grande gratidão por aquela intervenção do padre e isso se reflectia em conversas todos os anos quando o Compasso Pascal passava na nossa casa.

O padre J. antes e após o 25 de Abril, viu quase todos os seus rapazes a partirem para França. Viu que a aldeia começava a ser formada de pessoas velhas e que essas pessoas velhas estavam também a desaparecer. E no início da década de 80 resolveu abraçar outra nova causa: dar qualidade aos seus paroquianos. Graças a ele surgiram as carrinhas diárias que levavam e traziam as pessoas da aldeia à vila. Passado uns anos, com os lucros, resolveu comprar e restaurar casas que estavam abandonadas e após formada uma cooperativa, começou a aluga-las para turismo rural. Estimulou a produção de doces típicos para posteriormente vender a turistas. Tudo em prole das paróquias que ele cada vez mais ele aceitava pela serra, porque a escassez de padres era cada vez maior. 


Haviam quem gostasse dele e das suas iniciativas e havia quem o achasse um capitalista nato "ele só quer é dinheiro para ele", diziam. E a bolha estourou pelas gentes da serra quando ele propôs em aumentar a população das paróquias com refugiados ( penso eu que na altura eram do Kosovo), hospedando-as nas casas fechadas. A população foi unânime: não queriam dividir o mesmo caminho com estrangeirada que não sabiam de onde vinham. 
Mais tarde propôs em que algumas das famílias se tornassem famílias de acolhimento de crianças vindas de África. Algumas famílias disseram que sim, os papeis foram tratados e na hora H, resolveram que não queriam tomar conta de pretos.

Seja como for, ele já há alguns anos que não é o Padre de lá. Deduzo que ou se reformou ou tornou-se padre de outra freguesia. Não acredito que tenha morrido.

A paróquia agora já não tem padre. Vai um de não sei de onde celebrar uma missa de vez em quando. Aliás, dado que as minhas idas à aldeia se resumem a dois-três dias por ano, uma das quais para a festa religiosa da aldeia (que por acaso é a única missa anual que assisto, não pela fé mas mais para ver gente e ser vista,  vou negar para quê?), estou completamente a leste de como andam os fieis a fazer.

 De qualquer forma, a grande necessidade de haver um padre na zona não existe por causa dos casamentos e baptizados mas por causa das extremas unções e funerais. Mas isso acontece já no tempo do Pe. João. E tenho pena que padres como o Pe. J., homens revolucionários, solidários e com capacidade de celebrar missas em quinze minutos estejam a desaparecer.

sábado, 5 de julho de 2014

Acabadinho de ler no Kindle em mode férias III

Oscar Wilde- O fantasma de Canterville