sábado, 3 de maio de 2014

ROAD TRIP- História mirabolante de quatro portugueses rumo a Ucrânia- O rescaldo

Em continuação a este post, quatro tugas meteram-se no carro rumo à Ucrânia e não à Roménia. O preconceitouoso ficou por casa, pensando que nós não nos iríamos meter a caminho e assim que soube que nos metemos a caminho seguramente fez figas que tudo corresse mal.

10h:  Vai-se buscar o carro à rent a car. Roda bate no passeio numa manobra que por momentos pensamos que o pneu tinha ido à vida.
10h03: Pusemos-nos a caminho. Destino: Ucrânia, cidade de U a 6km da fronteira.
11h30: Fronteira com a Ucrânia. Reza-se uma avé Maria para que não tenhamos chatices em entrar no país.

12h: Guarda da fronteira revista passaportes e documentos do carro: VOCÊS NÃO PODEM ENTRAR NA UCRÂNIA COM CARRO ALUGADO!!!. Diz-nos isto num italiano fanhoso, alheio ao facto de sermos portugueses e não italianos
Perguntamos como poderemos passar a fronteira.
"A única forma de passar a pé fica a 30km daqui... mas vocês podem sempre pedir boleia para passarem o lado ucraniano".
Após estacionarmos o carro, quatro tugas batem no vidro dos carros que estão na fila para entrar no país para pedir boleia.  Um senhor num Lada bem soviético aceita dar-nos boleia até à fronteira.


13h atravessada a fronteira do nosso país, chega-se à fronteira ucraniana. Voltam a confirmar os nossos passaportes. Guardas armados até aos dentes com armas em ferro com ar de serem bem pesadas.
Guarda Ucraniano lê o meu nome alto, sussurra com os colegas e faz uma cara de poucos amigos, e pergunta-me: RUSKI?
Digo que não sou, apesar do meu nome ser bem russo (como não pensei nisso antes?). Pergunta-nos o que queremos fazer na Ucrânia. Estive quase para responder PUTAS E VINHO VERDE ou então a verdade TABACO A 1 EURO E VODCA BARATA, mas acabei eu por responder PASSEAR, VOLTAREMOS AO FINAL DA TARDE.

13h30 O sujeito do Lada deixa-nos na praça de taxi. O taxista pede-nos cerca de 50 Grívnias (cerca de três euros) para nos levar ao centro da cidade. E lá fomos.

13h40 Chegados ao centro. Mostro o mercado municipal. Sou a guia dos meus colegas porque já conheço bem a cidade. No mercado de U., vendem de tudo: desde fruta, pão, carne, peixe, vegetais. Há cães enormes a passear no meio das pessoas. A carne está sem qualquer tipo de protecção, ficando às moscas em cima de uma mesa suja.

14h20 Entramos num restaurante com um aspecto rústico com ambiente muito acolhedor. A empregada de mesa fala um inglês mais que perfeito e aceitamos almoçar o que ela nos sugeriu como prato típico. Preço total por pessoa: 40 Grívnias (2.46 cêntimos)

15h-18h30 Fotos, entradas nas igrejas ortodoxas, sinagoga, chocolate quente, tabaco barato, matrioskas e coisas que tais

19h Entrada da fronteira. Pedimos educadamente ao polícia ucraniano que nos ajudasse a conseguir boleia
para fronteira, ao qual ele recusa. Quatro tugas aproximavam-se dos carros que tinham que parar para entrar na fronteira. Os carros paravam, nós explicávamos o que pretendíamos e todos eles davam a entender que iam só dar a volta no espaço entre a Ucrânia e a nossa fronteira e que iriam voltar de novo para a Ucrânia.

19h30 depois de muito bufarmos, finalmente um ucraniano deu-nos boleia. Sujeito extremamente simpático e fluente no inglês. Explicou-nos que muitos ucranianos compravam os carros do outro lado da fronteira por serem mais baratos e que de cinco em cinco dias tinham de dar a volta na fronteira para não terem problemas com a polícia e não precisarem de legalizar os carros. Durante o tempo que estivemos para atravessar falamos de Portugal e da nossa vida lá, falamos sobre estâncias de ski.

20h Finalmente no lado do nosso país. Quisemos recompensar o ucraniano ao qual ele recusou. Pediu-nos que desejássemos apenas Boa Sorte. Posto isso voltou de novo para cruzar a fronteira. Ainda há boa gente neste mundo.

21h30 Chegando a nossa cidade. Uma pizza e uma Pilsen para encher o estômago e uma boa aventura para contar...

Apesar deste conflito todo, a Ucrânia continua linda como sempre. Espero bem lá voltar em breve e espero bem que as coisas estejam mais calmas.


Até breve, Ucrânia!

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