quinta-feira, 22 de maio de 2014

Histórias de família na família- O exorcismo I

Segundo histórias da minha avó paterna, a minha bisavó, mãe da minha avó paterna, era um diabo vestido de mulher.
Sempre fria e cruel, sempre muito megera, porém agarrada a uma religiosidade profunda típica das gentes da serra, era temida pelos seus devido aos seus acessos de mau humor.
Um dia, alguém disse ao marido dela, meu bisavô, que possivelmente aqueles acessos de fúria, de malvadez, de desmaios e calores seriam frutos de diabo no corpo. Sim, só podia ser diabo porque ela não tocava numa gota de álcool.

Então, o meu bisavô, muito empenhado em resolver o problema da mulher, pediu ao genro (meu avô) para ver se arranjavam um padre para lhe expulsar o diabo do corpo.

Conseguiram um padre, deixaram que a mulher adormecesse e pediram ao padre para exercer o ritual.
Acontece que a mulher, que ainda não dormia um sono profundo, acorda, observa a cruz em frente a ela, um cheiro a incenso que Deus me livre, nota-se rodeada pelo padre, marido e genro e dá-lhe para gritar e expulsar os três homens do quarto para fora.

Seja como for, ela até morrer nunca mais dirigiu a palavra ao meu avô nem ao marido. Pegou nas suas poucas coisas e foi viver para a casa de um dos filhos. Foi uma espécie de separação sem divorcio. O marido morreu primeiro. Ela está enterrada por cima dele. Na campa deles que visito sempre que visito o meus avós, observa-se a foto de um homem de gravata e bigodinho, extremamente parecido ao meu primo A. ...e uma foto dela, vestida de negro, de lenço negro na cabeça e com ar de poucos amigos. Ficaram sem se falar por mais de 30 anos...

... e cá para mim os desmaios, calores e acessos de fúria era uma das coisas mais naturais da vida de uma mulher: menopausa. Just saying...


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