terça-feira, 27 de maio de 2014

Dos idosos (II)

E provisoriamente (continuo a achar que se calhar um lar seria melhor) consegui arranjar uma cuidadora decente: a mãe de uma das minhas melhores amigas, enfermeira reformada cheia-de-vida, sendo eu presença habitual em jantares de família e piqueniques, ao qual desde que a conheço a trato carinhosamente por Tia São. A tia São quando soube estava preocupada com isto tudo, ligou para a minha mãe e lhe disse que não se importava nada de ficar com a minha avó até conseguirmos algo mais definitivo. O facto de ela estar por casa sempre porque a sua mãe (uma joia de velhinha) vive com ela e o facto de saber que ela trabalha em casa como restauradora de móveis fez com que eu desse luz verde a mi mammy para propor a tia São como cuidadora.


No dia 17/5/2014, foram buscar a minha avó de surpresa para ficar na casa da Super-Tia-São. 
Fiquei hoje a saber pela minha boca da minha avó via skype que voltou de novo a tomar café e a jantar como as pessoas adultas, com uma toalha na mesa e loiça de barro.
Fiquei a saber que ela está a dar-se bem com a mãe da tia São, ao qual chama-a carinhosamente de aquela destrambelhada. Segundo a tia São, a avó tem tido algumas melhorias para se deslocar com o andarilho. E que já quase nem precisa de fralda, porque consegue ir ao WC sem problemas. E que gosta de se sentar num sofá na oficina juntamente com a mãe da tia São e passam horas na cavaqueira enquanto a tia São trabalha. Que dorme bem à noite porque já não dorme a sesta à tarde. Mesmo assim está fraquinha, fraquinha, fraquinha. E emagreceu de tal forma que é impossivel ela colocar a dentadura..

A velhice é algo complexo, principalmente porque nós não sabemos se lá chegamos, como lá chegamos e como seremos tratados nela. Sou defensora de que se a minha avó teve tantos filhos, foi para um dia a apoiarem na velhice. E alguns dos filhos tentaram apoiar directamente a 100% até ao momento em que ela se tornou mais dependente. Não é fácil cuidar de um idoso mais dependente, especialmente quando as casas têm escadas ou quando se trabalha das 8 às 20h. Daí a solução de conseguir um local onde ela terá todo o apoio e todo o carinho que ela merece. E tenho a certeza que ela está a ser bem tratada na nova família de acolhimento.

Alima

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