terça-feira, 13 de maio de 2014

Do Mês de Maria

Decorria o ano 1994 e estava a poucos dias de fazer a Primeira Comunhão.
O padre, as catequistas bem diziam que nós tínhamos que pensar que estávamos a fazer aquilo não por mera vaidade mas sim porque "Iríamos receber Jesus no Coração"... mas eu catraia de sete anos não queria saber nada disso...ou melhor não entendia nada sobre isso... o que queria era que o meu vestido fosse o mais bonito possível e que a festinha que os meus pais iriam fazer decorresse da melhor forma possível...

E para que recebêssemos Jesus no Coração da melhor forma, o Padre da freguesia sugeriu obrigou a que todas as criancinhas fossem de 2ª a 6ª feira depois do jantar para a sede da paróquia para ouvir as catequistas e para ensaiar. E então eu e mais uns quantos do bairro lá íamos...

Acontece que numa das vezes a freira/catequista sugeriu/obrigou que todas as criancinhas a acompanhassem ao terço. E eu na minha ingenuidade de sete anos a acompanhei sem pensar (ou se calhar pensei mas como a freira sugeriu/obrigou e já que estava a fazer uma graça a Nossa Senhora...) que a minha mãe estivesse apavorada porque eu não chegava a casa a horas.

Terminado o terço, saí da capela acompanhada pela minha vizinha e alguns coleguitas e dirigimos-nos a casa. Sei que já estava escuro. E pelo caminho encontrei a minha mãe, toda esbaforida que me deu a maior tareia de sempre (bem, se calhar não foi assim tão grande, mas a humilhação de ter levado uma tareia da minha mãe em frente aos meus amigos valeu bem por isso). Eu bem tentei explicar à minha mãe que a freira sugeriu/obrigou, a minha mãe deitava fogo pelos olhos e boca, mas sabia que não era de mentir. E facto foi comprovado pelos meus coleguinhas que estavam comigo. Mas mesmo assim a minha mãe não me pediu desculpa. Deveria ter dito à freira que não queria ir e pronto.

À noite, já na cama, pensei no porque é que a Nossa Senhora, essa mulher a quem fui rezar o terço não fez nada para me salvar da tareia que tinha levado pela minha mãe. Reflecti de que sabia aquelas ladainhas todas que a catequista e o padre me obrigaram a saber "para fazer uma boa primeira comunhão", logo  não era uma má menina. Reflecti também de que obedeci sem resmungar a uma sugestão/ordem de uma freira para rezar o Terço... e mesmo assim levei porrada??? Aonde estava a protecção de Maria contra outra Maria?

Foi a poucas semanas da minha primeira Comunhão, eu, com sete anos, que comecei realmente a duvidar a existência de DEUS... Não foi a fome nem as guerras que se passavam no Mundo, nem a lepra que afectavam meninos em África... foi mesmo a tareia que levei por causa de uma freira e do Terço.

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