quinta-feira, 10 de abril de 2014

Coisas que me irritam mesmo...

... Pelos vistos a minha avó estatelou-se nas escadas. Algo que não me admira, porque além de ela ter 90 anos e as suas perninhas e a sua não cabecinha serem como outrora, ela tem a puta da mania de não ligar as luzes e vão andado pela casa às escuras, aos apalpões.

O que aconteceu na casa da minha tia, poderia ter acontecido na minha casa ou na casa de outro filho: casas grandes cheias de tapetes, com escadas são sinónimo de quedas em adultos e idosos.

E pronto, soube da notícia em primeira hora. Falava com mi mamy via skype (como todas as noites) quando tocou o telefone lá de casa, ouvi mi mamy a conversar com a minha tia sobre os detalhes da queda e posterior internamento da velhota.

No dia seguinte, ao final da tarde, liguei para a L.,velha amiga desde os tempos de curso, enfermeira do serviço onde está internada a minha avó para saber detalhes que a minha mãe não entende. Uma das perguntas que lhe fiz foi quem lá passou para visitar a velhota. 

- Além da tua mãe, passaram três parecidas com ela (minhas tias) e uma nada parecida(minha outra titia)   e quatro homens, três deles de bigode e parecidos (meus tios), um deduzo que seja marido de uma que é parecida. Graças a Deus que na família o molde foi sempre o mesmo. Só mudam pequenos detalhes na fisionomia. 

Perguntei por netos.
- Só vi para aí quatro jovens.

Considerando que a minha avó teve oito filhos, tem actualmente quatro noras e dois genros e tem dezoito netos, todos a residir no distrito de Braga (excepto eu e dois primos que somos muito aventureiros para vivermos em Portugal), onde foi parar aquela malta toda num domingo à tarde? Sei perfeitamente que não pode entrar em modo maciço todos os elementos da família no hospital (a não ser que sejam ciganos), mas até a data de hoje, a minha avó está hospitalizada e recebe sempre as mesmas visitas. 

Cadê os outros?

Fui dar umas cuscada no facebook de alguns familiares que sei que ainda não foram lá e vivem a cinco minutos dos hospital. E sei que não vão sequer meter lá os pés porque não é a primeira vez que a minha avó fica internada. Uma tem fotos do retiro de yoga que fez este fim de semana, outra tem fotos que tirou na discoteca e outro, enche-se de frases feitas e postas na boca do Dalai Lama sobre respeito, o amor, a paz e essas coisas. Patético, penso eu. Tanta frase bonitinha e ainda não se dignou de visitar a sogra.

Não é que a minha avó seja um caso de abandono. É mais um caso de que se calhar poderia ter mais apoio pelos familiares. Apesar de ela viver em Braga assim como quase todos os filhos, ela só é realmente apaparicada no aniversário dela e no Natal. E porquê? Porque ainda fazem essas festas na casa dela, e como todas as festas, elas são boas para o convívio. 

1 impressões:

Socorro! disse...

Em casos desses (e também tenho um caso parecido na familia) acaba por acontecer o inevitável: nas últimas horas aparecem os desaparecidos para reclamar a sua parte nas partilhas.

Beijinho
http://socorro-mudeioblog.blogspot.com

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