sexta-feira, 11 de abril de 2014

Coisa que me irritam mesmo

A minha avó foi internada no sábado passado por causa de uma queda nas escadas e fractura do colo do fémur.

Demorou cinco dias para ser operada. Ficou esses cinco dias na cama, com a perna imóvel. Ficou desorientada de tudo durante os primeiros tempos que passou no hospital. Depois da desorientação veio a sonolência excessiva. Segundo a minha mãe, pelo facto da avó estar muito tempo deitada, anda a tossir muito. Expliquei-lhe que muito provavelmente será por causa do seu grande coração, principalmente do lado esquerdo.

Do estrangeiro, tentava comunicar com a L.: não se sabia quando seria a operação, toda a gente ficou no impasse do será hoje ou amanhã que ela vai ao bloco.
A L. recomendou que mi mamy falasse com a equipa que iria operar a minha avó. 
Mi mamy meteu-me ao telefone para conversar com uma médica da equipa(uma simpatia já agora) porque achava que sou mais capaz para comentar o assunto que ela (mi mamy, a atadinha de sempre)
A médica pergunta-me se a velhota tem alergias. Desconheço.
Pergunta-me qual era o nível de consciência e orientação. Digo que a avó é praticamente autónoma, volta e meia tem os seus lapsos, uma ligeira demência talvez mas nada de muito sério.
Pergunta-me se avó caminhava. Sim e muito. Às vezes até corria. Sempre muito activa.
Pergunta-me sobre conheço os riscos da cirurgia. Eu digo que conheço muito bem os riscos da cirurgia e os riscos que ela corre se não a fizer.

Perguntei à médica porquê é que a minha avó não tinha ido ainda ao bloco. A médica dá uma desculpa de que a equipa esteve nas urgências num dia e que no outro dia o médico que a deveria operar estaria de folga. 

Fui sincera com a médica. Achei que estavam a adiar demasiado ou a evitar a cirurgia. Disse-lhe entre linhas que esta imobilização da minha avó está a deixa-la deprimida e menos reactiva (para não falar no risco de úlceras de pressão e outras coisas bem mais chatas). A médica começa a espingardear um bocado, diz que não é bem o caso, que é se trata de uma cirurgia simples, mas que como eu disse que ela caminhava, iriam ser mais rigorosos com a prótese que lhe iriam colocar. E então cometeu o maior deslize: SABENÓS ÍAMOS OPERA-LA NA SEGUNDA FEIRA, MAS ELA REAGIU MAL À ANESTESIA. ELA ESTAVA AGENDADA PARA SEGUNDA FEIRA.

E foi então com uma grande perspicácia da minha parte que lhe perguntei e que a deixou acabrunhada: COMO É QUE VOCÊS IAM OPERA-LA NA SEGUNDA SE A MINHA MÃE ACABOU AGORA MESMO DE ASSINAR O CONSENTIMENTO PARA QUE SEJA FEITA A CIRURGIA?

Comento com a T. sobre este assunto. A T. diz e com razão: O problema da tua avó é falta de uma boa cartola. Se fosse vocês fossem do tipo quero, posso e mando, ela já teria sido operada há mais tempo.

Detesto quando nos deitam areia para os olhos. Detesto esperar por coisas que não deveriam ser inadiáveis. 

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