domingo, 27 de abril de 2014

Transferência de universidade para outro país por uma questão exclusivamente monetária...

sim ou não, eis a questão...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Road trip

Grupo de Portugueses Porta da Faculdade, véspera de férias da Pascoa.
Português 1- Deveríamos passar a Quinta Feira de Páscoa à Roménia
Português 2 e Eu- E era.... Boa ideia!
Eu: - Precisamos de carro... e até acho que sei quem alinha em nos levar lá...
Português 1 e 2: - Quem, quem, quem?
Eu: - O meu amigo H. Ele queixa-se que anda muito sozinho e gosta de viajar acompanhado... E  convinha que fossemos no carro dele porque os rent a car se for para fazer a viagem de volta pela Ucrânia, não dão toda a documentação necessária para cruzar a fronteira. 
Português 1: - Achas que ele alinha em me levar?
Eu: - Concerteza que sim. Se pedir com jeitinho ele não resiste.
Português 2: - E a mim?
Eu:- Não creio que haja problema. 
Português 2:- Não te esqueças que vou levar uma pessoa.

Alima sabe perfeitamente que a pessoa será o seu namorado. Português 2 é homem. E o namorado também.

Português 4: - Pena que não possa ir porque não tenho passaporte... Olha lá Alima, o H. é aquele teu amigo que tem grandes tiques de bichona?

Português 1, 4 e Alima sem quererem olham para o Português 2 que pareceu ligeiramente desconfortável. 

Alima:.-Tem tiques de bichona e tem carro que é o que precisamos. (E pode ser que seja desta que saia do armário. E espero que não stresse por ter mais duas no mesmo carro, pensei)

Português 1 (que é gaja) para Alima ao ouvido: - Quer dizer que vamos cinco matrafonas num carro para a Roménia. Isto vai ser lindo.
Alima: - Hummmmm, sim! Ao menos naquele carro todos gostaremos do mesmo: machos. A diferença é que três das matrafonas têm pilas. 
Português 1 saca do telemóvel e faz uns cálculos: -60%  do carro com florzinhas...
Alima: -50%! Uma delas é uma florzinha ainda por desabrochar!


Final do jantar, Alima vai ao quarto do H:
- Ouvi dizer que queres dar uma volta nas férias comigo... Que achas da Roménia?
H:  - YES, YES, YES!
Alima: - A português 1 gostaria vir connosco...
H: - YES, YES, YES! Muito simpática ela...
Alima: - E o português 2 também....
H:- YES, YES, YE... Quem é o português 2 mesmo?
Alima: - Então não o conheces? Um rapaz bem bonito, sempre bem vestido, muito cheiroso... Excelente pessoa...
H: - Sendo assim, YES, YES, YES!
Alima: - E ele gostaria de levar o flatmate...
H:- Vamos cinco pessoas no carro, mas acho que dá... YES!

Alima explica o que pretende fazer para programar a viagem... e acrescenta:
-Espero que não te incomodes que o flatmate seja o parceiro dele...
H: - Como assim parceiro?????
Alima: - Tu sabes... juntos, entendes? Se os vires a darem beijocas ou estarem de mãos dadas não quero que tu....
H: NO, NO, NO, NO! Não posso. A minha religião (muçulmana) não permite essas coisas. E não é só a religião... Eu não quero me misturar com esse tipo de gente.  Disgusting! Ou eles ficam ou não vai ninguém, espero que tu entendas. Por isso NÃO!

Alima (parva com aquela reacção e já quase ): - Não entendo mesmo nada, mas respeito como é óbvio. Da mesma forma que os respeito a eles, apesar de também não os entender muito bem. E posso não os entender mas sei que são excelente pessoas e acima de mais muito corajosas por se terem assumido, ao contrário de certos homens que eu conheço que não têm coragem para tanto. E não te preocupes porque eles não iriam violar nem a mim nem a Português 1 e provavelmente nem a ti porque não és assim tão bonitinho para o bico deles. Portanto, desculpa lá por te ter incomodado, prometo que não te peço nada mais que ache que te deixe disgusting... E aliás, não esperes que vá viajar só contigo. Acho demasiado enfadonho, daí ter proposto um grupo porreiro. 

H., muito insultado por os ter defendido, e se calhar ofendido com a boca sobre a falta de coragem de certos homens não se assumirem ou porque lhe disse que não era assim tão bonitinho, pede-me para sair do quarto dele. 

Mais tarde, no skype comento com o português 1 e 2 sobre isto. Expliquei que o H. não se sentiria confortável com o relacionamento do Português 2 e do companheiro. Expliquei aquele negócio de que ele é cego pela religião, o que não é mentira. Mas o Português 2 não é burro.
Diz-me ele numa atitude muito cavalheiresca:

- Não sei o que odeio mais nisto... se é o facto de termos que viajar para outro sitio porque as companhias de rent a car metem entraves se queremos cruzar a fronteira para a Roménia se é o facto de saber que andam para aí bichas que não sabem que são bichas e são muito mais preconceituosas que os heteros. 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Dos poliglotas

Estava eu a conversar à porta da faculdade com o C., guineense 5*, um dos meus melhores amigos.
Perto de nós estava um grupo de israelitas do meu ano.
Ao fim de algum tempo, o C. teve que se ir embora e um dos israelitas aproximou-se:

- Sorry, Alima, but may i ask you which language you were speaking with that black guy?

- Oh... It was Somali!

PS. Quando cá cheguei, fiquei a saber que muitos israelitas nunca tinham visto um africano à frente.
Na cidade onde moro, os únicos africanos são estudantes estrangeiros. E é um bocado aflitivo para eles estarem num espaço fechado rodeado das gentes desta cidade: Observam-nos com muito interesse, curiosidade e alguma repugnância também. E normalmente têm muita dificuldade em serem aceites pelos pacientes.

Alima, a gaja que fala somali sem saber....

domingo, 20 de abril de 2014

Acabadinho de ler no kindle em mode férias...


                                                          As vinhas da Ira- John Steinbeck


sábado, 19 de abril de 2014

Como é que um grupo de portugueses que estuda no estrangeiro mata saudades do seu país:

- Com francesinha especial preparada por mim;
- Com vinho português que religiosamente foi conservado para "aquela" ocasião (Obrigada avó pela sua adega)
- Com chourição de carne caseirinho da silva (Obrigada titia pelas lambices que me ofereceu para trazer para cá)
- Com bolachas Maria e marmelada (duas coisas que cá não existem mesmo!)
- Com as piadas mais brejeiras em português à mesa...



Definitivamente bateram-me uma saudades imensas de casa  :(

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Páscoa

Já há cerca de nove anos que não celebro a Páscoa.
Apesar de ter nascido em Braga, uma das cidades que mais vive esta época, pouco me recordo do que lá se passa.
Até uma certa idade passava a Páscoa na aldeia dos meus avós paternos, numa aldeia nas Beiras, depois os meus avós desapareceram e mesmo assim mantivemos a tradição de abrir a casa na aldeia.
Tanto na minha casa na cidade como a da aldeia, nessa altura levava uma limpeza geral de fio a pavio. Depois de chão e mobília encerada, ambas as casas mantinham aquele aroma agradável da cera por alguns dias.
Recordo-me de aguardar ansiosamente pelo sino do Compasso Pascal. Todos os anos era o Padre J., já conhecido do meu pai desde os tempos de mocidade. Como tínhamos sempre uma mesa bem composta e como éramos da primeira casa da aldeia, era ali que o Padre e a comitiva começavam com os seu lanchinho de cinco minutos e dois dedos de conversa.  Beijava-se a cruz, benzia-se a casa, boas festas, boas festas aleluia, aleluia.
Nesse dia a vitela assada ou o cabritinho fazia parte do banquete.

Na semana que antecede ao Domingo de Páscoa era daquelas semanas que mais odiava passar em Braga. Da Quaresma à Pascoa, Braga, boa cidade católica, está literalmente coberta de véus negros e roxos. Sente-se  uma tristeza, porque nada parece alegre a não ser as flores que vão abrindo nos jardins. Uma semana com procissões pela noite, figurantes com cruzes às costas, cânticos tristes, farricocos e tristeza, angustia e muita dor.
Do que fui aprendendo sobre religiões, acho que a religião cristã é a religião mais triste que conheço, não fosse a principal figura um Homem crucificado com semblante de dor.
Semana Santa sempre foi sinal de turistas espanhóis que visitam Braga por essa altura, turistas esses que falam ruidosamente e ocupam as esplanadas do Viana, da Brasileira ou até do Bom Jesus.

Nessa Semana durante muitos anos significava algo que eu realmente odiava: ida ao Confesso. Ninguém gostava desse ritual em casa, com a excepção do meu pai. Ele, apesar de ser um homem religioso, não era de idas à missa (gramou muitas no seminário, dizia ele), mas achava que confessar uma vez por ano era algo obrigatório lá em casa. E ele obrigava todos os anos que toda a família fosse confessar. Nós amuávamos e  bem lhe dizíamos que seria a última vez que nos metíamos numa fila para dizer qualquer coisa ao confessor, mas ele ameaçava-nos puxar as orelhas.
E depois contava todos os anos a história do amigo dele que se foi confessar para se casar pela igreja e que o padre lhe tinha perguntado à quanto tempo não se confessava ao que ele respondeu treze anos. O padre disse-lhe que três anos era muito tempo, e que o amigo do meu pai não se dignou de corrigir que eram treze e não três.
Escusado será dizer que desde que ele faleceu nunca mais entrei num confessionário...

Depois o meu pai faleceu e nunca mais abrimos a casa nem ao Compasso Pascal em Braga nem ao da Aldeia. Nós próprias ausentamos-nos do bairro por umas horitas para ir até ao centro comercial para que não pensem que possamos estar em casa e não queiramos abrir a porta. Mais um ritual que perdemos... mais um ritual...

quinta-feira, 17 de abril de 2014

A vida é mesmo um lugar estranho...

... Um dia está o dono de um bar que frequento em Portugal a publicitar na página do Facebook uma big mega party dedicada à Pascoa no próximo fim de semana...



... E no outro dia a mesma página fica cheia de mensagens de condolências porque o dono faleceu subitamente...

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Carta ao Cancro II

Mais uma vez te escrevo.
Fez esta semana oito anos que vi o meu pai pela última vez por tua causa. Oito anos que por vezes que passaram rápido, outras vezes parece que o tempo de arrastou demasiado.

Faz oito anos que deixaste uma criança com catorze anos orfã de pai. Faz oito anos que envelheceste uma jovem de dezanove anos a olhos vistos. Tornei-me insegura. Sofri de alguns surtos de amnésia. Às vezes penso que um bocadinho da loucura doentia que tenho se deve a ti. Apesar de maior parte das vezes a vida nos ter sorrido, volta e meia temos altos e muitos baixos com retoques de cambalhotas como se de um carrossel se tratasse.

Em casa vivemos-te nove meses na insegurança. Rezávamos para que fosses apenas mais um pesadelo. E por muito que nos beliscássemos sabíamos que estávamos a viver-te ao minuto.  E por tua causa tentamos aproveitar mais e mais os minutos com aquela pessoa que era o meu pai mas que cada vez menos se parecia com ele. E quanto rezamos nós por um milagre... S. Judas Tadeu, Santa Rita de Cassia, advogados das causas difíceis, de pouco ou nada nos valeram.

Pensando agora, acho que aquele tempo todo foi como se tivesse vivido debaixo de água, em que a imagem e o som são pouco nítidos. E lamento que cada dia que passe, por tua causa, cada vez tenho mais dificuldade em me lembrar da voz do meu Pai. Por muito que queira, tenho também dificuldade em associa-lo àquele homem saudável com um sentido de humor fantástico e uma humildade extraordinária. 
Apenas o vislumbro deitado numa cama de hospital, de fralda, com um olhar perdido e um amarelo  ictérico na pele. Ou então a última vez que o vi quando fecharam o caixão. Como é possível que sejas assim tão má? Como é possível?

Cada morte de cada pessoa conhecida que morre por tua causa mexe sempre comigo. Sinto uma enorme inveja de quem diz que conseguiu lutar contra ti e que te venceu. No entanto essa minha inveja fica apagada porque ainda conservo uma fé de que toda a gente te vai vencer e que não passarás de um mero boato malicioso.

Odeio-te...

Alima

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O ciganês

Aula de Medicina Interna no serviço de Medicina Interna do hospital velho.

O professor explica-nos os tipos de hipertensão que existem e como diagnostica-los consoante exames bioquímicos.
Leva-nos à enfermaria onde estava uma cigana, com os seus 40 e poucos anos, muito bem conservada: tinha longos cabelos pretos relativamente bem tratados e a pele, apesar de escura estava também bem tratada. No entanto já lhe faltavam alguns dentes. E típico dos ciganos daqui, cheirava terrivelmente mal.
O professor teve que atender uma chamada telefónica e ausentou-se da enfermaria, deixando os cinco alunos, todos eles portugueses, a fazer o exame físico da senhora. Na cama ao lado da paciente em questão, estava outra cigana, bem mais velha, parecida com a avó Willow da Pocahontas que além de também cheirar terrivelmente mal, pôs se entoar um cântico ignorando o facto que nos estava a perturbar imenso. 

- É mesmo cigana...- diz o H. em português já irritado com aquilo.

Por uma questão de comodismo, desligamos a sintonia inglesa, e começamos a falar entre nós em português enquanto um lhe avaliava o pulso, outro a auscultava e tal. A mulher olhava para nós aturdida até que começou a gritar connosco, enquanto que olhávamos uns para os outros com ar de estúpidos. Pena que nenhum de nós entendeu aquele checo/eslovaco/ciganês. Com aquela gritaria toda, mesmo à drama queen  vs novela mexicana  em modo cigano, uma das médicas que estava a fazer a visita à enfermaria disse para nós sairmos do local, não dando qualquer explicação do que a cigana gritava. Minutos depois,  professor chega, entra na enfermaria, fala com ela e sai da enfermaria com um ar de quem tinha vontade de rir.

Antes da aula acabar, como sempre vamos para a biblioteca do serviço onde fazemos um apanhado do que vimos e do que deveríamos fazer em relação ao que vimos. Então o professor perguntou:
- Vocês em Portugal também têm ciganos?
- Sim, temos alguns- respondeu uma das minhas colegas.
- E vocês lidam bem com eles?
- Depende, há aqueles que trabalham nas feiras, vendem polos da Lacoste e cuequinhas gola alta e há outros que são uma espécie de parasitas: não trabalham, dedicam-se ao roubo, tráfico de droga, fazer escândalos nos hospitais, na segurança social... Tem direitos mas não têm deveres, está a entender?

O professor coça o queixo e diz:
- Sim, estou a ver... Esta cigana é uma dessas. 46anos, oito filhos, cinco netos, vive num barraco sem condições e azar dos azares em risco de ter de fazer hemodiálise porque tem os rins em mau estado. Síndrome de Alport é comum na população cigana muito por causa da consanguinidade.  Vocês sabem porque é que ela gritou com vocês?
- No idea- respondo.
- Porque vocês segundo ela estavam a gozar com ela. Estavam a falar CIGANÊS, disse ela. E ela estava a se sentir muito ofendida. 

 Um dos meus colegas em português vira-se para o prof.  (que por acaso é um velhote super amoroso e um Harrisons em forma humana) e diz:
- FILHA DA PUTA DA CIGANA. CHEIRA MAL QUE ATÉ TOMBA, INFESTA O MAU CHEIRO PELA ENFERMARIA TODA E AINDA ACHA-SE OFENDIDA...!

Foi risota geral. O professor mesmo não entendendo ponta de um corno do que o meu colega disse riu-se  também. Ciganês... Ciganês o caraças!

Só para realçar:
1. Não sou racista nem xenófoba. Só tenho preconceito de quem cheira mal e nada faz.
2. Mesmo a falarem checo/eslovaco/hungaro eles falam de forma aciganada com retoques de alentejanês, tal como em Portugal.
3. Tuga que é tuga não se importa de dizer calão. Eu própria já chamei palhaço em português a um prof no meio de uma discussão em inglês. Pena que alguns profs já estão a entender o significado do calão português, italiano e grego. Cazzo. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Coisa que me irritam mesmo

A minha avó foi internada no sábado passado por causa de uma queda nas escadas e fractura do colo do fémur.

Demorou cinco dias para ser operada. Ficou esses cinco dias na cama, com a perna imóvel. Ficou desorientada de tudo durante os primeiros tempos que passou no hospital. Depois da desorientação veio a sonolência excessiva. Segundo a minha mãe, pelo facto da avó estar muito tempo deitada, anda a tossir muito. Expliquei-lhe que muito provavelmente será por causa do seu grande coração, principalmente do lado esquerdo.

Do estrangeiro, tentava comunicar com a L.: não se sabia quando seria a operação, toda a gente ficou no impasse do será hoje ou amanhã que ela vai ao bloco.
A L. recomendou que mi mamy falasse com a equipa que iria operar a minha avó. 
Mi mamy meteu-me ao telefone para conversar com uma médica da equipa(uma simpatia já agora) porque achava que sou mais capaz para comentar o assunto que ela (mi mamy, a atadinha de sempre)
A médica pergunta-me se a velhota tem alergias. Desconheço.
Pergunta-me qual era o nível de consciência e orientação. Digo que a avó é praticamente autónoma, volta e meia tem os seus lapsos, uma ligeira demência talvez mas nada de muito sério.
Pergunta-me se avó caminhava. Sim e muito. Às vezes até corria. Sempre muito activa.
Pergunta-me sobre conheço os riscos da cirurgia. Eu digo que conheço muito bem os riscos da cirurgia e os riscos que ela corre se não a fizer.

Perguntei à médica porquê é que a minha avó não tinha ido ainda ao bloco. A médica dá uma desculpa de que a equipa esteve nas urgências num dia e que no outro dia o médico que a deveria operar estaria de folga. 

Fui sincera com a médica. Achei que estavam a adiar demasiado ou a evitar a cirurgia. Disse-lhe entre linhas que esta imobilização da minha avó está a deixa-la deprimida e menos reactiva (para não falar no risco de úlceras de pressão e outras coisas bem mais chatas). A médica começa a espingardear um bocado, diz que não é bem o caso, que é se trata de uma cirurgia simples, mas que como eu disse que ela caminhava, iriam ser mais rigorosos com a prótese que lhe iriam colocar. E então cometeu o maior deslize: SABENÓS ÍAMOS OPERA-LA NA SEGUNDA FEIRA, MAS ELA REAGIU MAL À ANESTESIA. ELA ESTAVA AGENDADA PARA SEGUNDA FEIRA.

E foi então com uma grande perspicácia da minha parte que lhe perguntei e que a deixou acabrunhada: COMO É QUE VOCÊS IAM OPERA-LA NA SEGUNDA SE A MINHA MÃE ACABOU AGORA MESMO DE ASSINAR O CONSENTIMENTO PARA QUE SEJA FEITA A CIRURGIA?

Comento com a T. sobre este assunto. A T. diz e com razão: O problema da tua avó é falta de uma boa cartola. Se fosse vocês fossem do tipo quero, posso e mando, ela já teria sido operada há mais tempo.

Detesto quando nos deitam areia para os olhos. Detesto esperar por coisas que não deveriam ser inadiáveis. 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Coisas que me irritam mesmo...

... Pelos vistos a minha avó estatelou-se nas escadas. Algo que não me admira, porque além de ela ter 90 anos e as suas perninhas e a sua não cabecinha serem como outrora, ela tem a puta da mania de não ligar as luzes e vão andado pela casa às escuras, aos apalpões.

O que aconteceu na casa da minha tia, poderia ter acontecido na minha casa ou na casa de outro filho: casas grandes cheias de tapetes, com escadas são sinónimo de quedas em adultos e idosos.

E pronto, soube da notícia em primeira hora. Falava com mi mamy via skype (como todas as noites) quando tocou o telefone lá de casa, ouvi mi mamy a conversar com a minha tia sobre os detalhes da queda e posterior internamento da velhota.

No dia seguinte, ao final da tarde, liguei para a L.,velha amiga desde os tempos de curso, enfermeira do serviço onde está internada a minha avó para saber detalhes que a minha mãe não entende. Uma das perguntas que lhe fiz foi quem lá passou para visitar a velhota. 

- Além da tua mãe, passaram três parecidas com ela (minhas tias) e uma nada parecida(minha outra titia)   e quatro homens, três deles de bigode e parecidos (meus tios), um deduzo que seja marido de uma que é parecida. Graças a Deus que na família o molde foi sempre o mesmo. Só mudam pequenos detalhes na fisionomia. 

Perguntei por netos.
- Só vi para aí quatro jovens.

Considerando que a minha avó teve oito filhos, tem actualmente quatro noras e dois genros e tem dezoito netos, todos a residir no distrito de Braga (excepto eu e dois primos que somos muito aventureiros para vivermos em Portugal), onde foi parar aquela malta toda num domingo à tarde? Sei perfeitamente que não pode entrar em modo maciço todos os elementos da família no hospital (a não ser que sejam ciganos), mas até a data de hoje, a minha avó está hospitalizada e recebe sempre as mesmas visitas. 

Cadê os outros?

Fui dar umas cuscada no facebook de alguns familiares que sei que ainda não foram lá e vivem a cinco minutos dos hospital. E sei que não vão sequer meter lá os pés porque não é a primeira vez que a minha avó fica internada. Uma tem fotos do retiro de yoga que fez este fim de semana, outra tem fotos que tirou na discoteca e outro, enche-se de frases feitas e postas na boca do Dalai Lama sobre respeito, o amor, a paz e essas coisas. Patético, penso eu. Tanta frase bonitinha e ainda não se dignou de visitar a sogra.

Não é que a minha avó seja um caso de abandono. É mais um caso de que se calhar poderia ter mais apoio pelos familiares. Apesar de ela viver em Braga assim como quase todos os filhos, ela só é realmente apaparicada no aniversário dela e no Natal. E porquê? Porque ainda fazem essas festas na casa dela, e como todas as festas, elas são boas para o convívio. 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Alerta MORANGOS

Comprei uma caixa de morangos, mais por gula do que por outra coisa.

Não sou uma grande apreciadora desses frutos, mas são daqueles que mais me fazem recordar a minha casa e o meu jardim, já que pela Primavera tenho sempre um morangal mais ou menos viçoso.

Não comi tantos quanto isso. Uns quatro bastaram.

O que é certo é que passado poucas horas, já estava eu na cama, despertei com uma dor intensa de cabeça e de barriga. Não me conseguia pôr de pé decentemente, todo o meu quarto rodava sobre mim. Completamente nauseada, lá me arrastei para chegar ao WC.

Não consegui dormir toda a noite. As luzes dos candeeiros da rua, apesar de ter as cortinas cerradas, cegavam-me. 

Na manhã seguinte, quando arrastei-me para o WC para lavar a cara e maquilhar-me vi uma Alima, com a cara e lábios super inchados e com uns enormes papos vermelhos em redor das palpebras.
Voltei para a cama, cheia de vergonha de aparecer na faculdade desta maneira.


Nunca tive uma reacção destas tão séria com os morangos. Provavelmente sou alérgica a morangos de Leste :)

Sei que em nenhuma circunstância não posso tomar aspirinas nem  penicilinas because my mum said so (Ok, ok, tive uma reacção anafilática à penicilina tinha eu 9 anos em que quase me fizeram um furo na garganta...)

Adeus Morangos de Leste... Adeus...




domingo, 6 de abril de 2014

Jó reggelt Budapest!

...ou Bom Dia Budapeste.


Por unanimidade dos intervenientes, ficou decidido que o fim de semana seria para passar a viajar e a desfrutar a noite da capital Húngara.


Factos a reter:
1. Budapeste é uma das minhas cidades favoritas pois sou apaixonada por História e Arte. E aquela cidade transpira as duas coisas q.b.

2. Budapeste tem os melhores restaurantes turcos na minha opinião. Sou suspeita, adoro comer, comida turca é das gastronomias que mais aprecio  (não tivesse eu provado imensos pratos graças às minhas fantásticas e amorosas ex-flatmates que entravam em colapso quando dizia que usávamos sangue em alguns pratos portugueses).

3. Budapeste por ter como moeda o Florint que tem um valor baixíssimo comparando com o Euro, é uma cidade ridiculamente barata. Pelo menos a parte não turística. 

4. Budapeste é considerada a capital da moda nos países considerados de leste. O que faz com que se encontre roupa super bacana. Tem imensas lojas de roupa em segunda mão com roupas e acessórios  de excelente qualidade (aquela bolsa Furla linda e maravilhosa que desencantei em excelente estado de conservação, ou aquele blazer Versace que amo  numa dessas lojas perto da sinagoga das últimas vezes que visitei Budapeste que o diga...)

5. Budapeste tem muita vida nocturna. E do que se passa nela, pouco me consigo recordar com nitidez. Só sei que foi um entra e sai em bares, discotecas e em discotecas localizadas em ruínas e que uma das jovens que foi comigo foi javardamente apalpada por dois desconhecidos no espaço de meia hora.

6. Budapeste tem muitos turistas que tal como nós vão lá para se divertir (okok, Budapeste é também considerada das capitais do porno e como tal há zonas na cidade que... não interessa...)

7. Quase todos falam inglês. Logo, evitar comentários entre nós em inglês, sff.

8. Para aventureiros e tesos como eu, ficar hospedado em hosteis é uma excelente solução. Pagamos cada um 3.50€ por uma cama num hostel muito simpático e acolhedor. Um dos hóspedes mais simpaticos era um Pug que recebeu imensos mimos que foram um consolo para ele e para nós, já que estamos separados dos nossos animais de estimação e desta forma foi óptimo para matar saudades de sacos de pulgas. 

9. Budapeste é óptima para tirar fotografias. Especialmente se tivermos uma veia artística de as tirarmos bem. 

10. Budapeste tem uma particularidade que adoro e que não posso dizer o mesmo de Viena: consegue-se comprar antiguidades baratas. No meu caso, eu adoro loiça e cristais da Boémia. E sempre que vou a Portugal, levo na mala, com todos os cuidados do mundo, todas as peças que vou adquirindo. 

Coisa a reter para não voltar a repetir:

1. Jamais, mas jamais deixar que um muçulmano se junte ao grupo. Ou reclamam porque só bebemos álcool, ou reclamam porque os restaurantes que queremos ir não haja carne Hallal, ou reclamam porque as mulheres do grupo não se dão ao respeito ao levar vestidos curtos... pffffffffffffffffffff
Além disso não conseguem falar baixo numa igreja e quando nos vêm a rezar (o que ainda é de praxe em cada igreja que se entra) não se importam em interromper as orações dizendo que parecemos ridículos, mesmo se esquecendo que rezam numa posição menos ortodoxa, com o cú virado contra Meca. Mas pronto, os meus arrufos e stresses com muçulmanos deste tipo deram e darão muito pano para mangas.

2. Jamais mas jamais aceitar conselhos de restaurantes por parte desse muçulmano. Comida paquistanesa não é para mim nem para mais ninguém com a excepção dele. E além de picante, mesmo avisando que não o poderia ser, demorou 45 minutos para chegar à mesa, mais o tempo para chegar ao restaurante o que foi uma perda de tempo, quando poderíamos ter frequentado comida que apreciamos. Além disso aquilo era um tasco em que não havia WC nem sitio para lavar as mãos (e considerando que esse tipo de comidas é para ser comido com as mãos...)

3. Não levar um par extra de sapatos. Os pés de todos nós incharam. Ao fim de umas horas ninguém conseguia caminhar. Mas o nosso ânimo voltou quando substituímos o nosso calçado por sabrinas e sapatilhas de pano.

Passar um fim de semana em Budapeste para mim é como ir de Braga a Lisboa passar um fim de semana. E sempre que visito Budapeste fico mais e mais apaixonada com a cidade.
Sim, tenho saudades dos meus cães...

sábado, 5 de abril de 2014

Because I love Amazon!

Pronto, há quem publique nos blogs unhacas de cores berrantes e ache isso um máximo e que esteja à espera de comentários de wohhhh, que fixe!, eu cá vou publicar uma foto de algo que me dá prazer em comprar: LIVROS. 

O escritório/biblioteca que tenho em Portugal é o meu local favorito de toda a casa. E é a parte da casa que mais gosto de fazer limpezas, para poder ir namorando as lombadas dos livros que brevemente vou ler. É o local da casa onde mais investi em quadros que fui comprando nos tempos que vivi em Barcelona e nos meus passeios por Cracóvia, Viena, Praga, Madrid, Londres, Paris e Budapeste. Alguns desses quadros são de locais típicos dessas cidades, outros são imagens do Gray's Anatomy desenhadas e pintadas sob páginas de livros velhos (que por acaso comprei no Amazon). E felizmente mi mamy não se zanga quando boto mais uns livros na nossa biblioteca. Só se zanga mesmo quando compro bolachas e porcarias que fazem mal ao corpo. 


Estes são uma amostra de alguns livros que comprei em 2014 pela Amazon e que vieram para aqui. Os restantes foram chegando a Portugal (e não vieram para cá porque não preciso deles já já já ou porque são livros que vou lendo na praia durante as férias, sim porque comprei também alguns romances para me entreter). São livros em 2ª e 3ª mão, muito bem estimadas, alguns deles vieram de bibliotecas,de uma ou duas edições atrás, mas que servem perfeitamente.
Ai e tal são em Inglês...? Pois são. E ainda bem que sou fluente em Inglês. Lá em casa a única que não percebe ponta de inglês é a minha mãe e também não estou a vê-la a pegar num destes livros...



Todos eles comprei-os pela módica quantia de 1 cêntimo. Com portes de envio ficou cada um por cerca de 5euritos. E mesmo assim saem mais baratos que fotocopias e ficam bonitinhos nas prateleiras. 

Obrigada Amazon! Vales mais que 1000 Fnac juntas! Palavra de Alima...

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Do Amor


Purifica o teu coração antes de permitires que o amor entre nele, pois até o mel mais doce azeda num recipiente sujo.
                                                                                                                                    (Pitágoras)


Desculpa...

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Coisas que me irritam na blogosfera

 Deixar um comentário devidamente identificado em algum blog, não concordando com o ponto de vista do autor do blog e verificar que esse comentário nunca foi publicado.


MAS VIVEMOS NO TEMPO DA CENSURA OU DA MARIA TEM-DE-AGRADAR-A-TODOS OU O QUÊ?

Sim, odeio unhas de gel especialmente com cores NEON

Sim, acho isso de uma foleirice tremenda (ok ok, eu não sou  assimmmm tão contra as unhas de gel... só não acho piada nenhuma borboletas, corações e cores berrantes nas unhacas. Unha de mão que é unha de mão pinta-se de cores neutras (a dos pés que façam o que quiserem!)

Sim, odeio blogs em que mostram a puta das manápulas com unhas pintadas de amarelo/verde vómito em que estão à espera que digam "Oh que giro...deixa-me bajular-te até ficares inchada"

Sim, odeio blogs em que aproveitam-se do bom nome de algum blog conhecido (ou até dois blogs conhecidos) e tentam vender titica de galinha por ouro. (Mas adoroooo aqueles blogs que são de gente bem mais inteligente e bem mais sarcástica que esses blogues mais conhecidos!!!)

E sim, comento-os e critico-os porque tenho tanto direito como eles têm de publicar coisas.