sexta-feira, 14 de março de 2014

Histórias da Família na Família- Factos arrepiantes I

É mais que sabido pelas gentes da aldeia Natal do meu pai, de que quem é da minha família, tem o seu quê de isotérico. E muitos associam que isso será derivado a algumas mortes estúpidas de certos familiares. Todos nós temos algumas histórias arrepiantes para contar. Eu já passei por situações que não fazem lembrar ninguém. Se tenho medo? Não, nenhum. Se vivo à procura de fenómenos paranormais? Não... eles próprios vêm ter comigo.
Não sou adepta de filmes de terror, mas confesso que gosto de filmes sobre espíritos e tal a filmes com serial killers. Mas gosto de pensar que os espíritos que por aí existem (porque existem mesmo) não andam por aí a tentar aterrorizar os vivos... talvez estejam a tentar lembrar os vivos que a morte existe e que o Além também.


Tinha eu cerca de nove anos e como tal adorava brincar com os meus primos quando nos encontrávamos na casa dos avós maternos. Um dos nossos jogos predilectos era o esconde esconde, que na casa dos meus avós era o local mais que perfeito porque se trata de um casarão centenário que imensas divisões. Eu e a minha prima resolvemos esconder-nos no salão do fundo do corredor. Esse salão está sempre com as portadas fechadas e só é aberto quando o Compasso Pascal vai a casa. É um salão que tem a melhor mobília e a sua imponência está associada aos tapetes persas e chineses do século XIX que cobrem as paredes assim como quadros a óleo de antepassados meus. Eu e a S. entramos no salão que estava escuro. Senti um enorme arrepio e as portadas das janelas mexeram-se todas, assim como o candelabro com cristais a meio do salão como um sismo se tratasse. Senti o meu bafo em forma de vapor. A S. olhou para mim com um ar assustado, abriu de novo a porta e saímos disparadas daquela sala.
"Que foi aquilo?"- Perguntou-me.
"Não sei..."


Nunca mais tocamos no assunto. Confesso que nunca mais entrei naquele salão sozinha...

Até que um dia, anos mais tarde, foi inaugurada a capela Mortuária da freguesia.

Perguntei por mero acaso à minha mãe, onde eram feitos os velórios dos defuntos...

- Os mais pobres, faziam na igreja... Os mais ricos, faziam em casa... Na nossa família, os velórios eram feitos no salão ao fundo do corredor... o dos tapetes... E olha que muita boa gente já lá foi velada!

Assim que tive oportunidade, voltei a simular aquela tarde de esconde esconde. O chão é de tijoleira, a porta naquela tarde foi fechada devagar para não sermos apanhadas... e não consegui sentir mais aquele transe que passei...




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