terça-feira, 11 de março de 2014

Das psiquiatrias...

Jovem do sexo masculino, 28 anos, estudante de Direito numa faculdade fora do seu país de origem foi internado há cerca de três semanas no hospital universitário com o diagnóstico de Síndrome de Asperger + depressão+ dependência química, vulgo álcool.
Tratava-se de um rapaz muito bem parecido com um discurso em inglês bem fluente (yuppiiii) que parecia estar à vontade com as perguntas que lhe íamos fazendo.

Mãe professora, pai engenheiro, nunca gostou de desporto, não cultivou grandes amizades durante a sua infância e adolescência, preferia livros a pessoas. Segundo ele, muito bom aluno até ter ficado afectado por um chumbo numa cadeira.

Disse-nos que se agarrou ao álcool para fugir aos problemas. Acha-se bem parecido e carismático mas confessa que o facto de nunca ter tido uma namorada a sério e de apenas ter tido relações fugazes o deixa deprimido. Que talvez isso seja uma das razões para se ter tornado alcoólico. "As mulheres só querem amizade comigo. Sou muito prestável com elas e quando lhes peço para termos uma coisa séria elas dizem que só vêem como amigo." Tentar ser amigos de mulheres? Big mistake..., confidencia-me o meu amigo D. ao ouvido. Concordo com o D., apesar de ser mulher. Mas também lhe confidencio que as mulheres nesta zona da Europa são umas frescas de primeira. Basta ver o deboche erótico sempre que se sai à sexta à noite para a discoteca da zona. 

Quando ouvia o paciente comecei a fazer uma retrospectiva de algumas pessoas que conheço que têm exactamente as mesmas características. E quando digo exactamente, digo mesmo exactamente: dependentes químicos, pessoas muito retraídas e pouco sociais, alunos brilhantes que entram em colapso se têm um pequeno deslize, pessoas que por muito que se esforcem não conseguem prender alguém. Pessoas que tão bem conhecemos o que nos põe a pensar se têm um parafuso a menos ou não. A sorte deste jovem reside em fazer parte de uma família que o orientou para se tratar como deve de ser. Foram uma boa âncora.

Teremos nós tantos doentes psiquiátricos espalhados que se calhar não sabem ou não fazem ideia que sofrem de alguma perturbação psiquiátrica?  Qual é o limite do ser saudável e o de estar enfermo? Fica a dúvida...



Alima

3 impressões:

S* disse...

E com as dificuldades, parece-me que as perturbações mentais crescem a um ritmo alucinante.

capitão disse...

O crescimento harmonioso na nossa sociedade é uma coisa muita difícil, pois anda tudo demasiado acelerado. Eu não sou psiquiatra, mas duvido do diagnóstico de sindrome de Asperger nesse doente que tem um desajuste social e que usa alcoól como anti-depressivo.
De facto as mulheres são um problema para os jovens, quando eles necessitam de sexo e elas querem casamento. Isto é um problema de muito difícil solução se a pressão social / expectavivas femininas não se adequam

Luna disse...

Eu sei que é exagerado, mas vou para a faculdade de Direito este ano e estou com um medo enorme de começar a "bater mal" com a descida considerável das notas...

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