domingo, 2 de fevereiro de 2014

Do partir

Saí de casa às 3h30 da matina rumo ao aeroporto Sá Carneiro.
Entre sorrisos e choros, lá me despedi da minha mãe, da minha avó, da minha irmã.
Despedi-me também da minha casa, do meu jardim, do meu carro. Os meus cães sentiram aquele afago que lhes dei antes de entrar no carro e emitiram um ganido como que entendessem a minha angustia. Vou partir. Voltarei em Junho em dia incerto. Mas ate lá terei de abdicar de casamentos, da festa de formatura da minha irmã, de aniversários, de jantares de amigos.
A mala vai cheia de roupa, livros, produtos portugueses para camuflar as saudades. Vai cheia de sonhos e expectativas. Dúvidas já não são assim tantas. Já fiz a curva que antecede a meta. E a minha meta é mais um canudo.

Do Porto  voei para Lisboa. Em Lisboa estive seis horas a absorver tudo que fosse Portugal. Tomei o meu último café e comi a minha última nata portuguesa. Custou-me imenso pensar que o próximo jornal que folhear português será no distante Junho.

São 18h em Budapeste. Entre chegar e o não chegar do táxi que me levará à cidade onde vivo são 6h de espera e viagem. Faz muito frio. Neva bastante. Uma lagrimazinha teimosa caiu-me. Uma lagrimazinha de saudades e tristeza por estar aqui de novo. É por uma boa causa, repito sempre aos outros e a mim própria. Uma causa que em Portugal muito dificilmente poderia lutar.

Sei que nos próximos dias todas as pessoas parecerão que falam português. Escapar-me-ão muitos Obrigada em vez de dakujem. Mas até lá já estarei de novo habituada à minha rotina. A minha família durante as próximas semanas já não será a minha família de sangue, mas uma família oriunda de vários pontos do planeta. Não terei tempo para sentir saudades tal a minha carga horária na faculdade.

E vale a pena? Claro que sim.

2 impressões:

capitão disse...

O mundo global. A raiz num lado, o tronco no outro e os frutos ao vento,!

S* disse...

Custa sempre, mas faz parte da vida. Boa viagem!

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