quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Como deixar a Alima em estado de fúria...

... Quando alguém está a contar uma história a vários portugueses que se passou dias antes sobre gente que se cola nas filas da secretaria...

- ... Eu mandei-a pro C***lho por se ter infiltrado  e a gaja diz-me "Olha que também sou Portuguesa". E olha, eu disse-lhe "Olha e o que tem? EU NÃO VENHO DE AROUCA PARA ME TOMARES POR ESTÚPIDO"!

Tugas riram-se


E pronto, Alima ligou os sensores...
- NÃO VENS DE AROUCA PARA TE TOMAREM POR ESTÚPIDO? Mas que PORRA de  EXPRESSÃO É ESSA?
- Ai, isso é só uma expressão Alima... Sabes que Arouca tem fama de gentinha um bocadinho lerda...
- Fama de gente LERDA? Onde tiraste essa informação?
- Porra, até parece que estás ofendida... Já basta estares a defender o Norte e Braga e agora ofendes-te por eu ter dito que os arouquenses são lerdos...
- Eu não ficaria ofendida se eu metade das minhas raízes fossem de lá COMO TU BEM SABES... E olha que nunca lá vi gente lerda...

- Oh prontos... Mas olha, são só expressões... Como dizer que se deixas a porta aberta és de Braga... Mas cá para nós, se não fosse o Arouca ter entrado na 1ª Divisão, aquilo nem fazia parte do mapa...

- Lá está, estou a ver que a gente lerda não está em Arouca. Está mesmo espalhada por Portugal inteiro. Antes de se falar no FC Arouca, as pedras já lá pariam, as vaquinhas arouquesas já pastavam pela Freita, as trilobites já lá estavam estampadas na ardósia e no xisto, as pessoas já tinham apelidos como Tavares, Quaresmas, Teixeiras e Brandões a água já caia na frecha (da Mizarela), e as freiras já tinham inventado o pão de ló e aquela doçaria toda... Futebol é só um pequeno pormenor... pequenininho mesmo!


1- Nunca ouvi tal expressão;
2- Orgulho-me da minha costela arouquense...
3- Mesquinhez e lerdice está na cabeça das pessoas... e não é exclusiva de todo de uma vila.
4- Vou acabar o curso sem amigos...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A blasfémia



Depois de ter lido esta notícia, fiquei com uma sensação de não saber se haveria de rir ou se de chorar. Segundo a notícia, os médicos formados no estrangeiro têm piores resultados nos exames de especialidade.


Segundo a Sô Dona Isabel Pavão Martins, detentora do estudo, talvez bolseira de porra alguma, os resultados estão à vista porque, como diz no Público "Estes piores resultados na prova de acesso poderão ser explicados pela formação de menor qualidade em algumas das universidades estrangeiras em comparação com as escolas médicas nacionais, ou por uma pior preparação de base, sobretudo no ensino secundário — muitos destes alunos não entraram nas faculdades nacionais e recorreram ao estrangeiro como opção de recurso

Vamos lá começar por partes: 
"Estes piores resultados na prova de acesso poderão ser explicados pela formação de menor qualidade em algumas das universidades estrangeiras em comparação com as escolas médicas nacionais"- Uma falácia péssima e sem fundamento nenhum. Se a coisa fosse mesmo verdade, Portugal estaria na vanguarda no que respeita a medicina, coisa que muito sinceramente não está. Quem normalmente está a estudar no estrangeiro (e estou a falar quem está a tirar o curso na Europa Centra/Leste, abstenho-me de falar quem está a tirar actualmente o curso em Espanha porque sinceramente não conheço bem a realidade), está a tirar o curso em universidades em que além de existir o curso na língua nativa, existe o curso em Inglês. Coisa que provavelmente muito bom professor numa faculdade de medicina portuguesa se borraria de medo de certeza se tivesse que leccionar noutra língua que não fosse o português.


Eu de boa vontade escreveria um estudo sobre a estupidez e mentalidade tacanha da sô dona Isabel. Mas não aprofundando muito sobre isso posso dizer, que Charles University, na Repùblica Checa é no ranking Europeu e Mundial de Universidades, a 26º lugar a nível Europeu e no 124º lugar a nível Mundial (ficando assim à frente de qualquer faculdade portuguesa). Ou então, por exemplo na minha faculdade, logo no primeiro ano, paga-se uma caução e a biblioteca fornece TODOS OS LIVROS NECESSÁRIOS PARA O CURSO, EVITANDO PAGAR FOTOCOPIAS. E falo por todas as faculdades de Medicina na Europa Central/Leste e pelo facto de adquirirmos um conhecimento muito prático em cadeiras que em Portugal são muito teóricas. Falo portanto da disponibilidade de cadáveres como modelos anatómicos (quando tinha a cadeira de Anatomia era um cadáver para três alunos durante a aula). Como dizemos no Norte: IMPECÁBEL.


Portanto, sô Dona, somos bons em futebol e outras merdices, mas não nos venha dizer que os alunos de medicina portugueses em Portugal são uns super heróis. Ainda só tivemos um Nobel da Medicina, e antes disso o Egas teve que estudar Neurologia em Bordeaux e Paris, ser Embaixador em Madrid e Ministro dos Negócios Estrangeiros e ser alvejado por um dos pacientes lobotomizados.


Outras faculdades estão a emergir a olhos vistos no que respeita a ciência pela Europa Central. Mas pronto, a sô dona Isabel, com certeza patriota assumidérrima, elitista, deve continuar a achar que quem estuda fora porque não teve média para entrar em Portugal não passa de reles escumalha. 


"Por uma pior preparação de base, sobretudo no ensino secundário — muitos destes alunos não entraram nas faculdades nacionais e recorreram ao estrangeiro como opção de recurso" Parcialmente verdade. Mas digo-lhe mais: Eu nunca ambicionei seguir Medicina. Vou ser sincera: Sentir-me-ia realizada se tivesse seguido História ou Geografia. E como não segui Humanidades, ambicionei ser professora de Biologia/Geologia. Desta forma, até ao final do meu 12º Ano não me interessei muito em sacar 20's. O meu pai bem dizia "Quando for para brincar, brinca-se, quando for para estudar, estuda-se", mas eu adolescente estúpida e pouco ambiciosa sempre fiquei contente com o meu 17. .A questão é que passado uns anos, depois de me ter formado no meu primeiro curso é que pensei num"e porque não medicina?" Naquela fase do campeonato, teria que voltar de novo ao secundário e voltar a fazer exames nacionais e algumas melhorias. E foi então que optei em estudar no Estrangeiro. E TAL COMO EU, MUITOS OUTROS LICENCIADOS QUE ESTÃO AQUI COMIGO NESTA FACULDADE FIZERAM O MESMO. MEDICINA É UM SEGUNDO CURSO. E quer saber mais, sô dona Isabel? A escumalha que não teve média para entrar em Portugal, na faculdade onde estudo, são os melhores alunos do Curso. Até digo mais, a escumalha do curso de Medicina na faculdade onde estudo são os alunos gregos e árabes, descendentes de Hipócrates, Galeno, de Avicena e Arrazi. E esta, hein? Uma coisa castiça que aconteceu na semana passada: Num teste de QI que fizemos numa aula de psicologia, os portugueses (está a ver, aqueles que não tiveram média para entrar em Portugal?) tiveram as melhores classificações.


Fico a pensar como é que nós portugueses, que somos os melhores nas faculdades de medicina na Europa Central/Leste, somos considerados burros na mentalidade da sô Dona Isabel e de outras Sô Donas Isabeis. Aliás, tenho uma sensação que a sô dona quer mostrar que o curso de medicina em Portugal é mais difícil. Mas sabe, se acha que o curso de medicina é difícil, sugiro que dê uma vista de olhos no programa do curso de Ciências Farmacéuticas ou então em Engenharias Informáticas. Isso sim, é dificuldade nível 1000. 


Temos um conhecimento teórico tão bom, que os próprios professores nos dizem para sermos nós próprios a escolher o livro que nos adaptamos melhor para estudar. E o Harrisons é um livro maçudo e chato como o caraças, já disse no outro dia o meu professor de Medicina Interna.  Já lhe disse que paguei uma caução e posso escolher os livros que quiser para estudar?


Não se esqueça que o exame de especialidade não testa conhecimento. É uma prova de seriação que testa marranços. Qual é a vantagem de saber a percentagem de cancro colo rectal na população negra dos Estado Unidos se na realidade o que me interessa mesmo é saber porque é que o senhor Manuel de Macedo de Cavaleiros tem cancro???

Sim, temos algumas falhas no sistema de ensino. Mas não há sistema de ensino perfeito, caso não saiba. 

E a sério, deixe-se de estudos desses... Olhe que os nossos pais podem pensar que o que você diz é verdade... 

Faça mas é um estudo porque é que em muitos países o exame final resume-se a um exame de conteúdo geral desde o 1º ano até ao 6º e em Portugal nicles. Ou porque é que não existem exames estatais (que só de pensar em responder perante um juri composto por professores desconhecidos, já dá voltas à barriga) E aí iria ver os seus brilhantes alunos de 18's a serem corridos a pontapé pela escumalha :)

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A Farmácia e a Galinha

Baseado em factos verídicos

Tenho um amigo que trabalha numa farmácia.
Estes dias, estava o pobre a organizar as caixas de medicação quando entra um cliente habitual com uma galinha debaixo do braço.
Prontamente esse meu amigo perguntou o que desejava.

Resposta do cliente:
-Sabe Sr. Dr., o meu médico disse que eu tenho o sangue gordo. E hoje deram-me este franguito. O Sr. pode verificar se o frango tem também o sangue gordo aí com a sua máquina para ver se o posso matar e comê-lo ainda hoje?

True story

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Carta ao meu tipo de homem ideal

Penso eu que ainda não nos conhecemos... Mas se já nos conhecemos sinto-me triste por nunca ter pensado em ti como tal. Talvez seja por culpa minha, eu, cega e distraída que sou, nunca consegui interpretar-te como sendo o homem com quero passar o meu futuro...E se nos conhecemos, há também a possibilidade de que nunca tenhas pensado em mim até então como mulher...

Mas o futuro, essa grande incógnita existe sempre. Podemos morrer amanhã e não chegarmos sequer a conhecermos-nos. Isso seria uma pena tremenda... E se vivermos até ao dia em que nos olharmos um ao outro e pensarmos que talvez a nossa existência valeu a pena, quero ter a certeza que a felicidade estará de mão dada a nós.

Antes que me digas que me amas, quero que digas que me respeitas. Que me respeitas como mulher, como tomadora de decisões, como membro de uma família que é a de sangue e a de afectos.
Quero que sejas honesto comigo. A honestidade muitas vezes traz consequências, mas julgo que essas consequências são bem piores quando mentimos. Se a minha atitude não está a ser a mais correcta, corrige-me por favor. Se tenho um rasgão no casaco, ou o cabelo desalinhado, avisa-me por favor. Se achas que as coisas entre nós não estão a dar certo, conversa comigo. Não te distancies de modo a que eu pense que a culpa é tua... ou que a culpa seja toda minha...

Não sou muito exigente com a beleza física de um homem. Nem todas as mulheres são loiras e de olhos azuis, logo eu não posso exigir tal coisa de um homem.
A única coisa que te peço é que sejas um homem com alguma cultura geral. Gosto de conversas de todos os temas. Lê livros, ouve músicas, vê filmes e documentários. Uma relação só é uma relação quando há partilha de ideias. Sempre ouvi dizer que devemos dormir com livro na mesinha de cabeceira. Ou então com alguém que pelo menos já leu um...
Tenta te informar um pouco sobre política. Tenta saber um pouco sobre geografia e história e de coisas relacionadas com medicina. Esses são os meus tópicos favoritos. E se queremos passar a nossa vida juntos, é bom que possamos compartilhar ideias e de que haja feedback sobre aquilo que compartilhamos. E eu prometo que farei um esforço para saber algo sobre futebol e de carros.
Adoro viajar... espero bem que também gostes.
Adoro paisagens nocturnas e o pôr de sol à beira mar. Contudo não gosto de passar muito tempo na praia, porque o sol aflige-me. Mas se gostares assim tanto de praia, prometo que me distrairei com algum livro.
Verão para mim é sinónimo de esplanadas durante a noite com um ou dois finos a acompanhados por um grupo de amigos. E algumas noites passadas na discoteca à beira mar com o mesmo grupo de amigos
Inverno é sinonimo de lareira, manta polar e filmes. Ou então na casa de amigos a jogar monopoly e a ver filmes acompanhados por fondue e pão com chouriço caseiro.

Não sou muito exigente, espero que não o sejas também...
Até uma próxima carta,

Alima





quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

E faz hoje três anos...

Que cheguei à conclusão que não valias a pena tanto sacrifício.

Sabias que de mim terias tudo que quisesses. Sempre foste cobarde para assumir o que fosse. Tinhas-me como garantida para os teus caprichos.
Após anos e anos de luta para que tu pudesses olhar para mim não como uma amiga mas como mulher, ao fim de mil e um sacrifícios por ti, simplesmente baixei os braços e escrevi-te por sms "Já chega! Vou seguir o meu caminho. Boa sorte para o teu". Tu limitaste a escrever "As you wish!".
E foi assim, no dia 13 de Fevereiro de 2011 que deixei de amar alguém e comecei tentar amar a mim própria.


Duas ou três palavras trocamos depois disso. Mandei-te uma mensagem de Feliz Aniversário via facebook (porque às vezes sigo os conselhos dos amigos), tu tentaste-me adicionar de novo (já que eu te tinha removido dos meus contactos, porque afinal longe da vista, longe do coração), eu vacilei, aceitei por cinco minutos e ao fim de ter visto que tinhas alguém que estava presente nas tuas últimas fotos, fui tão cabra ao perguntar-te qual era a tua jogada em tentares esfregar na minha cara a tua felicidade.
Ainda foste demasiado parvo para responderes de que fazias questão de me apresentares à tua namorada, tomar um café com ela até e que gostarias imenso de ter uma amiga futura médica.
E então veio-me à cabeça o que me tinhas dito anos antes no carro "Eu sou o senhor engenheiro de uma empresa, tu não passas de uma enfermeira".
Recordei-me também que eras perito em ver e atacar todos os podres que eu tinha em mim. E eu acreditei por muito tempo que não tinha qualquer virtude.

Bloqueei-te do facebook, apaguei toda e qualquer coisa que ainda tinha teu no meu computador, no meu telemovel, no meu coração...

E sim, sou aquela que sempre que passa na tua casa abre a janela do carro e grita MORRE FILHO DA PUTA!!! Sorte a tua ser tão poucas vezes.

Alima

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Histórias de família na família

Nos remotos anos 80, o primeiro hipermercado fundado na minha cidade chama-se Feira Nova.

Um dia, os meus avós paternos, gente das montanhas, das carrinhas que passavam na aldeia todas as semanas para vender produtos e dos mercadinhos da vila, vieram a Braga para passar uns dias.
O meu pai, como tinha que fazer algumas compras, resolveu ir ao novo hipermercado. Mas resolveu levar o meu avô.

- Mas que raio é o Feira Nova?- perguntou o meu avô.
- Olhe, é um supermercado que vende de tudo. De tudo mesmo. O pai diga-me o que quer e compra lá- disse o meu pai.
- Muito bem... Compramos então meia dúzia de foguetes?


True story



domingo, 2 de fevereiro de 2014

Do partir

Saí de casa às 3h30 da matina rumo ao aeroporto Sá Carneiro.
Entre sorrisos e choros, lá me despedi da minha mãe, da minha avó, da minha irmã.
Despedi-me também da minha casa, do meu jardim, do meu carro. Os meus cães sentiram aquele afago que lhes dei antes de entrar no carro e emitiram um ganido como que entendessem a minha angustia. Vou partir. Voltarei em Junho em dia incerto. Mas ate lá terei de abdicar de casamentos, da festa de formatura da minha irmã, de aniversários, de jantares de amigos.
A mala vai cheia de roupa, livros, produtos portugueses para camuflar as saudades. Vai cheia de sonhos e expectativas. Dúvidas já não são assim tantas. Já fiz a curva que antecede a meta. E a minha meta é mais um canudo.

Do Porto  voei para Lisboa. Em Lisboa estive seis horas a absorver tudo que fosse Portugal. Tomei o meu último café e comi a minha última nata portuguesa. Custou-me imenso pensar que o próximo jornal que folhear português será no distante Junho.

São 18h em Budapeste. Entre chegar e o não chegar do táxi que me levará à cidade onde vivo são 6h de espera e viagem. Faz muito frio. Neva bastante. Uma lagrimazinha teimosa caiu-me. Uma lagrimazinha de saudades e tristeza por estar aqui de novo. É por uma boa causa, repito sempre aos outros e a mim própria. Uma causa que em Portugal muito dificilmente poderia lutar.

Sei que nos próximos dias todas as pessoas parecerão que falam português. Escapar-me-ão muitos Obrigada em vez de dakujem. Mas até lá já estarei de novo habituada à minha rotina. A minha família durante as próximas semanas já não será a minha família de sangue, mas uma família oriunda de vários pontos do planeta. Não terei tempo para sentir saudades tal a minha carga horária na faculdade.

E vale a pena? Claro que sim.