sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Desta minha Braga que tanto amo,

Umas das coisas que me deixou triste em 2013 foi o facto de eu não ter votado nas autárquicas no meu concelho, já que estava longe, bem longe.
Eu, social democrata assumida, fiquei extremamente contente quando soube que o meu partido ganhou a Câmara de Braga, depois de 37(!) longos anos sob alçada do partido socialista.

Recém chegada a Braga para umas férias de Natal, aproveitei para dar umas caminhadas pelo centro.
Infelizmente só hoje é que pude explorar bem os cantos e recantos da zona centro, já que só hoje o S.Pedro foi generoso comigo e trouxe uns tímidos raios de sol, o que tornou a temperatura mais amena e o passeio bem mais agradável.

O que vi e realmente gostei (considerando que o meu ultimo passeio pelo centro foi algures em Agosto):
- Menos zonas de estacionamento a pagar. Como sou prática, gosto de estacionar o carro perto do centro. Só não gosto de deixar a moedinha no parquímetro.
- Grande iniciativa nos dias antes do Natal com música ao vivo, muitas lojas abertas, feirinhas de rua, um entra e sai de pessoas das lojas do comércio tradicional.

O que não gosto:
- Maior parte dos cidadãos bracarenses, tal como eu, cresceu com determinadas lojas típicas em Braga. Eu sempre me lembro de entrar no Centro Comercial de Santa Barbara, junto ao famoso Jardim de Santa Barbara, onde estavam as lojinhas dos 300, onde se comprou as minhas bonecas de porcelana e muitos utilitários para casa. Pouco a pouco essas lojas foram extinguindo e dando lugar as lojas dos chineses que vendiam praticamente as mesmas coisas, só um bocado mais caras e com um atendimento em que o funcionário fala mal português. Essas lojas dos chineses foram também desaparecendo e o shopping agora não passa de um lugar escuro, perigoso, com maior parte das lojas fechadas (e as que sobrevivem vão pelo mesmo caminho). E por falar em lojas dos chineses, onde eram lojas grandes de mobiliario e decoração, os logotipos foram desaparecendo para aparecer nomes como Cheio Cheio.
Sempre me lembro de junto ao edifício da Câmara Municipal, numa esquina no largo, existir uma mercearia velhinha, parecida com a mercearia da aldeia da minha mãe, onde o balcão era em madeira, com paredes repletas de estantes de madeira tosca, em que estava um velhote simpático com sempre as mesmas velhas piadas, de bata azul para nos atender. Ia lá com frequência para comprar farinha milho que ele vendia ao peso (e desconheço onde possa comprar esse tipo de farinha atualmente) e para comprar figos secos e nozes.  Era daquele tipo de mercearias que a minha mãe falava que nos seus tempos de juventude, só se comprava arroz a granel ou açúcar, alimentos que agora estão devidamente embalados. Pois bem, a mercearia deu lugar a um edifício na esquina com portadas fechadas e uma tableta a dizer Vende-se.
Mesmo em frente havia uma loja, o bazar C.. Era lá onde comprava as linhas para o ponto Cruz, comprei lá muitas meias, material escolar, água de colônia de cheiro a lavanda e sabão para sedas. Os meus bibes desde o jardim de infância era lá comprados. A ultima bata branca que comprei, quando entrei para enfermagem foi lá comprada. Toda a gente conhecia o bazar C. Toda a gente pelo menos uma vez na vida lá comprou algo. Pois bem, o bazar C. já não existe.
A velha drogaria na Rua do Carvalhal agora é uma loja de venda/compra de ouro usado.
No centro de Braga, só me recordo de duas específicas lojas de brinquedos que me deixavam, em miúda, verdadeiramente hipnotizada com a montra: uma no C.C. Avenida e outra na Rua dos Capelistas. Pois bem, foram recentemente transformadas em lojas de decoração.
No Campo da Vinha havia um estabelecimento chamado A CASA DO BACALHAU que além de vender bacalhau, funcionava também como mercearia. Os meus pais, renitentes a existência de um hipermercado que se chamava Feira Nova na altura, optavam sempre por comprar o bacalhau nessa loja. Recordo-me de uma vez, pela altura do Natal, tinha eu uns três-quatro anos, enquanto o meu pai pagava o bacalhau, eu tentei empoleirar-me no balcão. O senhor, virou-se para a prateleira que estava atrás dele e tirou um pacote de bolachas Maria e deu-mo. "Do Menino Jesus para um anjinho", disse-me. É incrível que se possa ter recordações destas em tão tenra idade. Pois bem, a casa do bacalhau já não existe e deu lugar a uma agência imobiliária.

Pensando bem, acho piada a estas novas iniciativas de tentarem recriar tascas e lojas tradicionais como de antigas se tratassem. O conceito de ornamentação nostálgica começa a vir ao de cima. Consegue-se ver que em Braga, quem pode inaugurar um café típico, com boa pastelaria e com pão quente a toda a hora, consegue fazer dali um bom negócio. Aliás, croissanterias, pastelarias de aspecto chique e caro foi o que mais apareceu no Centro.


Infelizmente (ou talvez não), sou mulher de velhos vícios e nada me tira do café da Brasileira a meio da manhã e da tarde e os croissants de 70cm (não, não é exagero) de 60 céntimos do Lima que alimentam uma família de 4 pessoas :)

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