quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Querida mãe,

Hoje é o seu aniversário. Parabéns.

Sei que às vezes não me porto como a melhor filha do mundo. No entanto nada e ninguém é perfeito (à excepção da sua filha mais nova que faz merdas do arco da velha e mesmo assim a perdoa porque ainda a vê como aquela bebé de poucos meses).

No entanto, apesar das nossas muitas incompatibilidades, posso achar que somos muito parecidas. E não refiro em termos físicos. Afinal de contas herdei o seu cabelo seco, grosso, african style, herdei a sua tendência a apanhar escaldões com um bocadinho de sol. Felizmente não sou baixota como a mãe. Nem baixota como todos na família.
Herdei também o seu mau feitio. Sou muito boa pessoa até provarem o contrário. Tal como a mãe, consigo ser tão dramática como uma novela mexicana. A grande diferença entre a mãe e eu é que eu dou o braço a torcer e sei pedir desculpas quando estou errada. A mãe limitas-se a esperar que os outros  venham pedir desculpas mesmo que não estejam errados (só para a manutenção da paz em casa) só porque não é capaz de pedir perdão a quem quer que seja.
É o tipo de pessoa que adora causar escândalo mesmo à hora de sair de casa por merdinhas. E depois o que faz? Mete-se na cama, como uma cobarde à espera que a gente lhe venha pedir por favor para sairmos. O problema é que apanhou-me mil vezes desta forma. A mil e uma vez já não aconteceu comigo. "Ai já não quer sair, mãe? Óptimo, ficamos por casa e eu ponho a leitura em dia...". A mãe é aquele tipo de pessoa que não pede nada: sugere. E se não seguirmos a sua sugestão, o caldo entorna-se de novo.

De qualquer forma, deixe-me que lhe diga que a admiro muito. A mãe é uma sobrevivente e uma lutadora neste ciclo de tragédias que é a nossa família. A mãe ao contrario dos seus irmãos, preferiu investir nas filhas para que pudessem ter um futuro melhor em vez de investir em viagens e em coisas mais vãs. O que é certo é que por milagre, por muito sacrifício que fazemos, somos felizes à nossa maneira. Privamos-nos e mesmo assim nunca nos falta nada. O que é extraordinário.

Apesar de não ser a melhor filha do mundo, espero que se orgulhe de mim da mesma forma como me orgulho de si.

Feliz aniversário mãe. Infelizmente não lhe poderei dar um beijinho de parabéns ainda hoje. Mas se Deus quiser amanhã já nos sentaremos à mesma mesa.


Alima

1 impressões:

S* disse...

Que carta tão bonita, sincera e ternurenta. Parabéns.

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