quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Querida L.

Ultimamente tenho conhecido muita gente que me têm dito que andam a tomar medicação para dormir. E calmantes. E anti depressivos. E quando pergunto o motivo para andarem a meter porcarias para o bucho, dizem-me que andam cansados e não conseguem dormir. Que se sentem demasiado apáticos e que o médico prescreveu umas coisas para melhorar o humor. Mas o que mais me impressionou mesmo foi dizerem-me que por causa de um desgosto amoroso, andam a tomar anti depressivos.

Houve uma fase na minha vida, em que estava tão cansada que tomei um único e simples diazepam 5mg roubado da caixa avó e que me fez dormir umas 10h seguidas. Mas foram 10h com sonhos muito estranhos. E jurei pra nunca mais. E houve também aquela fase em que o médico de família me prescreveu uma coisinha fraquinha para melhorar o meu animo, já que estava num processo de luto. Essa coisinha fraquinha deram 7kg a mais para o meu corpo.

Mas tomar merdas por causa de um desgosto amoroso? Quem sou eu para criticar alguém, mas eu na minha (in)sanidade mental, quando estou mais em baixo, vingo-me em duas coisas: doces e salgados. E milagre dos milagres cada pedaço de chocolate ou cada fatia de queijo que se derreta na minha boca faz com que eu fique um bocadinho melhor. E quando estou em fase de exames, o senhor stress ronda sobre mim, e é combatido por um maço de cigarros que rapidamente é metido na gaveta até aos próximo exame. 

Uma vez, numa saída entre raparigas, tentamos ajudar uma colega nossa porque ela tinha acabado com o namorado naquela tarde. Para a ajudar, abriu-se uma garrafinha de vodka cujo líquido foi distribuído irmãmente entre as quatro. Chegou-se à conclusão que o nosso estado emocional influencia o nosso nível de alcoolemia, uma vez que a nossa amiga, que sempre teve fama de esponja, acabou por ficar numa espécie de estupor comatoso, que lhe valeu um valente galo na  testa com a queda que deu ao sair do carro, cabelo vomitado e uns beliscões nas axilas para ver se ela reagia a estímulos dolorosos (Escala Coma de Glasgow Rula!). Seis horas depois a moça acordou mais fresca que uma alface (qual gurosan qual quê?) enquanto nós acordamos com cara de aziadas com a péssima noite que passamos.

E pronto, na minha perspectiva parva, a melhor solução para um desgosto amoroso resume-se a uma tablete de chocolate, a uma barra de queijo e tostas, a um bom vinho frutado e a uns cigarros. E em bloquear a pessoa das redes sociais. E em apagar foto por foto todas aquelas que o estupor mostra os dentes. E já agora a um bom grupo de amigos parvos que nos arrastem para todos os bares da cidade e que saibam dar um par de estalos quando ficamos mais tristes. 

E para dormir bem, o segredo está no copo de leite com mel e canela. E consciência limpa já agora.

E RIR. RIR MUITO. RIR ATÉ DOER A BARRIGA E A MANDÍBULA. RIR ATÉ CHORAR. RIR ATÉ À ÁGUA QUE ESTAMOS A BEBER  (ou coca-cola, ou cerveja, ou etc) SAIA PELO NARIZ.

1 impressões:

capitão disse...

Não há tratamentos únicos para doenças diversificadas. O que funciona num lado, noutro é um desastre. Mas concordo consigo em que muito do desespero é desamor e carência e para esses, o melhor tratamento é sempre uma carícia na pele e na alma.

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