sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Porque às vezes me surpreendo com as minhas saídas

Vivo numa residência universitária. Vivo lá porque além de ser a solução mais económica, é também o melhor remédio contra a solidão. Viver sozinha fica caro, viver com alguém que até então desconhecíamos e dividir tarefas mais cedo ou mais tarde dá raia.

O facto de viver numa residência permite que possa jogar monopoly com alguém que esteja disposto a jogar (e perder, como sempre) comigo, a experimentar e deixar experimentar experiências gastronómicas dos nossos países de origem, a poder sair à noite em grupo, a estudar em grupo, a cravar apontamentos e livros mais facilmente.

Mas sim, o meu maior problema é saber gerir o budget que posso gastar mensalmente. Vivendo na residência poupo mais de metade se vivesse num apartamento. E como não sou de copos e noitadas, o dinheiro que poupo gasto num dos meus maiores prazeres: viajar.

Poucos são os portugueses que vivem na mesma residência que eu. Se bem que de ano para ano, o número está a aumentar (será a crise?). Infelizmente existe o preconceito de muita gente que vive em apartamentos de que quem vive em residências universitárias é economicamente carenciado. E é lamentável que muito  desse preconceito vem mesmo de portugueses, malta que não chegam aos calcanhares em termos económicos dos estudantes dos países árabes, por exemplo, já que eles recebem  cerca de 2000 euros mensais por parte do governo para que estudem no estrangeiro. Muitos desses meus colegas disseram-me que não seriam capazes de viver numa residência só por causa da cozinha. Sim, a cozinha é o maior dos nossos problemas porque apesar de ser limpa diariamente, há muita gente que não tem qualquer cuidado de deixa-la limpa.
A conversa que se segue tem o seu toque de preconceito por parte de alguns tugas e que achei no mínimo deliciosa:

Uma polaca estaciona o seu Volvo todo desportivo no recinto da faculdade. Um português comenta o quão bestial é aquele carro e de que deve ser de polacos de graveto. Eu comento que aquele carro é de alguém que vive na mesma residência que eu.
O tuga vira-se para mim e diz de uma forma muito altiva e prepotente de que quem tem aquele carro não pode viver numa residência porque tem demasiado carcanhol para viver lá. Eu chamo a dona do carro. Ela confirma que vive no mesmo andar que eu.
Tuga armado em rico 0- Alima 1

O português fica todo amuado comigo. Passado uns minutos, outro polaco de quem somos amigos chega ao recinto com um jipe Mercedes. Ele vive na residência.
Tuga armado em rico 0 - Alima 2

Entretanto azar dos azares para o tuga, chega o H., o meu amigo iraniano com quem faço as minhas viagens. Vem no seu (e meu para todas ocasiões e passeios) BMW.
Tuga armado em rico e inchado de ódio 0- Alima 3.

Entretanto fomos para a aula de microbiologia. O tema era doenças tropicais que são associadas a infecções. Surgiu o tema viagens, quem foi a África e tal. O tuga armado em rico, inchado de ódio e de um modo sarcástico gaba-se que foi passar férias a Cabo Verde este Verão. Numa de afronta, pergunta-me em voz alta no meio da aula se já lá estive. Disse-lhe que não, mas que primeiro gostaria de visitar Angola.
Tuga armado em rico, inchado de ódio e sarcástico 1- Alima 3.

Ele pergunta-me se eu não costumo passar férias no estrangeiro. E aí dei uma resposta improvisada de que me orgulho:

"Para quê passar férias no estrangeiro se eu vivo no estrangeiro todo ano? Quero Portugal, o nosso Sol, a nossa francesinha, bacalhau e Super Bock. Para quê ir para o estrangeiro se os meus pais restauraram casa na montanha e um compraram apartamento na praia"

Tuga armando em rico, inchado de ódio e sarcástico 1- Alima 4

Acho que o snobei um pouco. Que se lixe. Não gosto que me snobem. Detesto gabar-me do que tenho. Mas detesto ainda mais quando me vêm como a parente pobre. Viena, tu e eu num fim de semana juntas... em breve!




1 impressões:

S* disse...

Fizeste bem. Puseste-o no sítio. Parece merecer.

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