domingo, 13 de outubro de 2013

Querido Pai

...custa-me tanto pensar que tu estivesses aqui a nossa vida seria tão diferente. Talvez não estaria a fazer o que estou a fazer hoje, talvez não consentisses o meu espírito aventureiro. Como pai galinha que sempre foste, dizias que davas a chance de que eu e a mana voássemos mas não sei até que ponto não estarias sempre por perto com a tua asa sempre protectora. Quando me ensinaste a andar de bicicleta disseste que iria cair muitas vezes nela, mesmo depois de ser perita. Mas que o segredo é levantar, sacudir poeira e não desatar a chorar com as primeiras tentativas. Puseste até duas rodas laterais de apoio mas a pouco e pouco foste pondo-as de maneira a que nem tocassem no chão.

Mas a vida encarrega-se de mudar as coisas. Dizias que estarias reformado lá para os 55 anos. E que assim que te reformasses e sabendo que não eras homem de ficar por casa, irias passar a semana na aldeia nas tuas bricolages e a trabalhar na horta e só voltarias a casa ao fim-de-semana. Ou então irias restaurar o teu Renault 12 na garagem. Mas que as tuas quintas feiras e domingos iriam ser passados na caça. Mas isso nunca chegou a acontecer. Tantos sonhos em vão. Puta de vida. Puta de vida mesmo.

Sinto a tua falta. Sempre.

Alima

1 impressões:

S* disse...

Lamento muito pela tua dor.

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