sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Querido P.

Uma semana se passou depois de ter partido de Portugal.
O tempo aqui está péssimo, as sandálias e tshirts que eu trouxe não vão ter uso nenhum até Junho, já que faz muito mau tempo por aqui. 

Como te prometi, continuo a fazer dieta. Já perdi 17kg desde Julho. Sinto-me mais bonita, mais ágil e mais sexy até. Quero ver se continuo a perder mais peso até ao Natal. Só mesmo para poder comprar mais trapinhos nos saldos assim que chegar a Portugal (já que onde vivo nenhuma loja de jeito).

Confesso que me habituei a ti este Verão. Fizemos tanta coisa juntos e esta separação brusca causou-me alguma tristeza. Sabes bem que eu adoro cá estar,  mas os primeiros dias em que aqui cheguei senti-me um bocadinho deprimida. E para piorar as coisas, foste a última pessoa que vi em Portugal, tu fizeste questão de me levar ao aeroporto. E antes de me levares ao aeroporto, fizeste questão de me oferecer um pequeno almoço à maneira numa esplanada em frente ao mar. Desfrutei contigo o último cheiro a maresia e o último vislumbre da nossa praia. A praia que eu tanto sinto saudade... A praia que neste país onde vivo jamais poderá existir.

Temos falado imenso por telefone. Mas não é a mesma coisa, claro. Não é como passávamos horas num bar perto da praia a conversar, ou mesmo quando começávamos a noite numa esplanada com amigos em Braga e acabávamos os dois a noite no Porto ou em Viana a ouvir Oceano Pacífico no carro.  Uma vez no carro perguntaste-me como é que era possível que nunca nos tivéssemos beijado como nos filmes. Afirmaste que tinhas tido mais momentos românticos comigo do que com muitas namoradas. Eu respondi-te que os amores mais ternos são os de infância. São aqueles amores de folhas perfumadas com ursos estampados, nada arrebatadores, sem ciúmes e sem joguinhos de sedução. E nós fomos uma espécie de namorados de infância.  São pequenos momentos como esses que me fizeram nascer algumas lágrimas nos olhos no momento em que nos abraçamos antes de eu embarcar. E as outras lágrimas caíram quando cheguei ao meu destino quando invés de ser recebida com um sol e calor, fui recebida com chuva, frio e um céu cinzento. E com a garantia da porteira da residência onde vivo de que este ano deve começar a nevar lá para Outubro. 

Obrigada por este Verão. E por tudo. 
Até Dezembro. 

Alima

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