segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Cartas a todas as Cosettes redigida por uma Éponine

Sinceramente eu nem deveria estar a dar-me ao trabalho em escrever-vos. Mas é mais uma forma para afirmar que estou com vocês até aos cabelos. Vocês na perspectiva masculina são umas fracas e sensíveis meninas cheias de uis e de ais, umas meninas que precisam de ser protegidas de todos os males quando vocês mesmas podem ser as principais transmissoras desses mesmos males.

A coisa ficaria bem se não andassem a estragar a vida a tantas Éponines que andam por aí.
Passo a explicar:
Homens que valem realmente a pena ter uma relação são poucos. Muito poucos. Esses homens têm bom coração, são altruístas, simpáticos, com dom de palavra e cultos.
O que acontece? Há sempre uma porra de uma Cosette com quem se embeiçam. As Éponines são as melhores amigas e confidentes. São uma espécie de irmazinhas queridas com quem nunca teriam uma relação sentimental. Mas admitem que as suas queridas Éponines são o seu maior porto de abrigo que jamais podem abandonar. Elas demonstram valentia e sabedoria, coisa que muitos Marius às vezes não têm. São também assexuadas. Os Marius até tremem só de pensar que a amiga Éponine até deu mais trela aos amigos do que ao próprio Márius.

A Cosette que estou a pensar no momento em que escrevo esta carta não passa de uma simplória com pouco mais que o 9º ano. Lá porque tem um corpo bonitinho acha que consegue conquistar todos os Marius da nação. E só porque tem alguns dramas familiares acha que estão no direito de ter uns fanicos. E o Marius que eu cá sei, qual cavalheiro, acha-se no dever de a proteger de todos os vilões. Paga-lhe cafés, jantares e viagens. Paga-lhe até consultas médicas e naturopatas. Vai com ela para o shopping e a Cosette com o 9º ano mal feito mas que de burra tem pouco, aproveita-se do bom coração e da boa carteira do Marius e sabe como pedir uma mala de senhora de 300 euros e um smartphone topo de gama. Depois o Marius acha-se no direito de se reaproximar mais e mais da Cosette e o que ela faz? Faz-se de difícil. De que não quer neste momento nenhuma relação. E em vez de lhe agradecer a bondade do pobre Marius ainda o ataca por causa dos defeitos que ele tem. Sim, todos os Marius também têm defeitos. E para piorar as coisas, alem de realçar que não quer nenhuma relação com o Marius, mete-se com outros homens assim à cara podre mesmo em frente ao pobre Marius.
E como quer manter preso o Marius o que faz? Faz piadinhas e graçolas sobre um possível casamento entre eles, alimentando a esperança do pobre. E pior: põe a irmã mais velha a ter uma conversa com o Marius sobre quais as perspectivas de futuro, sobre como é o casamento dos pais dele, de quantos filhos e quando os quer ter. Pergunta-lhe até como é a conta bancária.


E estas merdas todas fica a Éponine a saber numa esplanada à noite com vistas para a cidade. Porque o pobre Márius liga-lhe a dizer que precisava de conversar com alguém porque sente-se injustiçado com tamanha indiferença por parte da doce Cosette.
A Éponine desmarca com os amigos ir ter só como Marius. E depois do Márius contar-lhe a história, do há quantas noites não dorme à conta da paravolhona da Cosette, a Éponine fica boquiaberta. Ainda lhe diz: Não vês que ela está a usar-te? És burro ou fazes-te? Tens 30 anos, não 13 para andares nestas merdas! mas acaba por ouvir uma resposta que ainda a magoa mais do que a impossibilidade de fazer alguma coisa por ele: Mas eu gosto imenso dela...
E depois a Eponine ainda tenta mudar de tópico sobre outras coisas mais triviais, mas o assunto Cosette volta à baila uma e outra vez, quando o pobre Márius se queixa das arritmias que ela lhe tem causado.

E pronto, a Éponine ainda tenta explicar-lhe como funciona a mente de uma mulher mas a meio da conversa pensa que talvez o parvo do Marius esteja realmente perfeito para a Cosette. E quando pela milésima vez o Márius pergunta à Eponine o que deveria fazer em relação ao tema Cosette, a Éponine lá revira os olhos e lhe diz em tom dramático que o destino tomará conta do assunto. Mas achas que eu deveria mostrar mais directamente o meu afecto por ela?, pergunta Márius... Se tens amor a ti próprio e à tua carteira, dá tempo ao tempo, aconselha a Eponine...

E no último vislumbre que a Éponine tem a partir do seu carro ao ver o carro do Márius partir, a Éponine que de pobre e de vítima não tem nada diz baixinho: Adeus idiota... é bom que não me voltes a incomodar mais...

Mais um Marius enfeitiçado, mais um Marius perdido que uma Eponine resolveu esquecer...


1 impressões:

capitão disse...

http://abeiralethes.blogspot.pt/2009/01/beleza.html
http://abeiralethes.blogspot.pt/2008/10/receita-de-mulher.html
A beleza é um sinal de saúde, uma espécie de garantia de que a descendência será forte e sem doença.
Um corpo elegante, suficientemente musculado para ter gestos precisos e ágeis, seja ele o de uma mulher ou de qualquer espécie animal é um bom princípio para o acasalamento, que por sua vez se dificulta quando há deformidade ou assimetria na forma.
O ser Humano introduziu com a cultura uma outra variável de sucesso, mas esta só tem relevância se o corpo dos descendentes for saudável. Daí a preocupação, muitas vezes inconsciente, com a beleza.

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