segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Querido Pai,

Ontem de manhã rumamos a Viana do Castelo.
Confesso que foi a primeira vez que recordo-me em ir a Viana no dia com mais afluência das festas da Sra da Agonia. E como este ano estamos numa de passear lá fomos nós até norte. Saímos bem cedo para arranjar estacionamento. E como sabíamos que iríamos estar muito tempo de pé fomos com calçado beeeem confortável. Ainda pensamos em ir de comboio mas no nosso Portugal andar de comboio em termos de preço realmente não compensa.

Pessoalmente não sou grande fã da cidade de Viana. Enquanto que em Braga, Guimarães e outras cidades e vilas do Alto Minho as pessoas e as autarquias têm um grande cuidado para preservar as fachadas no centro histórico, julgo que em Viana esse cuidado não é assim tão grande. Além disso
é uma cidade que apresenta uma arquitectura com pouca ostentação. Faz falta uns edifícios e umas praças que nos faça suspirar.
No entanto gosto de ir a Viana pelas recordações que me traz. Íamos com alguma frequência quando eras vivo para almoçar ou jantar numa marisqueira perto da cidade em festas familiares. Ou então quando fazíamos picnics no monte de Sta Luzia. Ou então quando eu e um namorado que tive que volta e meia fugíamos para Viana...
Seja como for, toda a festa em si fez com que eu esquecesse a minha perspectiva crítica em relação à arquitectura da cidade. Apesar da confusão, amei todas as horas que passamos lá. Absorvi por completo toda a tradição do meu Minho que tanto amo e que tanto sinto falta quando estou fora do país.
Quando era miúda achava parolo alguém estar vestido com o traje de rancho folclórico e que até ouvisse e dançasse as músicas de ranchos. O problema é que cresci e agora acho lindíssimo ver esses trajes. E que apesar de continuar a não ser adepta de ranchos folclóricos, sei que sei muitas modinhas. E reconheço que ainda bem que haja pessoas que continuam a seguir estas tradições. Porque são elas que contam a história de um país. E de um povo.

A mãe ofereceu-me uns brincos estilo filigrana em metal dourado. Gosto imenso deles. E como grande parte das mulheres tinham brincos de filigrana postos, eu fiz o mesmo também.

Cantou Amália e outros tantos que

"...Se o meu sangue náo me engana
como engana a fantasia
havemos de ir a Viana
ó meu amor de algum dia
ó meu amor de algum dia
havemos de ir a Viana
se o meu sangue não me engana
havemos de ir a Viana..."


Nós já fomos a Viana. E voltaremos.

1 impressões:

S* disse...

Os trajes são lindíssimos, não há beleza como a das nossas tradições. Tens razão, falta alguma arquitectura mais imponente. Mas o santuário de Santa Luzia vale por tudo.

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