terça-feira, 6 de agosto de 2013

À Miúda,

Todos os anos faço uma espécie de lista de desejos para o Ano Novo.
E desde há alguns anos o desejo de salvar uma vida está incluído na lista.
Foste o meu desejo concretizado de 2012. Eras mais um dos muitos animais abandonados. Tinhas algumas peladas no teu corpo e algumas carraças. O teu pêlo estava muito mal tratado. Trouxe-te para casa. Na viagem até casa, eu meti-te na mala do carro e tu conseguiste passar para o banco de trás. Sentaste-te no banco de trás perto da janela e ficaste muito quieta. Isso fez-me pensar que provavelmente já estavas habituada a andar de carro.

Antes da mãe chegar dei-te um banho, pus-te uma coleira e escovei bem o teu pêlo. Passei na farmácia e comprei-te um vermífugo que te meti a contragosto na boca. Ficaste com um aspecto muito mais sadio. Quando a mãe chegou e viu que não eras assim tão pequena como eu te descrevi pelo telefone ameaçou que te poria no canil, porque não queria um cão assim tão grande em casa. Na verdade até és pequena, claro que comparando com os cães que já lá viviam em casa eras uma gigante.

Ganhaste lanço perto do muro e lá o conseguiste saltar. Eu não sabia como te chamar para entrares de novo jardim, afinal ainda não tinhas nome. E a minha mãe da varanda da sala disse-me "esquece, ela é vadia" e acrescentou " Podes tirar as meninas à Brandoa mas nunca a Brandoa às meninas... já não a consegues domesticar". O que é certo é que ao fim de uma hora, depois de teres corrido à fartazana na rua, deitaste-te em frente ao portão à espera de entrares. E quando te abrimos o portão, entraste calada e muda. E o facto de seres uma eterna rebelde faz com que a tua alimentação não possa ser à base de ração, porque simplesmente não comes. Gostas de sopa e de restos de comida apenas. E quando estamos a comer uma bolacha, tu tentas hipnotizar-nos para ver se cai a bolacha ao chão ou umas migalhas dela. Tonta.

Uma vez mordeste a mãe num braço. E a mãe ligou-me a contar o sucedido. Chegamos à conclusão que não te podemos contrariar. És dona do teu próprio focinho. Mas apesar de tudo és uma fonte de meiguice e brincadeira. Pegas na bola de ténis que te dei e vens com ela para junto de nós como se estivesses a chamar-nos para brincar. Adoras deitar-te de barriga pra cima e adoras festas. A tua forma de pedir mimos é a morder-nos a mão de mansinho. Não gostas que te mexamos nas orelhas. Quando me mordeste a sério, aprendi isso. Não gostas que te peguemos ao colo. A trinca que deste à mãe fez com que aprendêssemos isso.

Uma coisa que fez com que te adoptássemos como nossa foi o teu sentido de lealdade e protecção que invocas. Pobre daquele que abra o portão sem que a gente não esteja por perto. Ficas uma fera com desconhecidos e só acalmas quando alguém da casa te diz que está tudo bem, para não te enervares. E lembras-te quando um tio da mãe entrou pelo portão adentro sem antes de tocar a campainha e tu deste-lhe duas dentadas? Tive que lhe fazer um curativo na mão. Ele estava super aborrecido contigo. Tive que lhe mostrar todos os documentos de que eras nossa cadela legalmente, assim como o registo de vacinas. E tive que lhe avisar que para uma próxima vez antes de entrar pelo portão de alguém sem tocar a campainha que pense duas vezes porque a placa de cuidado com o cão estava bem legível.
Gostas de te estender ao sol sob a relva. Adoras ficar de barriga para cima. Adoras bonecos que façam ruído. Ou então bolas. Adoras as nossas caminhadas ao final da tarde: eu de mp3 e tu a apreciar cada momento do nosso passeio. Adoras quando uma de nós chega a casa com sacos de compras e ao caminhar pelo jardim vens atrás de nós dando pequenas dentadas no nosso traseiro.

Todos os dias pergunto por ti. Às vezes a mãe até mostra a câmara para onde estás deitada. Adoras deitar-te no sofá da cozinha. E quando estamos todos em casa e queremos ir para o sofá ver tv, tu ficas toda estendida e não deixas sentar ninguém. E quando alguém se senta perto de ti e tu queres mais espaço, começas a morder-nos as coxas.
Como sabes estás interdita ao resto da casa. Mas mesmo assim volta e meia tentas aventurar-te.

Gosto imenso de ti.
Cuida-te,
Alima

1 impressões:

S* disse...

:') Os animais fazem-nos um bem imenso. Parabéns a ti pela fabulosa adopção.

Enviar um comentário