sexta-feira, 26 de julho de 2013

Querida B. (II)

Graças aos nossos cafés das noites de Verão pude reencontrar o T. Quem era o T.?
Conheci o T. nas praxes do meu primeiro curso. Fomos colegas de curso, onde havia fases em que nos dávamos bem e outras em que não trocávamos uma palavra. Julgo que só fiz um estágio com ele em que ficamos um mês juntos. A ideia que tinha do T.? Um baldas de primeiro. Fraco aluno. Faltava regularmente. Que só passava às cadeiras graças ao copianço e a colar-se a bons alunos para fazer trabalhos. Seja como for, acabamos ao mesmo tempo o curso.
Anos mais tarde, alguém me disse que ele no ultimo dia de estágio de curso teve uma síncope e exames mais exames e lhe diagnosticaram Esclerose Múltipla. Fiquei triste por ele, como é obvio.
E graças a ti, revi-o esta semana. Estava mais gordo e reparei que ele se arrastava um bocado ao andar. Tentei fazer-me de desentendida quando ele começou a explicar-me a panóplia de sintomas. Falava no "problema" para cá e "problema" para lá até que eu tive que disfarçar e perguntar o que ele tinha. Foi então que "soube" pela boca dele.
Ele então pôs-se a fazer-me mil e uma perguntas. Muitas delas reconheço que não sabia a resposta como é óbvio. Mas pelo que percebi ele tem esperança nas células estaminais...
Quando ele se ausentou para cumprimentar alguém noutra mesa tu começaste a cochichar comigo sobre o comportamento dele. De que ele às vezes parece bipolar. De que noutro dia começou a ter problemas a falar com vocês mas que falava normalmente com outras pessoas. Perguntaste-me sobre a normalidade disso tudo. Respondi-te que sei muito pouco sobre isso. Que eu sempre me lembrava do T. com os azeites. Que conheço algumas pessoas com essa doença mas que não sou tão próxima delas para saber tudo sobre a doença. Mas prometi-te que iria ler sobre isso. Provavelmente as mesmas coisas que o T. provavelmente já leu, sei lá.
Veremos, queria B. Veremos...

Um beijo,
Alima

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