sábado, 22 de junho de 2013

Caro amigo C.

Somos amigos há alguns anos. Somos mais amigos virtuais do que propriamente amigos físicos. A distância assim o obriga. No entanto sinto que temos uma grande empatia um pelo outro. Nunca tivemos qualquer discussão. Não duvido que tenhas dito alguma vez para ti próprio que eu era estúpida. Mas nunca o assumiste.

No entanto fica sabendo que adoro conversar contigo. Não temos conversas sobre metafísica e filosofia clássica mas temos muitas conversas sobre relações e a nossa filosofia. Sim, porque eu aprendi que qualquer individuo pode ser filosofo. E tu para mim és um filosofo com retoques de poeta.

Eu sou a mulher do agir sem pensar, tu és o homem do pensar  antes do agir. Eu arrisco todos os trunfos, tu ponderas bem antes de os deitar. Eu dou o corpo ao manifesto quando vejo que algo está errado, tu calas-te e esperas que haja mudanças. Somos um pouco opostos nesse sentido. E nenhum de nós está correcto.
És uma boa âncora para mim. Não devo ser assim tão linear. Precise que alguém como tu me diga "Calma Alima". 

E escrevo-te esta carta para te dizer que provavelmente és demasiado ponderado. Se calhar é devido à tua timidez. Arrisca um pouco, meu caro! Deixa de acreditar que vais ainda conhecer a tua princesa. As princesas dos contos de fadas da Disney são todas umas vadias que falam com desconhecidos, desobedecem às ordens dos pais, só querem cantar e dançar, vestidos bonitos, tem sempre a ajuda da magia das fadas madrinhas, passarinhos, ratinhos e anões (preguiçosas!), não se querem envolver com os mortais mais comuns (só querem príncipes, as putas). Não esperes sempre que uma princesa encantada te vá cair aos teus pés. Faz mostrar que nenhuma delas te merece. Homens comuns são muito mainstream para elas. E tu, C., não és nenhum príncipe encantado. Não usas coroa, nem tens cavalo, nem vives num castelo. Tens um carro que precisas de atestar e levar à inspecção, tens um T2, trabalhas como um desalmado, vais à Zara, tens de fazer compras no supermercado e usas cartões de desconto.
Não queiras ser um joguete aos caprichos dessas princesas ou de qualquer mulher comum. Sê firme. Agarra-a pelo braço e pergunta-lhe: Como é? Em que ficamos? Decide-te... ou é agora ou nunca!

Que nenhuma dela te deixe sentir miserável sem o teu consentimento

Um beijinho... e continua a dar notícias,
Alima





1 impressões:

Lia disse...

Eu discordo que ele tenha que deixar de acreditar em princesas... Elas existem. Ele só tem que saber ver onde elas estão. Há muita menina mascarada de princesa fora de horas.

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