segunda-feira, 27 de maio de 2013

Querida E.

Não nos temos visto há alguns anos,

Na verdade não posso dizer que a culpa é inteiramente tua. Sou também a culpada. No entanto tenho feito todos os esforços para que a gente se possa encontrar. Em todos os Verões, ligo sempre para o teu número de telefone. Muitas vezes está desligado, muitas vezes não atendes. E ninguém do nosso circulo de amigos te pôs a vista em cima... O que é pena... Sempre ouvi dizer que é na necessidade que sabemos quem é nosso amigo. E já necessitamos muito uma da outra. Tínhamos uma excelente relação...

Fizemos juntas o secundário. Entramos junta na mesma Universidade e fizemos juntas o mesmo curso. Basicamente passamos sete anos juntas.
Eu acabei o curso e resolvi emigrar. Tu resolveste ficar por Portugal para seguires o teu curso de sonho. Ao contrário das nossas colegas que pensavam que eras uma doida por estares a sacrificar mais anos para entrares no curso que querias, eu dei-te todo o meu apoio moral e compreensão. E juro que rezei para que fosses bem sucedida nesse objectivo.

Eu no estrangeiro, suei, aprendi, lutei, saí de um emprego para ir para um outro melhor... até que consegui arranjar trabalho em Portugal. E sempre que vinha de férias e queria saber de ti, só me dizias que estavas a fazer melhorias no secundário...
Em Portugal cheguei à conclusão de que não gostava do que eu fazia. E para pesar ainda mais à minha angustia, senti-a me espezinhada pelos meus superiores e por aqueles que se achavam meus superiores só porque deram mais anos à casa do que eu. E eu tenho o grave defeito de não me saber impor. Ou não saber como me impor... Sou uma fraca...

O que é certo, é que três anos de termos concluído o curso eu entrei no curso que tu querias não pelo mesmo método que tu pretendias ter, mas porque consegui poupar um dinheiro quando eu trabalhava no estrangeiro (sim, porque não se consegue poupar dinheiro em Portugal, tendo em conta aos baixos salários).   Liguei-te a dar a boa nova, de que tinha entrado no curso mas no estrangeiro, e não te demonstraste entusiasmada comigo... Compreendo... mas mesmo assim, generosa que sou, dei-te força para fazeres o mesmo... Acabaste por baixar os braços e estas a tirar outro curso que nada tem a ver com o curso que pretendias.
Liguei-te em Junho a saber como estavas. Queria tomar café contigo. Queria saber como vai a tua vida. Queria contar sobre a minha vida, não para te meter inveja, mas sim para tentares dar o mesmo passo que eu. Disseste-me que estavas atolada de exames. Que quando as coisas estivessem mais calmas, me ligarias, que eu não precisava de te ligar. Juraste até que me ligarias dali a duas semanas...

Um ano passou e ainda aguardo notícias tuas, querida B.

Um beijo e boa sorte para a nova fase de exames,
Alima





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